

Acompanhantes de luxo ganham 100 dólares por uma masturbação. As empreendedoras como eu? Ganhamos 5.000 dólares por noite. Bem-vindos à nova economia da mais antiga profissão.
Por Svetlana Z
Fotografias de Svetlana por Pascal Perich




O filho dele não conseguiu entrar na Universidade de Dartmouth e isso o deixa triste, porque ele ama seu filho e sabe o quanto o garoto se cobra. Eu compreendo.
A esposa não o deixa comer sua taça de sorvete de menta com gotas de chocolate à noite, e reclama que ele passa as tardes de domingo assistindo golfe na televisão. Eu faço uma careta.
Seu médico diz que ele precisa de mais vitamina D, e que talvez deveria pensar em tomar antidepressivos, mas ele tem certeza que iria se sentir melhor se ao menos encontrasse algo significativo para fazer na sua vida. Faço um barulhinho — tsk! – e arregalo meus olhos. Estou prestes a chorar.
Digo que ele é fofo por se preocupar tanto com seu filho. Digo que se estivesse com ele, eu o deixaria comer quanto sorvete quisesse, e que as tardes de domingo estariam reservadas para assistir golfe. Por que não fazer o que te deixa feliz? Então, digo a ele que não entendo sobre vitamina D ou antidepressivos (é a coisa mais sincera que eu digo naquela semana), mas que ele parece muito saudável e, ao dizer isso, toco suavemente a sua perna e baixo minha cabeça de tal modo uma parte dos meus olhos permanece oculta. Treinei no espelho. Dou um sorriso sem mostrar os dentes — também treinei isso — e espero para que ele venha até mim. Mas ele ainda não está pronto, ele quer me contar sobre como acertou uma rebatida tripla no jogo de softball do seu time, na semana passada, e o quanto aquilo foi “mágico”, e como ele queria se sentir bem como daquela vez o tempo todo.
Já tive homens como ele outras vezes. Eles são queridos, mas também podem ser complicados. Não sei o que é uma rebatida tripla, e não faço ideia do que isso tem a ver com magia, mas sei que estamos falando há 15 minutos. Sei que é importante que ele se sinta como se tivéssemos o dia todo, como se tivéssemos todo o tempo do mundo. O tempo não pode existir para nós dois. Mas sei exatamente quanto tempo temos. Eu tiro meus sapatos (Louboutins simples, na cor bege, de 600 dólares, que comprei em liquidação por 250) os quais usei especialmente para ele, porque me disse que “não era um cara extravagante.”(Se ele fosse um cara extravagante, usaria meus Louboutins pretos.)
Ele continua falando sobre rebatidas triplas, magia e o sentido disso tudo. Temos 35 minutos. É bastante tempo, mas não quero correr nenhum risco desnecessário. No meu trabalho, minimizar riscos é fundamental. Eu me aproximo e digo a ele que tenho uma ideia que fará com que ele se sinta bem. Digo que também fará com que eu me sinta bem. Digo que venho pensado nisso desde que ele me mandou uma mensagem de texto há dois dias. Eu suavemente arranho sua perna com minhas recém-pintadas unhas vermelhas (com qualquer outra cor, corre-se um risco). Molho meus lábios, mostro os dentes apenas um pouquinho. Ele é tímido, mas é homem. Ele para de falar.
A parte complicada do meu trabalho terminou. Agora é hora do sexo.




Cheguei em Nova York vindo de Chelyabinsk, uma cidade bem no meio da Rússia, com 19 anos e 300 dólares no bolso. Fiz 24 anos em março e consegui poupar 200 mil dólares, trepando por dinheiro. Viajei para Marrocos, Paris, Pequim e Mônaco. Os homens já me trouxeram chá de Londres, chocolates da Suíça, lingerie da França e sapatos da Itália. Comprei uma pequena casa para os meus pais. (Disse a eles que eu tinha um namorado americano rico que cuidava de mim.)
Eu não odeio os homens. Não sou vítima de tráfico infantil. Nunca fui estuprada, drogada e nunca fiz pornô. Não sou viciada em drogas. Nunca tive um cafetão. Não sofro do que minhas amigas americanas chamam de “problemas com o papai” e o que a minha psicóloga chama de “identidade malformada causada por abandono na primeira infância.” Meu pai teve amantes. Não culpo os meus pais pelo meu trabalho ou pela minha vida. Outras crianças tem outros problemas. Meus pais tiveram problemas quando eram crianças. Minha terapeuta me ajudou a enxergar isso.

Eu sou uma mulher de negócios. Fiz o que os políticos deste país estão sempre incentivando os imigrantes a fazer. Trabalhar duro, aproveitar oportunidades, maximizar seus talentos e se ajustar e adaptar à nova economia do mundo.
