Burt Reynolds + Supla no Aldeia Bar

Fernanda Offner, antes do show. Green hair

Às vezes você faz o que tem de fazer. E fica feliz por isso.

Um show marcado de última hora, com cinco dias de antecedência, trouxe o Burt Reynolds de volta ao palco de Jundiaí (e especificamente da nossa casa, o Aldeia) para cobrir um rombo na noite que ficaria após a apresentação do Supla, que agora em carreira solo pediu para tocar bem cedo (23:30h) na noite em que seria até então atração exclusiva, sexta feira, 07 de outubro.

O Burt ficou parado durante retiro etílico da baixista Fernanda Offner, que passou duas semanas entre Irlanda, Escócia e Inglaterra mostrando ao povo ruivo com quantas pints se faz um show de drag queens . A apresentação de despedida foi justamente a jaca monstro do começo de setembro, quando dividimos o palco com a banda Cachorro Grande.

Sem show e sem nem mesmo ensaios (o que muitas vezes aplaca a ansiedade de se subir novamente num palco), represou-se um tesão gigantesco na banda por fazer um som. Quando Gustavo Almeida confirmou o convite na segunda feria da semana do evento, a sensação foi de pura alegria.

Burt tocando a já clássica Malucos do Japi

Pulamos a passagem de som, já que os técnicos da casa conhecem o som e a estrutura do Burt como a palma de suas calejadas mãos, e fomos direto ao que interessa: tomar uma e bater papo no fumódromo do Aldeia, ponto de encontro dos músicos jundiaienses, graças aos projetos Cultura Alternativa e Sexta Autoral, que movimentam o circuito de criadores da cidade.

Após um show competente e redondo da nova banda do agora solo Supla (e após nos degladiarmos com a fila de tietes que queriam entrar no camarim para tirar fotos com o punk assumidamente de boutique mais famoso do Brasil), dedilhamos os acordes de Pretty Woman, a tradicional música de abertura do Burt Reynolds, desta vez como uma intro de quase 5 minutos porque eu simplesmente não notei que o microfone já estava ligado e que eu poderia cantar os versos iniciais “minha mina quer voltar para a vida que ela tinha antes de conhecer o amor. Tudo agora, nada amanhã”.

Daí em diante, a alegria transbordou.

Foda-se a técnica.

As cordas da guitarra do Eduardo Wich já arregaram na segunda música (tudo bem, foi só a “mizinha”), a minha desafinou na terceira e a voz sumiu na quarta.

Mas queríamos mesmo era pular. O público miou. Ficou aquela coisa de “acabou o Supla, podemos ir embora”.

Mas obviamente duas dezenas de amigos fiéis ficaram por lá. Para nós eram duas mil pessoas. Tava fácil se divertir.

E nada tirava nossa velocidade e energia. Nem mesmo o bebum que dormia na mesa à esquerda do palco. Afinal, tem lugar mais confortável para dormir do que na frente de um show de rock´n´roll?

Dedicada ao bebum dorminhoco, Ela Se Foi

Cumprimos nosso dever de satisfazer a nós mesmos da forma mais insana e selvagem possível. E se alguém gostou, agradecemos.

Naquela sexta feira, o show foi para nossos eus. Ids. Egos. Foi de dentro para mais dentro ainda.

De lobo pra córtex.

Foi o show que precisávamos fazer para desarrumar as gavetas do subconsciente. Para aplacar a dor da verdade de que viemos ao mundo com a missão e a função de destruir.

Nós somos a banda Burt Reynolds.

c´mon djundiai
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