Temos de acabar com o emprego

“Como assim, tá maluco?”, deve ter sido isso que te passou na cabeça quando leu o título. E acabou entrando no artigo para ler apenas para confirmar se eu realmente estava. Pois é, não estou. É justamente o contrário, nunca estive tão lúcido. Lúcido a ponto de dizer que emprego, tal como conhecemos, tem que acabar.

Muitos odeiam o que fazem e nada é mais desgastante do que odiar algo e ter de continuar fazendo — e fazer mais aquilo que se odeia todos os dias. A maioria só trabalha sob pressão da necessidade, e não por prazer ou para exercer uma vocação. Não trabalha para ser feliz. Na era contemporânea a liberdade dos indivíduos é dada pelo dinheiro, eles são livres apenas enquanto detentores de dinheiro. Se os indivíduos não têm liberdade enquanto indivíduos, mas apenas pelo salário, eles não são livres, mas escravos do salário. O emprego nada mais é do isso: escravidão assalariada. E se quisermos ser livres temos de acabar com o emprego.

Precisamos pôr um fim nessa tortura de pessoas indo aos pedaços com seu corpo pela manhã para o trabalho com a mente nos problemas de casa e voltando com seu corpo para casa à noite com a mente nos problemas do trabalho. Fim nessa relação entre empresas e pessoas como um casamento mal-arranjado em que cada um tolera o outro pela força das circunstâncias e avança até que a morte ou um divórcio quase certo os separe. Fim nesse ambiente em que todos ficam à espera do happy hour, dos fins de semana, de ganhar na loteria ou da aposentadoria para se libertar da tortura do expediente.

Temos de acabar com a CLT. Sim, é isso. Não temos de reformulá-la, temos de acabar com ela.

E você dirá, “Mas emprego é bom, o governo sempre comemora aumento de emprego”. Claro que é bom, para ele, emprego é escravidão e subserviência ao “sistema”, pessoas subservientes são fáceis de controlar. George Carlin dizia: “Você sabe o que eles querem? Trabalhadores obedientes. Pessoas que sejam espertas o suficiente para operar máquinas e lidar com a burocracia, mas tolas o suficiente para passivamente aceitar todos esses trabalhos cada vez piores e mal pagos, expedientes longos, benefícios reduzidos e pensões que mínguam no minuto em que você faz jus a elas”.

Não precisamos de empregos, precisamos de trabalho com significado. Sentir que fazemos parte de algo maior, que o legado que estamos deixando se conecta ao nosso propósito de vida. Queremos nos libertar do empobrecimento mental, cultural, emocional e espiritual resultante do vazio de significado apenas para ter as necessidades materiais atendidas como animais em uma fazenda. Precisamos sentir que fazemos a diferença no mundo, que estamos criando um mundo melhor.

Queremos sentir que estamos VIVOS!