Como acelerar a inovação por meio da estratégia de ecossistemas: o caso da IBM

Fabio Farago
Dec 10, 2021 · 3 min read
Fonte da imagem: https://fundacaoibm.com.br/institucional/sobre-a-ibm

A IBM é reconhecida mundialmente há décadas como uma gigante no mercado de tecnologia. Para explicar como ela conseguiu manter sua liderança ao longo do tempo, analistas frequentemente apontam que a empresa tem transitado entre diferentes áreas buscando aquelas mais lucrativas, desde computadores pessoais nos anos 80, migrando recentemente para tecnologias em rápido crescimento como inteligência artificial (IA), serviços de nuvem e segurança. No entanto, um aspecto essencial para compreender como a IBM vem se transformando para introduzir inovações complexas em um amplo portfólio de tecnologias, produtos e serviços, está em sua estratégia de ecossistemas.

Recentemente, a IBM vem colocando em prática uma estratégia de ecossistemas que tem transformado a forma pela qual a empresa interage com seus parceiros. Ela funciona como um motor de crescimento e tem ajudado a colocar a IBM como líder no mercado de IA e computação em nuvem. O objetivo dessa estratégia é transformar a maneira pela qual os parceiros e seus clientes constroem, prestam serviços e vendem com a IBM. É uma nova forma de criar oportunidades conectando atores dentro do ecossistema da IBM. Para ficar mais didático, quebraremos essa estratégia em dois passos:

1. Desenvolvimento de ecossistema

A IBM reconheceu que um elemento central para criar valor para seus clientes era que todo seu ecossistema evoluísse para ter as competências tecnológicas para criar e cocriar produtos e serviços com o ecossistema. Umas das formas que a IBM utilizou para atingir esse objetivo foi por meio da criação de uma plataforma chamada IBM Partner World, com recursos específicos para que os parceiros pudessem aprender, desenvolver, testar POCs (provas de conceito) e escalar a implementação de seus produtos e serviços no mercado. Foi investido US$ 1 bilhão de dólares no ecossistema, visando acelerar a cocriação com parceiros, oferecer incentivos para empresas realizarem provas de conceito, acelerando a co-inovação e o aprimoramento das capacidades do ecossistema.

Um caso de sucesso desse programa foi o da empresa Tata Consultancy Services (TCS), que desenvolveu competências por meio das ferramentas disponibilizadas pela IBM que permitiram modernizar seus aplicativos em ambientes de nuvem híbrida, expandindo seu escopo de atuação para diferentes clientes. A aliança entre a IBM e a TCS resultou na criação de um programa global juntando as competências de ambas para ajudar os clientes a acelerar transformações digitais e cognitivas. Esse é um exemplo de como a IBM utiliza o ecossistema para conectar seus parceiros, clientes e clientes de seus parceiros para criação de valor.

2. Ativação de ecossistema

A partir do momento que os parceiros do ecossistema são conectados e suas competências tecnológicas são aprimoradas, é preciso mobilizar o ecossistema para gerar valor para os clientes. Uma forma que a IBM faz isso é por meio do Cloud Engagement Fund (CEF), um investimento em recursos técnicos para os parceiros ajudarem os seus clientes a migrar para ambientes de nuvem. Isso permite com que os parceiros cocriem e codesenvolvam inovações com a IBM, levando soluções embarcadas da IBM aos clientes de seus parceiros, aumentando assim a presença e centralidade da IBM no ecossistema.

Um exemplo de como a IBM utiliza o ecossistema para criar valor para seus clientes é a parceria com a Siemens. Por meio dessa iniciativa, a Siemens fará uso da tecnologia de nuvem híbrida aberta da IBM, construída no sistema Red Hat OpenShift, para estender a flexibilidade de implantação do MindSphere, a tecnologia de IoT industrial da Siemens. Por meio do ecossistema, a IBM conseguiu conectar a tecnologia da Siemens e da Red Hat para desenvolver a tecnologia para impulsionar mudanças transformadoras para os clientes, os permitindo modernizar, prever, automatizar e proteger seus processos.

Deste modo, a IBM vem transformando a maneira como desenvolve, produz e comercializa seus produtos, serviços e inovações por meio de seus parceiros. Essa estratégia de ecossistema tem sido um mecanismo de crescimento que não apenas mantém a IBM como líder em vários setores, mas constrói seus parceiros em torno de uma proposta de valor focal. A estratégia de ecossistemas da IBM tem como base o fortalecimento de competências tecnológicas que permitam com que seus parceiros cocriem e codesenvolvam com a IBM, levando soluções embarcadas da IBM aos clientes de seus parceiros, mobilizando o ecossistema para criação de valor.

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Uma iniciativa da USP, ISA CTEEP, 100 Open Startups sobre melhores práticas em Gestão de Ecossistemas de Inovação.

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