Dica do dia para um extraterrestre: se seu amigo estiver indisponível, chame o amigo dos seus amigos para o rolê.

Hoje, no Pílulas Hunter: Carlos Velloso com os dois pés no Ministério da Justiça, um exército de Rodrigos Janots nos EUA contra Trump, a guerra de Alexandre de Moraes contra o hacker de Marcela Temer, o Rio de Janeiro prende a respiração e a Lusa tem um Barack Obama para chamar de seu.

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ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO

Vai se consolidando o nome de Carlos Velloso para o Ministério da Justiça, que já fala praticamente como dono do cargo a Andréia Sadi, na GloboNews. Só não está sendo nomeado hoje porque, por um erro de cálculo político, a base de Temer no Senado não conseguiu antecipar a sabatina-favas-contadas de Alexandre de Moraes para hoje. Com isso, remanescendo algum grau de finesse com a coisa republicana, o anúncio oficial só vai acontecer na semana que vem, com a confirmação de Moraes no STF. Além disso, Velloso vem fazendo o dever de casa para escapar do óleo quente que já vitimou alguns cotados e elogiou a Lava Jato à imprensa. Mas até lá, do jeito que a nossa política anda, sempre é possível alguma reviravolta. Se tiver de vir de algum lugar, seria de um dos seguintes flancos:

  • Velloso, em que pese o fato de ser um ex-ministro do Supremo, chega com as bênçãos do PSDB. Aécio Neves é o mais empolgado com a perspectiva de ter o mineiro na pasta da Justiça. Afinal, como lembra providencialmente Lauro Jardim, Velloso é advogado de Aécio em um dos inquéritos que o senador tucano é alvo na Lava Jato.
  • Como recorda Andrei Meirelles nos Divergentes, a Polícia Federal chegou a investigar, durante a Operação Pasárgada, de 2008, “se Carlos Velloso teria usado seu prestígio de ex-ministro do STF para ajudar um alvo da apuração”. Outra: o potencial futuro ministro da Justiça frequentava, no Espírito Santo, festas do então deputado estadual José Carlos Gratz, apontado como umbilicalmente envolvido com o crime organizado capixaba.
Imagem: Marcelo Camargo/O Globo

#coraçãogrande Temer não parece ser de abandonar seus amigos. Antônio Mariz de Oliveira pode vir a ser ministro da Segurança Pública, afirma Lauro Jardim. Tem um concorrente de peso, segundo informações de Simone Iglesias, no Globo: José Mariano Beltrame, ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro.

#teasers Prestes a entrar no STF (embora Renan Calheiros esteja com medo de que algo dê errado), Alexandre de Moraes, segue com seus encontros com senadores, embora agora longe de barcos. Ricardo Brito e Vera Rosa relatam no Estadão que, ontem, em encontro com nove senadores — entre eles Fernando Collor, investigado na Lava Jato -, Moraes gastou seu latim e repetiu a linha do que já dissera dias atrás um de seus futuros best friends no Supremo, Gilmar Mendes: prisões não podem durar ad eternum.

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ANGORÁ É DE CASA

Deu aquilo que se previa no caso Moreira Franco. E as razões de Celso de Mello em seu voto são coerentes do ponto de vista jurídico. Estranho seria, talvez, se Gilmar Mendes tivesse tomado essa decisão depois de impedir a posse de Lula na Casa Civil. De qualquer forma, os casos têm diferenças entre si. Quem faz uma boa e didática comparação entre os argumentos de Mendes e do decano do STF em suas respectivas decisões é o El País. O caso ainda deverá ir para o plenário do Supremo.

#semancol Em tempo, Hélio Schwartsman nos lembra na Folha de algo bem básico, mas com um adendo que às vezes passa esquecido (em especial para os políticos): “É claro que todos são inocentes até prova em contrário, mas daí não decorre que gente sobre a qual paira dúvida deva ser galgada a cargos de grande visibilidade e que ainda têm o poder de influir em questões que podem afetar seus próprios casos”.

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COMBINANDO COM OS RUSSOS

Donald Trump vem evitando ao máximo embates realmente relevantes na área diplomática. Com a neoaliada Rússia, então, o caráter “vespeiro” do regime Putin já ficou provado com a queda do conselheiro Michael Flynn. Mas o rompimento de um tratado de controle de armas pela Rússia, conforme relato do The New York Times, pode forçar Trump a sair do córner. Igor Gielow explica bem a questão na Folha, inclusive trazendo dados técnicos sobre o potencial do míssil proibido desde 1987 e que agora foi testado pela Rússia. Como se não bastasse, o NYT traz outra pancada no casco de Trump: integrantes de sua campanha eleitoral mantiveram contato com espiões russos. Para entender a origem e o desenrolar recente das questões entre Rússia e Estados Unidos, a BBC oferece uma boa cronologia.