Não trabalho como acompanhante há mais de um ano. Não pelo trabalho ser ilegal, embora isso tenha que ser considerado. E não porque às vezes é preciso lidar com idiotas, embora isso também tenha que ser considerado.
Saí porque quero estudar Cinema e Psicologia, e agora posso pagar. Saí porque gostaria de, no futuro, me casar e ter um filho, e quanto mais eu trabalhava de acompanhante, mais difícil isso se tornava. Desde que saí da profissão, minha vida tem sido um tanto complicada, e vou falar mais sobre isso. Mas antes, vou falar sobre como entrei nesse negócio, e como foi minha experiência.




Eu cresci na Rússia central. Quando era mais nova, queria ser guia de turismo e conhecer o mundo. Então, um dia um ônibus de excursão veio a nossa cidade. Era pequeno, fedorento e não tinha ar condicionado. A guia tinha o cabelo encrespado e manchas de suor debaixo dos braços. Achei que as guias de turismo nos Estados Unidos estivessem em melhor situação.
Eu tinha o telefone de uma russa que disse que me hospedaria. Quando desembarquei no JFK, ela me mandou pegar o trem até Brighton Beach, no Brooklyn. Eu conhecia o lugar porque, nos filmes russos, é onde se vai para comprar salmão defumado, caviar e roupas bonitas, e onde só as pessoas de sucesso podem ir. Me senti sortuda.
Quando saí da estação de trem, vi toda aquela gente feia, em cadeiras de roda, gente velha, e as ruas tinham um cheiro ruim, e as pessoas usavam roupas piores que aquelas usadas na União Soviética, e a estação de trem era barulhenta, e eu pensei: “Que merda, essa não é a América que eu ouvi falar”.
Passei quatro dias naquele lugar, até que encontrei uma garota que disse que eu poderia morar com ela em Manhattan. Quando cheguei lá e olhei ao meu redor, entendi o frisson. Entendi por que todo mundo queria vir para cá.
Eu me candidatei a vagas em restaurantes e clínicas, mas ninguém queria me contratar. Vi um anúncio oferecendo trabalho a dançarinas e liguei. Fui apanhada por um caminhão, cheio de garotas. Havia vários bêbados na boate tentando tocar em diversas partes do meu corpo. Ganhei 300 dólares e decidi que nunca mais faria aquilo de novo. Respondi a outro anúncio, dessa vez, para trabalhar em um café turco. O dono disse: “Você não precisa trabalhar. Se você deixar eu te comer, eu te pago.” Não, obrigado, eu disse. Na realidade, foi algo mais perto de “Vá se foder, seu babaca.” Eu estava em Nova York há duas semanas, mas meu inglês estava melhorando.
Então, eu vi um anúncio sobre massagens. Não era necessário experiência, e eu poderia ganhar até 500 dólares por dia.
Fiquei em um quarto com outra garota e, quando um cara entrou e se despiu, fiz o mesmo que ela: massageei suas costas e suas pernas. Depois de 30 minutos, a outra garota tirou a roupa, e eu percebi, “Ah, é por isso que estão me pagando 100 dólares a hora.” Então, eu também me despi, e nós duas o masturbamos.
Comecei a trabalhar cinco dias por semana. Depois de dois meses, o pessoal da casa de massagens me disse que eu não poderia mais trabalhar lá. Não sei se foi porque eles ficaram brabos por eu estar atendendo clientes particulares, ou porque simplesmente queriam ter novas garotas.

Eu e a outra menina da casa de massagens resolvemos alugar um apartamento para trabalhar por conta própria. Juntamos as nossas economias e compramos uma mesa de massagem e uma cama, e começamos a anunciar no Backpage.com. Estávamos ganhando 800 dólares por dia cada. A maioria dos caras queria mais do que uma massagem, o que eles chamavam de happy end, e ofereciam mais dinheiro. Não sei o que minha amiga fazia, mas eu sempre recusava.
Um dos meus clientes habituais vinha três vezes por semana para fazer uma massagem, e sempre me dava boas gorjetas, 100 dólares às vezes. Ele perguntou sobre minha vida na Rússia e disse que eu poderia me sentir melhor se falasse com uma psicóloga. Ele me deu o telefone de uma psicóloga que, segundo ouviu dizer, falava russo, e dinheiro extra para pagar pelas sessões durante alguns meses. Ele também me ofereceu 1000 dólares para fazer sexo com ele. Era tentador, mas pensei que se algum dia eu trepasse com alguém por dinheiro, jamais iria me respeitar novamente. Ele disse que gostava de mim do jeito que eu era. Disse que ia me ajudar a voltar a estudar, que ia cuidar de mim, e que eu seria uma ótima psicóloga, porque consigo deixar as pessoas à vontade.
