João, o Super Homem Padrão

Brian Dos Santos
Aug 28, 2017 · 3 min read
Este é João! Imagine-o envelhecendo ao decorrer do texto;

João tinha apenas 27.

João acordava todos os dias cedo, trabalhava a semana inteira, não saía de casa antes de tomar seu café e fumar um cigarro.

João pegava o ônibus lotado todos os dias, levava sempre um trocado para comprar um pacote de balas de menta que seu colega Miguel vendia dia sim, dia não — é melhor que você nem queira saber o que Miguel fazia nos dias que não vendia balas.

João era sempre pontual, trabalhava num escritório de advocacia, um assistente impecável que sempre cumpria suas funções.

João era neutro na empresa que trabalhava, ninguém o convidava para as reuniões mais festivas de trabalho, no entanto, ninguém notava ele.

João tinha apenas 33.

Um “apêzinho” que custeou com a ajuda de sua mãe, Dona Clara, amada por todos. Ninguém entendia como o filho puderá ter crescido tão sem-sal, tão João.

João lia bastante, desde contos filosóficos até artigos científicos. Quando terminava seus afazeres domésticos sempre que chegava do trabalho, João assistia episódios picados de uma série que não durou nem uma temporada antes de fracassar. João amava tanto essa série que reprisava todos os dias.

A vida de João era a mesma todos os dias. Domingo era exceção, João passeava com seu melhor amigo (único amigo) Cadu, um vira-lata que ele mesmo adotou de sua mãe que já não tinha mais condições de cuidar.

João tinha apenas 56.

João vivia assim mas nem se importava com o que a sociedade pensava dele, pelo menos era assim que se forçava a pensar todos os dias para não se sentir mal.

João um dia ficou doente, nem da cama saía, sua mãe já falecerá há algum tempo, ninguém o visitou. João afastou todo mundo, ou todo mundo que o afastou?

João pegou sua aposentadoria, passou a viver tranquilo numa casinha isolada no interior, o cheiro das rosas lembrava sua mãe— Mamãe, tenho tanta saudade… — toda noite João dizia.

João um dia pôs-se a pensar sobre sua vida, ato dramático, mudou sua vida, mudou a forma como pensava sobre tudo e todos, depois de todos aqueles anos, João encarou a vida.

João queria amigos, mas dizia que não precisava. João queria alguém pra conversar sobre seus livros favoritos, mas dizia que não precisava. João queria gastar seu dinheiro e tomar um porre ou um bom jantar com alguém especial, mas dizia que não precisava.

João então acordou determinado a recuperar o tempo perdido, a encarar o antissocialismo.

João passou seu cafézinho e não fumou sequer um cigarro.

João chegou na porta e começou a tossir, seu pulmão doía, sua mãos suavam, sua mente acelerou e então João pensou — Cheguei a existir ou a vida me poupou de tentar viver?.

O coração de João parou.

Você vive em prol do quê? Faz tudo que quer ou tem medo de tentar? Talvez preguiça ou comodismo? É feliz como Dona Clara ou vazio como João? Você vive um padrão?.

Brian Dos Santos

Opiniões pessoais com foco em ciência, psicologia, tecnologia e muito mais.

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Brian Dos Santos

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Um carinha cheio de opiniões.

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