Rabisquedo — 4 lições que aprendi empreendendo

No final de 2011 eu tomei a decisão de deixar minha carreira na área de tecnologia da informação para empreender, inicialmente meu objetivo era criar um negócio com foco em desenvolvimento de aplicativos para smartphone, mas no meio do caminho apareceu a Rabisquedo.

O propósito da Rabisquedo era estimular e materializar a criatividade das crianças. A ideia da Rabisquedo nasceu no final de 2011 quando minha família e eu resolvemos fazer uma ação social na cidade de Angatuba, nós fizemos uma oficina de desenho com algumas crianças carentes e no Dia das Crianças daquele ano presenteamos essas crianças com brinquedos e bonecos feitos com base nos desenhos delas por artesãs locais. O resultado do projeto foi um sucesso e eu resolvi validar o modelo de negócio. E sim, já existiam artesãs no mundo todo que faziam o mesmo trabalho, mas não em grande escala. E esse pode ter sido o meu primeiro equivoco, a tal da escala.

Durante os anos em que eu estive a frente da Rabisquedo eu aprendi muita coisa, errei bastante e fiz algumas coisas certas. Foi uma jornada bem rica que me fez evoluir como pessoa. Eu quero compartilhar com você os quatro principais aprendizados que tive nessa jornada. Vamos lá!


1. Não confunda uma startup com um negócio tradicional.

Hoje em dia todo mundo quer criar uma startup, encontrar alguma coisa para disruptar, ter uma base gigantesca de clientes, captar milhões de dólares em investimento e aparecer na mídia.

Uma startup está em um ambiente de extrema incerteza pois não se conhece o mercado, os clientes e nem mesmo o produto ou serviço que se esta criando. Em uma startup existe apenas hipóteses. O objetivo é descobrir um modelo negócio repetitivo e altamente escalável, ela está operando sempre no modo de busca.

O problema é que nem todo negócio está em um ambiente de extrema incerteza e nem precisa ter esse crescimento fenomenal de uma startup. São negócios que podemos chamar de tradicionais e onde o nível de incerteza não é tão elevado. O que acontece é que alguns empreendedores estão desenvolvendo negócios tradicionais pensando que são startups e sofrendo com isso pois estão direcionando e medindo o desempenho do negócio com métricas erradas. É como comparar banana com maçã.

Eu sempre soube que a Rabisquedo era um negócio tradicional e a nossa inovação era na forma com que entregávamos valor para o cliente. Todo nosso processo de produção era artesanal e personalizado e isso era algo que estava ligado ao propósito do negócio. Nunca nos preocupamos em ser uma startup mas isso não impedia que nossa mentalidade fosse a de uma startup com agilidade e priorizando a experimentação e aprendizado.

Você não precisa ter uma startup para empreender. Você pode começar um negócio tradicional e inovar em como o produto ou serviço é entregue ou mesmo empreender no seu trabalho.

2. Vender é a única coisa que importa.

Hoje eu entendo que no fundo o empreendedor é um vendedor pois ele precisa vender todos os dias suas ideias para seu time, seu modelo de negócio para investidores e seu propósito para os clientes. Não adianta ficar desenvolvendo um produto ou serviço com design maravilhoso, cheio de funcionalidades, com um plano de negócio genial se você não vender. E precisa vender desde o primeiro dia!

E mais importante do que a venda em si é o processo de venda, sim, vender é um processo e sempre precisa ser ajustado e melhorado. É no processo de venda que você vai encontrar as melhores oportunidades para validar e evoluir seu modelo de negócio e produto.

Na Rabisquedo eu comecei vendendo online, descobri que as pessoas não conseguiam entender o produto por ser algo abstrato, então eu resolvi fazer venda pessoalmente em escolas, buffets de festas e feiras de artesanato, foi ai que eu comecei a entender melhor o perfil do cliente, como ele se comportava e qual era a melhor forma de explicar o produto. Então eu repliquei o aprendizado para o canal de venda online e com isso, além de melhorar as vendas online, eu consegui validar um modelo de venda para empresas (B2B).

Foque nas vendas, evolua seu processo de vendas e crie um funil de vendas diferente para cada tipo de cliente.

3. O seu cliente é o seu principal investidor.

Geralmente quando temos uma ideia de negócio ou estamos começando um negócio nosso pensamento é o de encontrar um investidor que acredite na nossa ideia e ajude a concretiza-la. No entanto, o investidor não coloca dinheiro em uma ideia, ele investe no empreendedor e quanto mais inicial for a fase do seu negócio mais porcentagem dele o investidor vai pegar e menos dinheiro ele vai investir, afinal, para ele o nível de incerteza ainda é alto.

Você deveria pensar em captar investimento apenas depois de aprender sobre qual valor você entrega para o seu cliente e como entregar esse valor para um número considerável de clientes, dessa forma você usará o investimento para avançar mais rápido.

Na Rabisquedo nós fazíamos oficinas de co-criação com as crianças e suas famílias para entender como poderíamos entregar valor de forma mais efetiva e de quebra compartilhávamos nosso propósito com eles.

O seu negócio só existe por um motivo, o seu cliente. Você deveria envolver o seu cliente em todas as etapas do desenvolvimento do seu negócio. Compartilhe seu proposito e sua causa com seus clientes, não venda seu produto ou serviço, venda sua causa e você transformará seus clientes em investidores que acreditam no que você faz e estarão dispostos a te ajudar a desenvolver o seu negócio.

4. Alinhamento de propósitos.

Por que você quer ter um negócio? Essa é a pergunta fundamental que você deve se fazer antes de começar a qualquer negócio. Eu vejo muitas pessoas começando um negócio porque estão atrás de dinheiro, não querem ter chefe ou acham legal ter um negócio próprio porque está na moda.

Mais importante do que criar um negócio e você saber qual é o seu propósito de vida, pois sem saber isso você não consegue ir para lugar algum. Ter um negócio deveria ser um meio de você atingir o seu propósito de vida e não ser o seu propósito de vida.

Se o seu negócio não estiver alinhado para te ajudar a atingir o seu propósito pessoal não faz sentido você continuar com esse negócio. E foi quando eu percebi que a Rabisquedo não mais me ajudava a atingir meu proposito pessoal, pois ele havia mudado ao longo dos anos, que eu tomei a decisão de deixar a operação do negócio e algum tempo depois encerrar a sua operação.

Começar um negócio próprio requer coragem, planejamento e autoconhecimento, em breve eu vou publicar um texto sobre como se preparar para empreender no seu próprio negócio, fique ligado.