Assim, quando ele me convidou para ir ao Plaza Hotel em uma certa noite, eu fui. Ele arranjou uma suite cara com uma linda vista, abriu uma garrafa de champagne cara, e começamos a falar. Conversamos por um tempo e, então, tiramos a roupa e fizemos sexo. Ele me deu um envelope com 1000 dólares, mas disse que não era pagamento: era só porque ele gostava muito de mim.
Ele teve que sair na manhã seguinte para uma viagem de negócios a Chicago, mas eu fiquei na suite e chamei o serviço de quarto — suco de laranja, um omelete grande e macio com cogumelos e uma bela torrada com pequenas porções de manteiga no formato de conchas. Eu estava tão feliz. Me sentia como Vivian em Uma Linda Mulher.
Ele não me ligou quando voltou de Chicago. Eu liguei para ele, mas ele não atendeu. Então, liguei para o trabalho dele. A secretária me disse que ele “não estava disponível”. Disse que ele jamais estaria disponível. Naquele dia, eu acordei para a realidade.




Os clientes me conheciam por Angelina ou Anna. Angelina era “doce, inteligente, divertida e brincalhona…. uma mulher dedicada a buscar o prazer, para quem desfrutar a vida é assunto sério.”
Anna era mais tímida, uma “acompanhante europeia que adora viagens de luxo… muitas vezes ardente, por vezes hilariante, e quase sempre difícil de esquecer.”
Angelina custava 800 dólares a hora, 4000 a noite; Anna cobrava 900 e 5000, respectivamente. De acordo com o ranking do The Erotic Review (TER), o Yelp do mundo do sexo comercial, ambas estavam no 1% das acompanhantes com maiores notas.
Mas há várias garotas jovens e bonitas no meu ramo. O que me fez chegar ao topo — e o que me manteve lá — foi minha ética profissional e minha atenção aos detalhes. Tive sucesso porque aprendi lições difíceis e valiosas sobre como vencer no mercado do sexo por dinheiro.
Aqui estão algumas delas:
Lição 1: Para ganhar dinheiro, gaste dinheiro.
Paguei uma pessoa para fazer o meu anúncio. Paguei 1500 dólares para fotógrafos profissionais tirarem fotos minhas. Considerei esses gastos investimentos pessoais.
Para colocar um anúncio no melhor site de acompanhantes, Eros.com, é preciso desembolsar 400 dólares. É o site que cobra mais caro e o que atrai as acompanhantes mais sérias e os clientes que estão dispostos a passar por um processo de seleção. O Backpage é mais acessível e tem caras mais pão-duros, assim como caras assustadores e bizarros. Nem vale a pena citar o Craigslist. É lá que as pessoas são assassinadas.
Eu gastava 50 dólares por dia no Eros para aparecer na seção “Novidades”, e descobri que para causar um impacto, era necessário aparecer como “nova” por pelo menos 20 dias do mês. Gastei 500 por semana para aparecer como “destaque”. Ou seja, somente aí, são quase 4 mil mensais. As garotas que gastavam apenas o básico de 400 dólares mensais recebiam somente um email a cada duas semanas. Ficavam em casa, chupando o dedo.
E também há o aluguel, porque você precisa de um apartamento separado para fazer o trabalho e porque não pode se preocupar com roommates, e isso sai por pelo menos 3 mil dólares em Manhattan. Claro, dá para alugar um local mais barato no Bronx ou no Queens, mas você acha que os caras que tem dinheiro vão querer ir até lá para ver você?
Nos meus primeiros anúncios, usei muito pouco texto. Qual a necessidade?Agora, descobri que os caras querem conhecer as mulheres com quem estão trepando. É algo que me surpeendeu, mas vários deles — a maioria — quer mesmo sentir uma forma de ligação. Ler sobre o riso fácil de Angelina e sobre o gosto de Anna por viagens de luxo os deixava mais à vontade. E quando eles se sentem mais à vontade, eles ligam. Sempre me perguntei por que a Playboy fazia aquelas pequenas entrevistas que acompanhavam as fotos das garotas. Agora eu sei. Os caras que se masturbam querem sentir como se conhecessem a garota

Lição 2: Faça os estereótipos funcionarem para você
Anna e Angelina eram exóticas e pareciam vagamente estrangeiras, sem ter uma nacionalidade específica.
Os homens aqui — principalmente os americanos — têm certas ideias sobre certas nacionalidades. Se você é sul-americana, é selvagem, divertida e adora trepar. Se é oriental, é má! É louca, vai topar qualquer coisa, e vai querer mais! Os americanos acham as russas gostosas, mas também frias e malvadas. Alguns tiveram experiências não muito boas com russas interesseiras. As americanas são vistas como mulheres centradas, em ótima forma, e também como liberais e divertidas. Às vezes, usam rabos de cavalo bonitinhos e dão largos sorrisos, mas os caras também acham que são um pouco egoístas e reclamonas.
