Conheça a nova Aliança Renovadora Nacional

Contestado por alguns setores da sociedade e defendido por outros o período da ditadura militar no país deixou cicatrizes na história do Brasil. Após um passado obscuro, há quem ainda tente recriar uma nova Arena, partido que dava apoio ao golpe de 1964.

O início de tudo

Com discurso de ser uma expressão política, que iria unir os brasileiros em geral contra a ameaça do caos econômico, da corrupção administrativa e da ação das minorias ativistas, nasceu a ARENA, após a tomada de militares em 1964 e por decorrência do Ato Institucional n.2 (AI2) proclamada por Castelo Branco, que extinguiu os partidos políticos existentes e instituiu o bipartidarismo, determinando desta forma a criação de apenas dois partidos. A intenção dos militares à época era montar uma estrutura política com uma falsa democracia para mantê-los no poder. a Arena não existia em 1964. 
 O partido era predominantemente conservador e tinha um programa partidário com base em uma democracia representativa, repúdio à corrupção, apoio a soberania nacional, a integridade territorial, a integração nacional e o desenvolvimento econômico.

A ARENA foi rebatizada com o nome de Partido Democrático Social em 20 de dezembro de 1979 com a volta do multipartidarismo, após ela mudou diversas vezes de nome e segue até hoje presente como herança histórica em dois partidos brasileiros: o DEM e Partido Progressista.

A recriação de um partido que leva mesmo nome: conheça a Nova Aliança Renovadora Nacional

Foi em 2012, que a gaúcha de Caxias do Sul, Cibele Bumbel Baginski, na época estudante de Direito na UCS (Universidade Federal de Caxias do Sul), começou em um grupo do facebook um movimento com objetivo de criar um partido que no fim acabou levando o mesmo nome. “Na época debatíamos em um pequeno grupo diversas frustrações quanto ao péssimo funcionamento dos partidos existentes. Até ali não havia nome definido apenas a vontade inicial”, relata a jornalista e advogada.

O partido nasceu no auge do governo do Partido dos Trabalhadores, considerado por Cibele um governo de centro-esquerda, que na sua opinião sufocava a oposição ao fechar inúmeros acordos com as demais siglas, gerando na sociedade uma sensação de hegemonia, a que qualquer pensamento divergente era tido por errado ou criminoso. Cibele acredita que foi por isso que muitas pessoas encontraram na iniciativa dos jovens algo diferente. “A motivação tinha sido a busca por um partido que funcionasse, literalmente.” Conta Cibele.

Foi a partir de uma enquete de votação para decidir o nome do partido com 9 opções de nome disponíveis que a ARENA nasceu. Segundo a jornalista e advogada, este nome foi incluído por uma geógrafa pernambucana, chamada Drielly, e foi o mais votado. “Nesse momento nos vimos diante de continuar enquanto comissão provisória de fundação e respeitar a votação, como fizemos, ou tomar uma atitude para evitar o nome eleito e irmos contra nossa intenção de criar um partido que respeitasse esses mecanismos democráticos”, disse a jovem. Quando questionada o porquê da escolha do nome Cibele diz acreditar que para muitos foi a ideia de oposição ao governo da época, ou o marketing em si mesmo, ou ainda, o fato de transmitir uma primeira impressão clara e inequívoca de partido de direita.

Cibele Bumbel Baginski, na época em que fundou o partido. (Foto: reprodução)

Dificuldades e divergências partidárias

Após alguns anos, Cibele avalia que a escolha de chamar o partido de ARENA não foi muito positiva. “O nome eleito foi um fator prejudicial à ideia, pois ao mesmo tempo em que chamou a atenção para a falta de diversidade e oposição naquele momento, também serviu de chamariz para pessoas radicais e despreparadas, muitas delas presumindo ao ler o nome que já sabiam tudo o que se tratava ali e essa não era a realidade que encontraram”. Relata Cibele.

