Supervisor de Advocacia do Diabo ou: Skol, não esqueça dos outros.

Sugestão pras agências pararem de passar vergonha: criar a necessária figura do Supervisor de Advocacia do Diabo. Esse profissional atuaria ao lado dos Diretores de Criação e de Atendimento, indicando caminhos criativos e dizendo, quando necessário, “para com isso, que vai dar merda”.

Munido de conhecimento específicos em interpretação de texto, empatia, um mínimo de noção e rudimentos de correção política e vocabulário de movimentos sociais, ele teria, entre outros, o poder de vetar campanhas que pudessem soar ofensivas.

Um exemplo de campanha que poderia ser salva é essa da Skol.

Via: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203399818310543

Acredito que até seja bem intencionada, no sentido de “urrú, aproveita ziriguidum como se não houvesse amanhã”, mas ela também tem um sentido muito forte de “pode chegar que eu não vou resistir”. E isso é muito, mas muito sério.

Desculpa aí, criativo, mas tirar o “Não” das mulheres é tirar o poder de escolha delas. E vocês sabem o que é sexo sem escolha, né? Pois é: http://lugardemulher.com.br/514-anos-depois-e-a-cultura-do-estupro-continua-viva/

Na apresentação dessa campanha, o SAD poderia dizer “Essa opção não. Vai dar merda. Não importa que vocês não queiram dizer isso: a interpretação de que vocês estão legitimando estupro existe. Então pensa numa maneira diferente aí. Vai mais.”

Publicitário adora dizer “tá difícil fazer propaganda porque não dá pra fazer piada com nada”, mas não se liga que o mundo mudou bastante e não dá mais pra achar que estamos vivendo dentro do Mad Men. Antes, quem se ofendia não tinha voz. Agora, tem. E tá na hora de a gente ouvir.

Então dá pra gente ter um pouco de empatia e fazer propaganda que não seja preconceituosa e ofensiva. É só ser criativo.

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