Rock n Roll Vengeance Festival + Trackers

Burt Reynolds no palco da Trackers, celebrando 6 anos de Garajão às 5 da manhã.

Sábado foi dia de dobradinha para o Burt Reynolds.

Apesar da nossa alegria em aproveitar um rolê do começo ao fim, uma coincidência de convites importantes fez com que o Burt tivesse que abrir o festival em Várzea Paulista e depois se mandasse para São Paulo, para fechar a festa de 6 anos do Garajao do Juliao na Trackers.

O RocknRoll Vengeance foi organizado pelo pessoal da banda Gasoline Specials e a proposta era de juntar bandas de vários estados com a galera de região num rolê com entrada grátis.

O nome do festival é ironicamente propício já que o Taverna, originalmente um rock bar, agora abre espaço para festas (cheias) de outros estilos musicais.

no palco do Taverna. A profusão colorida não é mera coincidência.

Chegamos os quatro fantásticos meia hora antes da abertura da casa e montamos o set up. Até a passagem e som e umas cervejas, estava juntado o público que assistiria o show com função de warm up do Burt Reynolds.

A última vez em que o Burt Reynolds tocou no Taverna foi na despedida do Gabriel Pereira, que deixou a banda para cuidar de coisas menos importantes como Duke Ellington e o amor. A noite (como toda despedida deve ser) foi de uma estragação punk tamanha que no dia seguinte, quando abri o case da minha telecaster, havia nada menos do que uma poça de sangue seco lá dentro.

Desta vez fomos mais comportados, mais profissionais, mais bonitinhos. A rapaziada (principalmente das demais bandas que tocariam) estava presente: medindo, curtindo, aplaudindo ou mandando um “aê” em cada som, metodicamente tocado até o fim do setlist.

Saímos sem ver, infelizmente, os shows do Gasoline Specials, Munster, Projeto Trator, Cocaine Cobras e Mondo Bizarro.


Parabéns Garajão!

Quando soube que finalmente tocaria com o Burt Reynolds na Trackers, no Garajão do Julião, meu coração começou a pular. Vários os motivos:

A Trackers mora no meu coração, ocupando o post de pico underground mais legal EVER. Casa das festas mais bacanas e donde tive o prazer de comandar por dois anos o Domingo Surreal, quando discoteva ao lado de outros freaks.

Sempre via bandas tocando ali. E é óbvio que eu queria mostrar para a rapaziada de lá o som que a minha pode fazer.

punks gostam mesmo é de foto preto e branco

O outro motivo pelo qual minha espinha arrepiava era a a traumática experiência do último show que fiz em SP com o Burt, em 1.996, no Retrô. Um show de casa lotadaça e uma frieza do público que me travou o show inteiro (meninão, coitado). A festa só esquentou quando saímos do palco e o André Pomba voltou a discotecar.

Esta nóia era só minha porque, depois que deixei a banda, o Burt se apresentou outras vezes mandando muitíssimo bem, como no histórico show do Hangar 110.

Gustavo Almeida manda prender e manda soltar.

Chegamos sob as míticas colunas da Tracker Tower, revemos os amigos, passeamos pelas saletas lotadas da festa do Trabalho Sujo rolando no andar de cima, do contemporaneo Alexandre Mathias, que revi depois de tanto tempo.

solid!

Assistimos todas as bandas e suas diferentes leituras do universo punk e post punk. Ficamos por último já que Julião sabia que tinhamos um show anterior. Por mais que os corredores escuros, as saletas mágicas, os banheiros e os cubículos labirinticos da Tracker Tower injetem a cada meia hora uma dose extra de energias, de cenas, de sensações, a hora ia passando e a ansiedade de subir e fazer o trabalho aumentava junto com a preocupação de saber se tocaríamos ou não para alguem.

Fernanda Offner e seu Thunderbird

Mas ninguem ia tirar da gente o tesão de subir naquele palco. Nem nós mesmos. Lá pelas cinco da manhã, depois dos ótimos shows das bandas A Lanterna, Poemas de Maio e Cadillacs, chegou a hora e a vez do cabelo nascer.

Com a mente no 220 (não queimamos nada desta vez), um set rápido ,certeiro e psicodélico, tentando mostrar um pouco do que a gente era.

Eduardo Wisch, o homem que nunca rí.

Nós cumprimos o prometido. Nós mostramos nosso cartão de visitas. Nós metemos fundo e queremos voltar a tocar lá o mais rápido possível!

Foi do jeito que tinha de ser.

A Bia Ferrer, que já havia feito um trabalho comigo na época do Blank Studio quando a Colors fez festas por lá (e umas fotos de divulgação tambem). Gravou umas entrevistas, filmou e vai fazer um documentario sobre os 6 anos do Garajão. Saindo a gente posta aqui.

Foto do Taverna de Junior Scalav

Fotos da Trackers de Bia Ferrer.

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