Fato que acabou causando problema para partido, pois a ARENA se tornou um guarda-chuva que abriu os braços para acolher uma diversidade de pessoas que aos poucos se identificavam em grupos diversos ali dentro como: liberais, liberais conservadores, conservadores, militaristas, nacionalistas, tecnocratas, e outros grupos e subgrupos que nem sempre convergiam. “Nas diferenças sofremos crises com um inicial viés ideológico, e nossa tarefa enquanto direção, gerenciando crises desse tipo, ia se tornando mais complexa para evitar que esses grupos ou pessoas se digladiassem demais ao ponto de afetar a integridade do partido como uma instituição de convergências e intenções”, relata Cibele.

A saída da então dirigente e porta-voz do partido aconteceu em um momento de estresse alto, onde havia cisões internas e crises difíceis demais para controlar, segunda ela havia também um desejo de se dedicar mais a sua vida pessoal. “Havia radicalismo, ideias alienígenas ao que construí, e estranhamente, eu não era representada pela instituição que trabalhei para criar. Eu evolui, e a instituição desevoluiu, e assim, fui buscar alguma coisa em que visse meu ideal de vida e política representado, desabafa ela.

Partido renasce no Estado de São Paulo

Após ocorrer uma divisão de grupos com ideias opostas dentro do mesmo partido o que resultou na saída de Cibele, a ARENA renasce em Campinas, desta vez com novas ideologias mas com pessoas que estiveram presentes desde a sua fundação. Em sua gestão atual estão o presidente Syvio Pires e o Secretário Nacional Lucas Trevizan. A ARENA se classifica como um partido de direita, segundo o Secretário Nacional do partido Lucas Trevizan, é um partido conservador, no que diz respeito aos costumes, e são liberais na economia.
Quando questionado sobre as semelhanças com a antiga ARENA, Lucas ressalta que não há nenhuma ligação da atual ARENA com aquela do período em que houve o regime militar. “ Há um novo regimento, um novo estatuto e a mudança na forma com que a política acontece em nossos dias atuais. Temos em nossos quadros militares e civis que simpatizam com os ideais do partido. Podemos dizer que carregamos a lealdade e o compromisso de sempre servir as instituições brasileiras e seu povo.” Relata o Secretário Nacional do partido.

A bandeira atual do partido (Foto: reprodução)

O que defende a nova ARENA?

A nova ARENA defende que tanto agora, como as futuras gerações do partido, não poderão celebrar alianças e/ou coligações com partidos que tenham vieses marxistas. São, diretrizes básicas do partido a liberdade econômica, o desenvolvimento nacional através do incentivo à indústria, comércio, construção, bem como, o desenvolvimento científico-tecnológico, com foco principal no desenvolvimento sócio-econômico do Brasil. 
A ARENA está em fase de assinaturas e de apoio para se oficializar como um partido e disputar um espaço no ambiente político. Segundo Lucas Trevizan a ARENA já está inserida no debate político através de membros que atuam ativamente em municípios e Estados, concorrendo, inclusive, ao pleito eleitoral deste ano.
Sobre as reações que nome do partido poderão causar Lucas Trevizan ressalta que nome não é motivo de vergonha, pois para ele o período militar trouxe enormes progressos no Brasil, como por exemplo, usinas hidrelétricas, rodovias, ferrovias, direitos ao trabalhador e tantos outros feitos.

Embora tenha sido negadas semelhanças com o partido que dava sustentação ao regime militar, a ARENA defende em seu estatuto o respeito à Pátria, palavra usada também pela ARENA na época do regime militar. Ainda que não tenha caráter religioso, ela defende também os valores que compreendem a visão Cristã, encontrando com ideais semelhantes a marcha da família com Deus pela liberdade ocorrida em 2014 e que defendia a volta do regime militar. O partido tentou, mas não teve seu registro aprovado pelo TSE.

No contexto de democracia em que país se encontra a ARENA diz que em respeito à convicções ideológicas, não realizará coligação com partidos que declaram em seu programa e estatuto a defesa do comunismo e que o Conselho Consultivo proibirá a coligação dado o contexto político e regional, fechando o partido em apenas um grupo o que não condiz com cenário político democrático em que o Brasil se encontra.