Quando aprendi isso, decidi que Angelina e Anna seriam lindas e misteriosas, cosmopolitas, mas que ninguém iria descobrir de qual parte do mundo eram pelos seus nomes. Elas não dariam nenhum motivo para um cliente descartá-las com base em estereótipos. É uma solução inteligente para os negócios.
Lição 3: O preço é justo
Nos dias de hoje, os caras podem comer atrizes pornô por 2 mil dólares — e elas anunciam nos mesmos sites que eu. Eles podem até contratar “namoradinhas” por 4 mil dólares mensais. Há até mesmo “férias do sexo” por 2 mil dólares, com comida e hospedagem incluídas além do sexo. Logo, se você quer ganhar dinheiro como acompanhante, é melhor oferecer algo especial. Eu atendia casais. Oferecia brinquedinhos, role-playing e BDSM.(Eu não fazia anal e nem sabia o que era, até que um dos meus clientes me perguntou e depois explicou. No início, achei que ele estava brincando, e acho que o deixei um pouco magoado quando comecei a rir. Se algum dia eu fizesse anal, cobraria no mínimo 1.500, principalmente porque aprendi que os caras acham que é algo muito tabu e têm muita vergonha ao pedir, achando que a maioria das garotas não irá gostar). Em geral, eu oferecia compreensão. A verdade é que, mesmo para os caras que pagavam por três ou quatro horas, o sexo normalmente durava cerca de 15 minutos. O que eles estão comprando é a compreensão.
As brancas são as que podem cobrar mais alto, pelo menos em Nova York. Depois vêm as hispânicas, seguidas pelas orientais (as coreanas e as japoneses costumam cobrar mais que as chinesas), e por fim, as negras. Não sei se é oferta e procura, ou o sei lá o quê, mas um dos meus clientes, um bonito ator de cabelos loiros, disse que eu tinha que aproveitar. Ele me contou que tinha se candidatado para 10 comerciais nos últimos cinco meses, e que não havia conseguido sequer um. Segundo ele, era porque os morenos estavam em alta no mercado, devido ao aumento da população de latinos e do seu poder de compra. (Sempre aprendo dicas de negócios com os meus clientes, mesmo sem o conhecimento deles.) De qualquer forma, eu aproveitei. Eu cobrava um preço alto. O que me impressiona é que algumas americanas cobram só 400 dólares. Não sei se é porque são burras, ou preguiçosas demais para estudar a concorrência, ou se não levam o trabalho a sério. Talvez seja porque elas nunca entraram num ônibus de excursão fedorento e sem ar condicionado.
Lição 4: O número um é o número mais lucrativo
Uma agência de acompanhantes seleciona os seus clientes. Eles organizam a sua agenda. Tomam conta de você. Mas o que eles também tomam é o seu dinheiro. Para as casas de massagem, é metade. Para agências de acompanhantes, é de 30 a 40 por cento.
As garotas que trabalham nas agências não querem ter que administrar o próprio negócio. Para mim, isso é pensar pequeno. Para início de conversa, as agências que anunciam 20 garotas costumam ter duas: uma loira e uma morena. Então é óbvio que elas estão trabalhando demais. Demais mesmo. Se uma agência atende 20 clientes ao dia, cada garota trepa com uns 10 caras — por dia. No final do verão, elas juntam 50 mil, mas tiveram que transar com um monte de caras. Pra mim, isso não vale a pena. Não é rentável.
Eu trabalhei duro, mas no momento em que eu entrei no negócio para ganhar meu sustento, eu trabalhei para mim, não para outra pessoa. São as empreendedoras que ficam ricas.




Eu tenho 1m70, 53 kg, longas pernas, olhos castanhos, lábios carnudos, e um corpo esbelto que tem chamado atenção desde que entrei na puberdade. Essa é a matéria prima. É o meu produto, e cuido bem dele.
Sou vegetariana e tenho um personal trainer. Faço as mãos e os pés pelo menos duas vezes por semana, sempre de vermelho, e sempre me apresentava usando lingerie cara e meias 7/8.
Sempre que eu me encontrava com um cliente, era como uma apresentação. Assim, eu me preparava. Minha maquiagem custava 130 dólares. A tintura para o cabelo era 200; a sombra para os olhos, 50, assim como a base e o batom. Uma boa lingerie custa no mínimo 100 dólares; eu gastava 600. Sem falar nos sapatos.
Na vida real, uma garota se prepara da mesma forma, e o cara a leva para jantar, ou então diz, “Vamos num bar pra ver o jogo e tomar uma cerveja.” Que babaca. Não surpreende tantos caras reclamando que não conseguem comer ninguém.
Os homens com quem eu saía me davam flores, casacos Prada e iPhones. Eles não me levavam pra jantar, ou para ver o jogo num bar. Quando um cara se encontra com uma acompanhante, ele quer ser legal, quer provar que é o melhor. Ele quer ser ótimo.
