Por que eu não faço faculdade?


O que fez um jovem de 18 anos que queria ser universitário mudar de ideia sobre educação e as atuais instituições de ensino.


Eu tentei, mas não consegui. Admito. Este texto também é um pedido de desculpas a amigos e familiares que queriam me ver coberto de ovo e farinha segurando uma placa com a sigla de uma federal. Não vou graduar por enquanto e explicarei o porquê.

Não vejo beleza em diploma algum. E sinceramente acho que as instituições deveriam parar de entregá-los. O valor real da educação está em aprender e ensinar. Me entristece muito ver um aluno indo à escola para conseguir um diploma. Logo depois ir pra faculdade para conseguir outro. O foco está em um papel que diz que você sabe e quase nunca em saber.

Entendo porque têm funcionado dessa forma. Somos condicionados a estudar para sermos empregados e nossos empregadores exigem diplomas. Esse modelo já funcionou muito bem para formar trabalhadores fabris e hoje é usado para formar operários de luxo. Não é a toa que a escola atual tem horário de entrada/saída e sirene pro intervalo. Os ambientes de aprendizado não deviam ser assim. E não serão mesmo. Escolas e faculdades não estão acompanhando o novo ritmo:

Livre compartilhamento de informação e conhecimento

Quando o rádio começou a entrar nas casas populares era comum ouvir por aí que nem todos deveriam ter acesso a informação dessa forma. Hoje temos a internet — na verdade, há algumas décadas — e ainda escutamos que o conhecimento não é para todos.

O conhecimento não é pra todos?

Como isso me incomoda!

Gostaria de propôr um exercício a quem não conseguiu visualizar: Já pensou se as federais parassem de entregar diplomas e começassem a dar aula a todos que se interessassem? Iria superlotar? Acredito que não. A maioria desertaria o curso pois sem diploma, nada feito. E aí teríamos um outro fenômeno acontecendo: Alunos interessados no aprendizado real, professores assustados com o respeito e reconhecimento que há muito tempo não vêem e a talvez teríamos a democratização do conhecimento que nunca ocorreu.

Sei que mesmo depois dessa catarse ainda me perguntaram por aí se quero entrar na faculdade. E prometo não mentir: Eu queria! Mas em nenhum curso. Queria fazer Psicologia da Aprendizagem, Algumas matérias de pedagogia, metodologias de desenvolvimento de software, um punhado de comunicação, processos criativos do Desenho Industrial, Desenho técnico da Arquitetura e não pararia tão cedo. História, Antropologia, Medicina…

Esse é o novo profissional pós-revolução digital. Existem previsões que indicam que um estudante que está no ensino médio hoje terá que trocar de profissão cinco vezes. A multidisciplinaridade que é tão cobrada e tão importante não é praticada no ensino atual.

O mercado não comporta mais o método aprender para depois fazer. Devemos fazer enquanto aprendemos e aprender enquanto fazemos.

Descobri recentemente o valor da educação e porque os professores ainda tem força para entrar numa sala de aula. Deixo aqui meu profundo agradecimento pelos profissionais da educação que se jogaram no caldeirão do ensino brasileiro e que levantam cedo durante a semana para tentar engrossar essa sopa.

Pronto, quando me perguntarem porque não faço faculdade já tenho um link para mandar.