#força-tarefa Ótima reportagem de Juliano Basile no Valor Econômico mostra como um exército de “Janots” vem assumindo o papel de verdadeira e efetiva oposição a Donald Trump. Diferentemente do Brasil, lembra a reportagem, “os procuradores-gerais americanos são eleitos e muitos têm passagens prévias pelo Congresso ou pelos Legislativos de seus Estados”.

#rirpranãochorar Uma outra frente poderosa de oposição a Trump são os comediantes, como mostra também boa reportagem de Ana Pais na BBC.

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GUERRA CIBERNÉTICA

Ainda dando bastante peso editorial à questão da censura judicial a reportagem sobre a chantagem de um hacker a Marcela Temer, a Folha de S.Paulo reconstrói o processo de investigação que culminou com a prisão e condenação relâmpago do criminoso. Foram 33 policiais envolvidos na investigação supervisionada por Alexandre de Moraes, número “semelhante ao que atuou na investigação da maior chacina já registrada no Estado, que deixou 17 mortos em Osasco e Barueri, em agosto de 2015”. Outro dado é que o tal áudio que jogaria, segundo o hacker, o nome de Michel Temer “na lama”, tem “paradeiro incerto”, de acordo com o jornal.

#costumes O Globo, também vitimado pela decisão judicial, faz o favor de nos lembrar que o caso da Folha está longe de ser o único caso de censura prévia recente no Brasil democrático. Foram 322 pedidos à Justiça nos últimos cinco anos, com 73 casos deferidos pela Justiça.

#chão Pelo menos não houve censura a esta pesquisa da CNT, que indica aprovação de apenas 10,3% ao governo Temer.

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EM FORMA

A presença das Forças Armadas nas ruas do Rio de Janeiro começou ontem, com direito a imagens que ajudam a mostrar o grau de bizarro da situação, mas reportagem hoje no Estadão, da lavra de Marco Antônio Carvalho e Mariana Durão, mostra como isso tem se tornado comum nos últimos dez anos, para operações de “garantia da lei e da ordem”. Foram mais de 1.300 dias de atividade do Exército nas ruas desde 2008 — ou seja, três anos de Exército nas ruas.

#responsabilidades Elio Gaspari introduz hoje, em sua coluna na Folha e no Globo, o conceito de responsabilidade social, que parece ter faltado aos que investiram apenas na responsabilidade fiscal. “O prometido paraíso fiscal levou o Espírito Santo a viver dias de inferno social”.

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APNEIA

O governo dá os toques finais no projeto que vai criar a lei de recuperação fiscal dos Estados e que já vem sendo chamada de “lei de falências” dos governos estaduais. Ao Valor Econômico, a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, a mesma que implementou o ajuste fiscal do Espírito Santo, avisa que a aprovação no prazo de 30 dias pretendido pelo Rio de Janeiro para sair da forca “depende do Congresso”. Numa frase deveras otimista, “estamos na expectativa de nos unir neste momento para atender processos emergenciais “. No Globo, a situação do Rio fica claro no título de reportagem: “Trinta dias de agonia”. “Sem o socorro financeiro, um novo rombo ameaça agravar ainda mais a situação das contas estaduais. A receita prevista não será suficiente para pagar as despesas dos próximos dias, de pelo menos R$ 3,86 bilhões. Sem falar nas dívidas já acumuladas”, escrevem Carina Bacelar e Luiz Ernesto Magalhães.

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SAIDEIRAS

Nova temporada de John Oliver na HBO estreia hoje no Brasil. Faz falta um cara desses por aqui.

Ser imortal é tudo”, nos avisa Usain Bolt em entrevista ao Globo.

Camarote no sambódromo carioca, só da Itaipava. É a crise chegando forte no carnaval do Rio. (Valor)

A Islândia ensina como fazer com que apenas um em cada 20 adolescentes consumam álcool.

Marcos Sergio Silva conta na Vice como o primeiro presidente negro de um time grande de São Paulo quer ser o Barack Obama da boa e velha Lusa.

Para os viciados no joguinho da minhoca, o tijolinho Nokia 3310 está de volta.


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