E então, na vida real, ele pode ser muito estúpido. No último Dia dos Namorados, estava num McDonald’s perto do meu apartamento. O Dia dos Namorados e o Natal nunca são datas importantes no meu negócio, pelo menos para os caras que têm dinheiro. Eu havia ido até lá para beber uma Coca-Cola e porque a Internet era mais rápida do que no meu apartamento. Comprei flores para mim, margaridas e violetas. Havia um casal sentado perto de mim, e a garota disse “Meu Deus, que lindas suas flores!” Eu estava de muito bom humor e disse para o cara, “Talvez seja uma boa hora para dar flores para sua namorada,” e ele disse “Ela está bem assim, não precisa de flores.”
Não sei por que, mas aquilo me deixou tão braba. “Vá se foder!” Eu disse, e saí.

A parte mais importante do meu trabalho começava na porta. Não se deve prestar atenção no envelope. Deve-se fingir que ele nem mesmo existe. Você sorri porque ele é um homem bonito, e há química no ar. Se ele for tímido, você oferece uma taça de vinho. Se ele for super tímido, pergunta se pode fazer uma massagem nele. Não há nada errado com uma massagem, não é?
Às vezes eu dizia “Ai, como você é bonito!”, porque as pessoas gostam de receber elogios, mesmo quando não são sinceros. Elas gostam de acreditar no melhor, porque acreditar no melhor é mais fácil. E os caras que estão pagando 1000 dólares a hora realmente acreditam no melhor! Se ele pode pagar 1000 dólares, ele já se acha legal. Quando um cara tem dinheiro, ele acha que é legal, mais legal que os outros.
Todos eles querem que você goze, e querem que você goze mais de uma vez. O cara de 60 anos que quer que eu goze cinco vezes antes de ele atingir o orgasmo acredita que é porque ele se importa comigo. Mas é porque ele quer provar para ele mesmo que ainda pode fazer uma jovem mulher gozar. (Eu conto mentiras para ganhar a vida, mas as maiores mentiras do mundo são as mentiras que as pessoas contam a si mesmas.) Logo, é claro que eu fingia orgasmo. E aprendi que a melhor maneira de mostrar aos meus clientes que havia tido um orgasmo, a maneira mais convincente e mais fácil, era simplesmente dizer, “Gozei”. Só isso. Nada escandaloso. Não sou uma atriz das melhores, e de qualquer forma, não é preciso ser. Um “Ai, gozei” sempre quebrava o galho. Eles acreditavam. Ficavam cheios de orgulho. A verdade é que, com a maioria das garotas, não há como saber: É como Deus, ou amor: você não vê, mas acredita.
Tão importante quanto dizer e fazer certas coisas, era não dizer a não fazer outras. Eu não perguntava sobre a família do cliente. Não que eu estaria passando dos limites (vocês se surpreenderiam com a quantidade de homens que se gabam dos filhos), mas e se alguém na família tivesse falecido? Isso o deixaria triste. Eu nunca, jamais, quis deixar um cliente triste.
Por esse mesmo motivo, eu evitava falar de coisas que me incomodavam. Na Rússia, temos uma expressão: “Se eu estou com fome e você está cheio, você não vai me entender.” Um bilionário não sabe nada dos meus problemas. É mau negócio. Falar sobre seus problemas poderá fazer com que o cara ajude você uma ou duas vezes, mas vai tornar um potencial cliente fiel, de longa data, em um cliente que nunca mais vai voltar. Os homens vão se queixar para você várias vezes, mas não vão querer ouvir suas reclamações. Posso garantir.
Eu tentava ser interessante. Dizia aos meus clientes que tinha acabado de retornar de Dubai ou do Havaí. Jamais fui nesses lugares, mas aprendi sobre eles pela televisão, e contava histórias sobre sheiks em hotéis de mármore no meio do deserto e as grandes ondas de Oahu. Isso me tornava mais exótica, mais interessante.Os caras gostam de transar com mulheres de rostos bonitos e corpos esbeltos, mas também gostam de transar com mulheres interessantes.
Eu não como muito. Uma vez por dia, eu pedia um arroz frito com legumes de um local perto da esquina de onde moro porque era rápido: cinco minutos para cozinhar, cinco minutos para entregar, cinco minutos para comer. Se eu fosse gastar duas horas em um restaurante, seriam 1600 dólares que eu não iria depositar na minha conta bancária. Como mais devagar hoje em dia, mas ainda não como muito.
Se um cara queria me levar para jantar, eu pedia uma salada e um suco. Nada de alho, nada de cebola e nada de café. Nada que tenha cheiro forte. Mesmo que ele não se importe, outros homens irão se importar. Eu raramente bebo, e não uso drogas. Pagamento adiantado. Camisinha, é claro. Não discuto preço pelo telefone.
