O que aconteceu comigo em 04 de janeiro de 2016

Praticando mindfulness em Agosto 2016

A primeira mensagem que recebi hoje pela manhã foi de uma amiga compartilhando uma matéria do Valor Econômico com o seguinte título: Trabalhar demais virou símbolo de status. O texto aborda que segundo um estudo americano, o estilo de vida workaholic é hoje um símbolo de status que tem mais expressividade do que a capacidade de ter tempo livre e se dedicar a atividades extra trabalho.


Era 04 de janeiro de 2016, um ano completo hoje, quando eu dei minha primeira entrada no hospital sem saber de fato o que estava acontecendo comigo. Apenas que uma angústia me consumia e que isso era externado em sintomas como dores de cabeça acima do que poderia suportar, seguidas de vômitos, dores no estômago como se tivesse tomado um soco do Hulk, taquicardia, etc. 
Durante minha consulta no hospital, meu telefone tocou, era um dos acionistas do emotion.me (empresa que fundei em 2012 junto do AMF, a qual me desliguei Agosto de 2016). No dia seguinte retornei a ligação e ao ser questionada sobre como estava respondi:

"Está tudo bem, afinal de contas onde já se viu dar burnout na primeira semana do ano?!"

Não, não estava tudo bem, e enganei a mim mesma até março (após mais 3 passagens pelo pronto-socorro — essas meus ex-sócios sequer souberam). Relutei até o último segundo, até que após o nascimento da minha afilhada, e muitas conversas com grandes amigos e mentores, assumi a minha realidade de que uma depressão estava nas minhas costas. Pesada como um urso.

Dali em diante, tomei a decisão mais difícil da minha vida até aqui. Precisava me livrar desse urso e todo seu peso. Todo ele! 
Era a hora de encarar uma nova realidade, hora de reprogramar minha vida.

Não, não entendo que esteja tudo bem quando estudos encontram abordagens como essas, onde aqueles que são consumidos pelo trabalho se tornam símbolos de status social, e símbolos de conhecimento. 
Precisamos falar mais sobre como de fato empreendedores, executivos, e workaholics lidam com seus ursos, histórias que não se contam em livros de negócios.

Não, isso não é sustentável. Eu vivi na pele e após 5 anos, desabei.

Para mim não existiu fórmula mágica, ou 7 passos para uma vida mais feliz. Existiu apenas enxergar claramente que o trabalho, por mais realizador que pareça, não é a coisa mais importante da minha vida. Não é!

A não ser que eu escolhesse a mim, todos os dias, em todos os sentidos, ninguém faria isso. Cada um tem seus próprios interesses.

Amo ser uma empreendedora e estar envolvida em resolver problemas reais em projetos desafiadores, mas amo mais a Deus (espiritual), minha família e amigos (emocional), correr (físico), praticar mindfulness (mente), etc.

Precisamos construir melhor a "casa" que vivemos. E essa casa só é colocada em fundações sólidas quando construímos em conjunto nossa saúde física, espiritual, mental e emocional.

Em um novo 04 de janeiro, estou viga a viga trabalhando nessas novas fundações.


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