Sigam imaginando

Caros leitores de brio,

Desta vez, as notícias não são totalmente felizes. A indiscutivelmente boa é que o BRIO está de volta, depois de uma longa e angustiante pausa de cinco meses. Se você estiver tão ansioso quanto eu e quiser pular logo para o primeiro capítulo da nossa nova reportagem, clique aqui. Mas se você quer entender um pouco mais o que, afinal, está acontecendo com o projeto, continue aqui mais um pouquinho.

A notícia ruim é que BRIO inicia hoje sua contagem regressiva. Ao menos da forma como vocês conhecem o projeto, corremos risco real de pararmos de funcionar ao fim deste ano.

Me refiro à nossa aposta no jornalismo longform. Como jornalista (e empreendedor e entusiasta de inovações), minha opinião e de todo mundo que já passou por aqui é que esse é o modelo mais legal de se trabalhar dentro do jornalismo. Podem perguntar aos autores que já colaboraram com a gente qual a posição que as histórias produzidas para o BRIO ocupam em seus rankings pessoais de satisfação profissional. Para usar uma palavra da moda, buscamos “empoderar” os repórteres. Podem também perguntar para todos os que leram nossas reportagens se eles já tinham lido algo tão bom sobre aquele tema.

A qualidade do que o BRIO faz está perto da unanimidade. Em um ano nunca recebemos uma única crítica, sequer superficial, à lógica do jornalismo que buscamos fazer. Podemos discutir o formato, o tamanho das histórias, o tom adotado em um ou outro texto, a ausência de vídeos e outros elementos multimídia, a inexistência de um site próprio, falhas na comunicação com o público, e por aí vai. Mas a qualidade da essência do que o BRIO faz é reconhecida por quase todos vocês.

Todavia, qualidade não é sinônimo de eficácia financeira. Essa percepção externa de qualidade não tem sido suficiente para garantir uma operação sustentável. Começamos nosso projeto, como já falado outras vezes, com investimento pessoal e com aporte de um investidor-anjo. Seremos sempre muitíssimos gratos ao apoio dado pelo investidor, e entendemos que a falta de perspectiva concreta de retorno ao alto investimento realizado no projeto leva a um natural ceticismo com a capacidade de o modelo longform se tornar financeiramente sustentável (sobre a origem dos problemas, leia aqui).

Na minha última comunicação com vocês, falei de um processo de planejamento para este ano. Mas nossas ideias para geração de receita dentro do longform não prosperaram. Para testá-las, já custaria além do que podemos investir neste momento. O que resta do nosso dinheiro em caixa está carimbado: remuneração dos que trabalham no projeto, pagamento aos autores pelas histórias e gastos administrativos pontuais. Tivemos, inclusive, que fechar no início deste mês o site http://brio.media, com nosso conteúdo ficando integralmente dentro do Medium a partir de agora.

Nesse momento, não temos como assumir mais nenhum novo compromisso.

O que estamos fazendo agora? Estamos finalizando um projeto para um novo produto, ainda com a marca BRIO. Não sabemos ao certo se conseguiremos levar isso à frente, mas tentaremos ao máximo. E, é claro, será necessariamente coerente com todos os valores que expressamos até este momento.

Talvez não seja necessário dizer, mas nos orgulhamos como se fossem nossos filhos das 11 histórias que acreditamos, visualizamos, produzimos, editamos e publicamos nesse período. A elas se juntarão outras seis, a serem publicadas mensalmente. A primeira delas está sendo lançada hoje. “Os Pastores nos Campos de Pedra” é uma saga que tenta decifrar o novo sertão brasileiro, em meio à maior seca da história. Uma jornada jornalística e poética que começa na fé e passa pela percepção da ilusão, pelo sentimento de raiva e pelos finalmentes das caças e das visões. Um grandioso trabalho de Aiuri Rebello, autor do também excelente As Novinhas e os Visitadores.

Além das nossas eventuais capacidades de criação e negociação, o que pode manter o BRIO vivo e ativo são vocês, nossa valorosa legião de admiradores. Sabemos que o engajamento emocional que conseguimos gerar nesse curto período é bem mais forte do que o alcançado outras iniciativas jornalísticas independentes e também de grande valor, as quais respeitamos tremendamente. Mas o BRIO tem algo a mais. Talvez seja a nossa sincera tentativa de fazer vocês imaginarem mais profundamente o real e respirarem diante de um amontoado de informações que pululam dia após dia na realidade nossa de cada dia.

Peço que continuem imaginando um universo jornalístico mais amplo, mais legal, mais profundo e menos careta. BRIO ainda pode fazer parte dele. Compartilhem virtualmente e presencialmente as nossas histórias. Se têm contatos que podem ajudar, contem a eles sobre a gente, sobre a nossa experiência, sobre as nossas dificuldades, sobre nossas vontades de fazer mais. E vejamos no que isso tudo dá.

Muito obrigado,

Breno Costa, editor-executivo