Eu estava disponível 12 horas por dia, do meio-dia a meia-noite. Eu sempre fui solicita e sempre fui simpática, mesmo quando o cliente era grosseiro. Uma ou duas resenhas ruins podem prejudicar os negócios.
Gostava de marcar com dois ou três dias de antecedência. Se um cara mandava um e-mail dizendo “E aí, tudo bem? Está disponível pra mais tarde?” eu não o atendia. É melhor ter dois ótimos clientes, fiéis, do que 10 clientes ocasionais. É o chamado “Princípio 80–20” Li sobre isso num livro de administração.
Eu viajava com os clientes. Queria que eles soubessem que eu era especial, mas não reclamona. Assim, quando dizia que queria voar na primeira classe, eu não dizia “Você tem que me tratar direito!” Eu diria “Eu tenho pernas muito compridas e quando vou na classe econômica, fico com câibras e perco minha flexibilidade. Aí, de cachorrinho não é tão gostoso…” Isso dava um jeito.
Apesar de eu querer ser diretora de filmes ou psicóloga, também estudo administração. Eu precisei. Uma das lições mais importantes que li foi a aprender com os próprios erros.
Meu maior erro quando estava começando era dizer que não tinha namorado quando o cara perguntava – o que era verdade. Então, quando ele perguntava por que não, eu dizia “Porque ele não me comia direito.” Eu dizia isso porque achava que deixaria os homens excitados. Mas o que acontecia era que o cara tentava trepar com tanta força. Muito forte! Dava para ver que não era natural para eles, era horrível. Depois disso, sempre que um cara me perguntava porque eu não tinha namorado, eu franzia a testa e dizia, “Eu tinha, mas ele era judeu e eu não queria me converter, porque meus pais iam ficar arrasados,” e ele olhava para mim, segurava a minha mão e dizia “Coitadinha, entendo perfeitamente.” e todos eram queridos e gentis. Mesmo os judeus.




Noventa por cento dos meus clientes eram casados, e a maioria era banqueiros. Se você encontrar um banqueiro de investimentos que diz nunca ter usado os serviços de uma acompanhante, terá encontrado um santo ou, o que é mais provável, um mentiroso.
Aproximadamente um terço dos caras gostava de assistir enquanto eu me masturbava. Diria que 98% queria fazer sexo oral em mim. Cinquenta por cento falavam que tinham pau grande. Os que me incomodavam eram aqueles que realmente tinham paus enormes (aproximadamente um quinto dos caras que diziam ter). Nenhuma mulher quer encarar um daqueles. Oitenta por cento perguntavam se eu tinha gozado.
Alguns queriam me levar para fazer compras, outros, para jantar. Houve um que apenas ficou sentado, olhando para mim como se eu fosse uma estátua. Perguntei se ele não queria fazer outra coisa, se divertir um pouco, e ele apenas me pediu para ficar em silêncio. Outro cara trepou comigo durante uma hora e ficou fazendo barulhos de trem: “Uuuh, uuuh, uuuh.”Enfiei o dedo no rabo dele, para ver se ele gozava mais rápido, mas não funcionou. Finalmente, fiquei deitada lá e nem mesmo fingi estar gostando. Parar de fingir é algo raro pra mim. Mas, por favor, uuuh, uuuh, uuuh? Era irritante demais.
Os homens são todos iguais, mas também são todos diferentes. Um cara me pagava 20 mil por mês, e eu tinha que estar disponível para ele por dois dias inteiros e em todas as noites da semana. Ele tinha 62 anos, era divorciado e um cara muito legal. Gostaria de ter tido outros clientes como ele. Às vezes íamos ao cinema ou a jantares. Às vezes, transávamos. Ele tinha câncer, disse que me amava e que queria se casar comigo. Não sei quanto dinheiro ele tinha. Não queria me casar com ele para depois descobrir que ele estava endividado. E não me sentia à vontade para perguntar quanto ele iria deixar para mim. Pode parecer estranho, mas não me parece adequado fazer esse tipo de pergunta. Além do mais, não queria que ele se sentisse mal. Por questões profissionais, e porque eu gostava dele.
Ele disse que frequentava quatro ou cinco acompanhantes por semana, mas que parou depois de me conhecer, porque me amava, segundo ele. Eu precisava ser sincera. Então, eu disse “Gosto de você, mas não te amo. Não consigo me apaixonar por alguém em poucos meses” Ele disse que estava tudo bem, que eu era jovem e que iria aprender.
Tive outro cliente na faixa dos 60 anos, de Illinois. Ele queria que eu me mudasse com ele para lá. “Não,” eu disse, “Acho melhor não.” Não vim lá da Rússia para os EUA só pra morar na merda do Illinois! Não falei isso para ele, mas foi o que pensei. Ele disse que veio a Nova York para encontrar uma esposa, porque Nova York era a melhor cidade, e as acompanhantes de Nova York eram as melhores. Ele disse que todas gostam muito de trepar. Todas gostam de agradar. Eu estava de mau humor, e disse, “Nós gostamos de agradar porque vocês pagam!” Paramos de nos ver depois daquilo.
