Somos Todos DJs Agora
Cuepoint é o lugar onde a música começa
No curso de uma boa conversa, quando o ânimo está bom, eu gosto de jogar o jogo música aficionado com meus amigos. Eu pergunto: se você pudesse se transportar de volta ao tempo para um certo momento musical mágico — qualquer momento, qualquer época, qual seria?
A resposta pode envolver assistir a um show lendário ou mesclar com uma cena musical icônica durante sua época áurea ou sentar em um estúdio, com um grupo influente que você sempre amou (lembre-se, o jogo envolve pura fantasia).
Essa pergunta pode ser excelente para conversar sobre um gênero ou artista, mas, também, para dimensionar a profundidade do conhecimento musical de uma pessoa e da qualidade de seus gostos. Se o amigo responde: “casamento da Britney Spears com Kevin Federline”, eu sei que preciso ser mais seletivo sobre com quem eu passo o meu tempo.
Normalmente, as pessoas escolhem algo fora do seu alcance de idade, um artista ou um movimento que idolatram desde crianças, quando eram muito jovens para experimentar. Por exemplo, um amigo da minha idade é fascinado pela cena musical “Madchester” — Factory Records e Hacienda, os ritmos temperamentais de Joy Division e New Order. Recentemente, ele virou o jogo contra mim, perguntando-me para escolher meu momento musical especial. Foi difícil escolher apenas um.
Pensei em dizer Studio 54, nos anos 70, me imaginando no terraço, uma batida dance tocando na pista de dança, vibes hedonistas no ar e o cavalo branco de Bianca galopando até a pista de dança. Eu poderia ter dito Woodstock ou o Verão do Amor ou um show de Simon & Garfunkel no Central Park, evocando aquele espírito suave de liberdade e expressão. Eu também sou bastante obcecado com a cena barulhenta do centro de Nova York por volta de 1981, em locais como o CBGB e o Mudd Club, quando o rock nervoso e o hip-hop se uniram brevemente e grupos híbridos como o Talking Heads e Blondie inventaram músicas uptempo extremamente satisfatórias.


Eu me decidi por Kraftwerk em 1980, concedendo-me o acesso imaginário ao lendário e misterioso estúdio Kling Klang, observando como eles mexiam com máquinas primitivas, programando batidas de outro mundo e batidas extremamente funk, inventando música eletrônica, hip-hop, house e techno em um grande sintetizado toin. Alguém mais velho do que eu poderia falar com a mesma paixão sobre Bob Dylan ou Miles Davis ou Frank Sinatra ou Duke Ellington.
Tivemos sorte, ao contrário dos jovens hoje em dia. Eu sou velho o suficiente para ter tido a oportunidade de descobrir os meus momentos significativos organicamente, no meu próprio ritmo, um disco (e capa de disco) de cada vez. Comprar um disco era um compromisso — de dinheiro, mas também de tempo, energia e identidade pessoal. Você comprava o álbum, levava para casa, ouvia, digeria, lia os créditos, estudava as ilustrações, levantava a agulha e repetia as músicas que mais amava. Você aprendeu a desenhar o logotipo do artista e o desenhava em seu caderno. Seu único guia confiável eram as rádios locais e lojas de discos. Sem atualizações de status em tempo real, sem sequer MTV, toda a informação disponível estava no próprio álbum, o objeto físico que segurava em suas mãos. Você investiu nessa música e como resultado, a música permaneceu com você.
Isso não chega a descrever a experiência que a maioria dos jovens de hoje tem com seus artistas e músicas favoritos. Depois de ter passado a maior parte da década passada em Las Vegas, imerso na dance music/no cenário DJ que é concentrado lá, eu me tornei uma testemunha de perto do processo de consumo de música pós-moderna. Como a maioria do conteúdo web atualmente, a música agora existe em rajadas curtas que se repetem indefinidamente — um verso que pega ou refrão ou um padrão de bateria ou apenas uma melodia é editada, reproduzida, remixada, re-martelada, picada, alisada ou misturada. Com ferramentas profissionais de produção e distribuição rápida disponível para qualquer pessoa com um computador, tanto a quantidade de música lançada quanto a qualidade sonora foram jogadas pro alto.
Uma boa ideia pode ser copiada tantas vezes que perde o seu poder original e valor. As pessoas adoram uma música por meses sem nem saberem o nome do artista, sem nem possuírem a música, sem terem de investir mais do que alguns cliques, pulando para a seção de 15 segundos que mais gostam no YouTube. Mas, ainda assim, os álbuns se popularizam, carreiras decolam, um hit é sempre o bem mais valioso. Quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas.
Deixe-me esclarecer uma coisa: eu não sou um velho rabugento. Cuepoint não é uma publicação com foco estritamente sobre nostalgia, não é um lugar que vai virar o nariz para o nosso universo musical moderno e tecnológico. Ao contrário, nós abraçamos tanto o novo quanto o clássico indiscutível, buscando artistas de qualidade, músicas e histórias do futuro e do passado.
Entendemos que a música vai evoluir e mudar e nós abraçamos essa evolução; a música sempre foi assim, movendo-se em ciclos intermináveis. Ficar emperrado em uma era ou um som é fechar o livro para a história sem fim que a música proporciona.
A música acalma a besta selvagem, expressa aquilo que não pode ser dito e quando bate, você não sente dor.
Isto será verdadeiro desde que os seres humanos puderem evocar uma música inesquecível. Há muito tempo, eu jurei nunca ser aquele cara mais velho repreendendo crianças tocando a nova música da vez: “Que tipo de barulho é esse? Isso não é música!” Por quê? Porque eu fui esse garoto uma vez. (Na verdade, eu meio que faço isso às vezes).
Há cerca de 30 anos, eu vi o meu primeiro DJ de verdade — do tipo que arranhava discos — e comecei a entender o que era seleção de músicas e talento turntable e agitar uma festa. Minha cidade natal, Filadélfia, era também a casa do DJ Jazzy Jeff e DJ Cash Money, dois mestres incontestáveis e pioneiros da forma de arte. Em seguida, cerca de 25 anos atrás, o conceito de um DJ/produtor — uma pessoa que tanto cria a música quanto toca a música — começou ganhar forma. Tive a sorte de estar no centro da cultura que apoiava esta evolução, conhecida como o hip-hop.




