Mulheres enfrentam violência e preconceito para se tornarem empreendedoras no Pará

Na chegada a Capanema, no Pará, Rita Teixeira desce do carro antes e comunica aos amigos e vizinhos que não está sozinha. Acompanhada da equipe da BrazilFoundation, a fundadora do Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense (MMNEPA) se antecipa em avisar à comunidade que está acompanhada de uma visita do sexo masculino.

Em meio a uma cultura de opressão feminina, o Pará é um dos estados brasileiros mais violentos com mulheres. O que explica a atitude de Rita e o medo das moradoras de Capanema em parecer desrespeitosas com os maridos e sofrerem agressões.

Uma realidade que não fica muito longe de outros estados do Brasil, o quinto país do mundo que mais mata mulheres, segundo o Mapa da Violência 2015. Os dados mostram ainda que a cada 15 segundos no país, uma mulher é vítima de violência.

Rita não tem medo e ainda encoraja outras mulheres a enfrentarem a violência e o preconceito. Em 1993 criou o MMNEPA com programas de formação profissional e economia solidária, para que as mulheres possam conquistar a independência financeira. Além disso, a organização oferece apoio emocional e psicológico em várias comunidades no Pará.

No início, as mulheres participavam de reuniões do MMNEPA escondidas, já que os maridos se sentiam ameaçados pelas ambições das esposas. Elas mantinham o segredo para evitar o aumento de tensão em suas casas. O machismo e o alcoolismo são problemas muito comuns entre os homens da região e a ideia de suas mulheres se tornarem autônomas poderia levar à discussão e violência.

A força feminina do Pará é uma grande inspiração:

Maria Lizete Monteiro integra o MMNEPA há mais de duas décadas e é hoje a principal provedora financeira da sua família. Com a ajuda do grupo de mulheres, ela foi treinada em apicultura, produção de frangos e suínos, e planta uma variedade de legumes e frutas para venda comercial.

Maria Lizete conta com orgulho que a renda do seu trabalho possibilitou a compra de eletrodomésticos, como uma geladeira e um liquidificador - o que ela considera grandes conquistas. Ela diz que não deseja acumular mais riqueza material e que o que mais lhe traz alegria é a oportunidade de compartilhar suas experiências e histórias de trabalho com outras mulheres. Ela tem viajado muito pelo norte do Brasil para transmitir a sua mensagem de mudança e força feminina.

Olinda venceu o preconceito e transformou os negócios da família:

Há mais de 20 anos, Maria Olinda conseguiu transformar os negócios agrícolas da família que antes eram baseados na monocultura. Ela começou a plantar uma grande diversidade de frutas e legumes para tirar maior proveito da terra em todas as estações do ano. Sozinha, ela confrontou muitos céticos dentro e fora da família, e enfrentou forte resistência de gênero.

O reflorestamento de quase 100% da sua área foi o que mais causou polêmica no município de Capanema. Naquela época, a preservação da natureza era completamente desconhecida e havia pouco interesse em investir em projetos de longo prazo.

No entanto, nem mesmo o preconceito a fez mudar de ideia. No início, ela colhia duas safras anualmente. Hoje sua fazenda tem mais de 10 colheitas por ano e conta também com um projeto de preservação ecológica de longo prazo.

Como você pode ajudar a fazer a diferença?

Os direitos das mulheres precisam ser reconhecidos e incentivados.

Vamos juntos fazer a diferença?

Doe para o Fundo de Mulheres da BrazilFoundation!

Texto e fotos: Bernardo Carvalho, fotógrafo e voluntário da BrazilFoundation.