Teve um cara que filmou enquanto fazíamos sexo. Quando percebi, peguei o telefone dele, apaguei o vídeo e disse a ele para dar o fora do meu apartamento. Outro cara queria fazer sexo de graça, ou disse que iria chamar a polícia. Eu disse que iria colocar seu telefone no Backpage.com, dizendo que ele era um acompanhante gay. Se você topar com babacas, tem que saber lidar com eles.

Os jovens são ruins. Os virgens são terríveis. Jovens virgens são um pesadelo. Atendi um cliente que até os 25 anos só tinha assistido pornô e se masturbado. Então, ele só dizia “Fique nessa posição, faça essa posição, vire de costas, vire de lado.” Acho que ele nem sabia como falar com uma mulher. Senti pena dele. Mas tentei ser legal.
Os clientes são classificados em quatro categorias. Há os caras que pagam por companhia. Há os que acham que estão comprando um relacionamento. Há os que pensam que mandam em você. E finalmente, há os casais. O primeiro grupo é o mais simples de todos. O segundo, embora considerem-se pessoas afáveis, pode exigir bem mais de você. Os caras do terceiro grupo eram a maior dor de cabeça. Teve um que exigiu para que eu o deixasse me cobrir de mel antes de transar comigo. Eu disse não. Ele disse que pagaria o dobro, e eu disse não. Ele disse que pagaria o triplo, e eu disse “OK”. Durante o tempo todo, fiquei pensando em lavar meus lençóis, e em mais duas horas e meia arrumando o cabelo e a maquiagem. Foi quando decidi que, se alguma vez ele pedisse mel novamente, eu cobraria o quádruplo. No mínimo.
Meu cliente favorito era o quarto tipo — o cara que me convidava para fazer sexo a três com sua esposa ou namorada.
Uma coisa ótima em atender casais: com um casal, você entra e vê uma mesa repleta de vinhos de qualidade e uma grande variedade de queijos e frutas, como se fosse uma celebração. Se for só um cara, é um copo d’água e um envelope na estante.
Também havia mais emoções positivas — aliás, havia mais emoções e ponto final. Quando é um cara só, a sensação que se tem é que ele quer aproveitar ao máximo, para ter certeza de que não está desperdiçando dinheiro. Quando é uma garota, você pode relaxar e conversar. Pode comer uma fruta.
Normalmente, o sexo a três levava em torno de duas a três horas. Os casais sempre eram tímidos, mesmo quando já haviam feito sexo a três antes. (Eu nunca fui a primeira dos casais que atendi, não sei por quê.) Eu tinha que dar o primeiro passo. “Quero conhecer vocês melhor,” eu dizia, ou então, “Quero beijar você” Mesmo em meio às emoções e a conversa, eu sabia que eles não estavam me pagando para falar.
Primeiro, eu ia na garota. Então, o cara ficaria parado sem saber o que fazer, e eu o convidaria para nos beijar. De repente, estaríamos os três nus, na cama, eu e a garota estaríamos nos divertindo, enquanto o cara estaria na dele. Sinceramente, eu me esquecia do cara. A namorada com certeza também se esquecia dele. Posso garantir.
E então, depois de 30 minutos, ela lembrava que tinha um namorado, e que ele poderia estar se sentindo só. Normalmente, nesse momento, ela o chuparia. Em noventa por cento das vezes, numa transa a três, eu não fazia muita coisa com o cara. Parte disso era porque eu me divertia demais com a namorada, mas o principal era porque seria ruim para os negócios. Não queria que as garotas ficassem com ciúmes.
Eu adorava atender casais, mas cobrava mais do que o dobro. Eu ganhava 2 mil dólares por hora, e as sessões levavam pelo menos duas horas. Não cobrava mais porque o trabalho era mais difícil — obviamente não era — mas porque eu podia cobrar mais. Isso que é legal no capitalismo.




Foi difícil parar. Minha psicóloga disse que a melhor maneira de sair desse negócio era me imaginar fazendo isso para o resto da vida. Normalmente, as garotas pensam em trabalhar mais uma semana, economizar mais alguns milhares de dólares. Ou mais um mês, ou mais uma viagem para Las Vegas. E então, mais um ano se passou. Eu via garotas no The Erotic Review com seiscentas resenhas. Isso é 10 anos, no mínimo. Não queria ser como uma delas.
Algumas das minhas amigas saíram da profissão, mas não conseguiram sair totalmente. Uma arrumou um emprego em Wall Street. Ganha 6000 dólares por mês. Eu costumava ganhar isso em um dia, assim como ela. Ela é acompanhante de meio turno. É difícil abrir mão do dinheiro.