Cerca de 10 anos atrás, eu vi meu amigo Adam “DJ AM” Goldstein em ascensão como um superstar em duas plataformas giratórias. Ele era um liquidificador da cultura pop, um verdadeiro mestre da mistura e, provavelmente, o homem branco mais badalado que eu já tive a honra de conhecer. AM trabalhou incansavelmente atrás dos decks, abraçando o hip-hop, rock clássico, disco, anos 70, anos 80, soul, reggae, pop, eletrônico e qualquer outra coisa que tenha chamado a atenção de seus ouvidos, mostrando uma tremenda habilidade técnica, conhecimento musical e imaginação, surpresas eternas que mantinham a festa em movimento. Seu estilo ficou conhecido como Mashup (também conhecido desajeitadamente como “formato aberto”) e foi amplamente copiado, a ponto de se tornar o modelo em todo os EUA.
Nos últimos cinco anos — enquanto eu observava a onda de jovens DJs e produtores em ascensão à proeminência e o fenômeno “EDM” apoderar-se dos EUA — eu acabei me dando conta de que esses artistas contemporâneos chegaram ao modelo de negócio ideal para a indústria da música moderna. Essencialmente, um cara com um laptop cria a música, distribui a música e executa a música, substituindo ônibus lotados inteiros de apoio para turnês e andares inteiros de uma gravadora tradicional. Estes exércitos musicais de um homem só atraem fãs pelas dezenas de milhares e recebem pagamentos gigantes (confira a Forbes). Eles estão prosperando em um cenário de negócios desconexo. Mas, além do dinheiro, os DJs preencheram um papel criativo essencial — o processamento de todos os dados de música mais rápido do que qualquer outra pessoa, confirmando seus lugares, por mérito, como formadores de opinião e selecionadores de música para o público da música moderna.






Nem todo mundo frequenta casas noturnas ou festivais de música, mas a experiência de consumo nestes locais está causando murmúrios em todo o mundo da música, especialmente online. Há uma lição para todos nós na prosperidade dos DJs, um novo paradigma que todos nós podemos levar para casa. Com plataformas de streaming substituindo as estações de rádio, com a MTV não mais reproduzindo vídeos de música, nós estamos literalmente deixados a nossa própria sorte para descobrir e consumir música.
O ato de sentar-se passivamente e tendo música programada para nós (como uma estação de rádio tradicional faz) foi substituído por uma experiência ativa personalizada — uma seleção gigantesca de músicas e um cursor piscando aguardando suas instruções. O que você está a fim de ouvir? Por onde você começa? Não há nenhuma restrição de gênero ou formato ou tempo ou era, cabe a nós. A nossa playlist é nossa decisão agora, totalmente em nossas mãos. É uma oportunidade para todos nós para ouvirmos, para aprendermos, para os nossos gostos musicais evoluírem. Agora, somos todos DJs.


Então, por que Cuepoint e por que agora?
Cuepoint é um ponto de partida de uma música, um termo usado por DJs e produtores e pessoas criativas em estúdios para marcar o tempo musical. É o ponto onde a música começa. A meu ver, Cuepoint pode ser o ponto de partida para a leitura, a escrita e o aprendizado sobre música. Ele descreve o ponto de vista de uma pessoa sobre uma música ou um artista ou um gênero.
A tecnologia muda, sons evoluem, mas o estímulo poderoso que a música proporciona sempre terá um poder sobre a humanidade — a liberação de endorfina é real. Existe um apego essencial, emocional que temos com a nossa música que leva a arte para a frente e abastece nosso ardor. Os prazeres fornecidos por uma música que amamos — a alegria libertária de música de qualidade — é inigualável na nossa experiência humana.
Parece que o controle que a música tem sob as boas pessoas deste planeta ficou mais forte, mesmo que o processo de criação e descoberta e consumo tenham mudado radicalmente. Depois de ter passado a minha carreira explorando a intersecção da música com a mídia, eu sei que Cuepoint no Medium é o lugar ideal para eu continuar a minha jornada — aqui e agora.
Estou muito feliz e grato por esta oportunidade e — com o apoio de alguns incrivelmente talentosos escritores, editores, designers, engenheiros, artistas, produtores, DJs e visionários — eu pretendo construir um conteúdo permanente nesta plataforma inovadora.
Então, me diga, qual seria o seu momento musical mágico?
Jonathan Shecter
Editor chefe, Cuepoint no Medium
Siga Jonathan Shecter no Twitter @SheckyGreen
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