Outra amiga minha conseguiu um emprego em uma agência de publicidade. As pessoas são legais, os benefícios são bons e o trabalho é interessante. Mas ela começou ganhando 80 mil por ano. Ela sabia que poderia ganhar o mesmo trabalhando dois meses como acompanhante. Assim, ela resolveu atender só clientes ocasionais, apenas para “complementar” a renda. Agora, ela praticamente tem dois empregos de tempo integral. Está ganhando dinheiro, mas está um caco.
Não sei se eu recomendaria ser acompanhante. Sei que há perigos. Ser presa é só um deles. Leio sobre serial killers. Tráfico infantil. Cafetões violentos. Acho que essa gente tinha que passar o resto da vida na cadeia. Mas nunca me senti próxima desses problemas. Acho que é porque eu sempre tratei esse trabalho como um negócio. Minha psicóloga diz que eu tive sorte.
Sinto falta de certas coisas, não só do dinheiro. Eu gostava de estar o tempo todo bem vestida, de usar maquiagem. Agora, não tenho mais motivo nem para passar esmalte nas unhas. Sinto falta disso. Tenho usado jeans e camiseta todos os dias nas últimas semanas, e eu mesmo faço a mão e o pé. Às vezes, fico um pouco triste com isso.
Tive um namorado depois de abandonar a profissão. Eu o conheci em um bar agradável, ele era só alguns anos mais velho que eu, muito educado, e era banqueiro. Quando eu o conheci, ele disse que costumava fazer viagens para Las Vegas em um jatinho particular, o tempo todo. Eu acreditei nele. Mas quando saíamos, era sempre o mesmo papo:”Vamos tomar uns drinks, não quer ir lá em casa depois?”

Desde então, tenho ido a encontros. Uso a internet, e todo mundo — homens e mulheres — coloca anúncios no Match, no OkCupid, ou coisa do tipo, falando sobre as pessoas espetaculares que são, o quanto gostam de longas caminhadas pela praia, e que estão em busca de diversão, amor, ou sei lá o quê.
Ir a encontros é estranho. Meus clientes eram mais velhos que os caras com quem estou saindo agora, que não têm tanta grana assim. Quando os clientes gostam de você, eles te paparicam muito bem. Os namorados não dão muita importância. Eles têm jantares com colegas de trabalho, esportes para assistir com os amigos.
Antes de trabalhar como acompanhante, eu nunca fazia boquete nos meus namorados. Se eles me pediam, eu dizia “Isso é brincadeira?” Ou, se eles pediam para “Mudar de posição”, eu dizia “O que é que você está falando?”
Desde que parei de trabalhar, não tenho feito boquetes, tampouco. Se você está namorando alguém que não viveu intensamente e começar a chupá-lo e a fazer posições diferentes, poderá acabar. Não quero mimar ninguém tanto assim.
Se não estão lhe pagando, você não precisa chupar, não precisa sorrir o tempo todo. Você pode ser você mesma. Mas depois de um tempo, a sensação é de que está faltando algo. Esse algo é o dinheiro. Você está sentada no mesmo apartamento, é a mesma pessoa de sempre, mas falta algo. Sua carteira está vazia. Sexo é sexo, mas dinheiro é dinheiro.
Não me arrependo do que fiz com o meu corpo ou com a minha vida. Tive alguns bons momentos, e outros não muito bons. Conheci pessoas interessantes e alguns idiotas. Aprendi muito sobre o que homens e mulheres desejam, e o que necessitam.
Não como mais cafés-da-manhã de 100 dólares. Não dou mais boquetes sorrindo. Parei de sair com algumas das minhas amigas acompanhantes. Sinto falta delas, mas tenho que colocar na balança: OK, de um lado, amizade com putas, do outro, uma família e o meu futuro. Assim, eu tomei minha decisão.
Em uma das minhas aulas de Cinema, assistimos O Grande Gatsby. Gatsby sempre queria ser alguém melhor Ele nunca conseguia, mas tentava. As garotas nesse negócio querem tocar um mundo novo ao seu redor. Assim, vão a lojas e restaurantes caros. Você quer ser alguém que nunca foi antes. Se você é uma garota bonita, que tem sonhos, e que talvez seja de uma cidade pequena onde os homens lhe tratam de maneira diferente porque é mais bonita que as outras, vai achar que isso irá lhe ajudar a ser alguém melhor. Então, você tenta.
Ajuda a ter dinheiro, isso com certeza. Mas depois disso, você terá que descobrir esse mundo por sua própria conta.
Svetlana Z é uma ex-acompanhante de 24 anos que mora em Nova York.
Esta história contou com a edição de Bobbie Johnson, checagem dos fatos de Emily Loftis, e copy desk de Lawrence Levi. Fotos de Pascal Perich para Matter.
