Para o inferno com Murphy
Poucas empresas se encaixam no modelo de organização exponencial, a maioria continua com a mentalidade linear ultrapassada de simplesmente dar sequência ao que sempre foi feito. Acham que o futuro será uma extensão do que é hoje e que é possível avançar apenas melhorando o que já possuem.
Só que esse já não é mais o mundo. A forma como temos de encarar o amanhã é de um futuro altamente dinâmico em vez do velho futuro previsível. Não dá para ficar planejando para daqui a 5 ou 10 anos. O futuro é agora e as empresas que não começarem a pensar seu negócio de maneira transformacional, em vez de transacional, vão simplesmente desaparecer.
O que era impossível há pouco tempo, hoje se tornou possível. A evolução tecnológica possibilitou muito e o comportamento social também. O que é impossível hoje logo estará disponível — se você não fizer, alguém vai fazer.
O que fez seu negócio chegar até onde chegou não garante mais o seu futuro. Faça a disrupção antes que outros a façam, seu ramo de negócio provavelmente não será mais o mesmo muito em breve. Em cenários cada vez mais mutáveis, como os que visualizamos pela exponenciação da evolução tecnológica, temos que pensar de forma diferente. Quanto mais compreendermos os novos cenários, mais condições teremos de redirecionar o futuro. Novos mapas, novos caminhos.
Veja o avanço da uberização de todas as coisas no Brasil que já engloba setores como estética (Singu), atendimento médico em domicílio (DocWay), manutenção automotiva (Easy Carros), entregas (Shippify, Loggi, VaiMoto, Sontra Cargo), limpeza doméstica (Parafuzo e EasyQasa), advocacia (Jurídico Correspondentes e Justiça Seja Feita), reformas (Iguanafix), chefs de cozinha (ChefEx), passeadores de cães (Dog Walk) e outros. A Folha de São Paulo de 27/03/16 mostra a história da maquiadora Gabriela Massa, 25, formada em relações internacionais na ESPM, que decidiu deixar sua área de formação e ficou um semestre estudando maquiagem em Los Angeles. Desde novembro/15 tem atuado como freelance indo de carro atender chamadas que recebe pelo aplicativo da Singu. O serviço contratado pelo aplicativo custa R$ 220. “Não pretendo trabalhar em um salão de beleza nem abrir um deles. Isso dá trabalho e deixa você presa. Não quero ficar presa a nada” diz Gabriela.
Transformar é criar, incorporar e difundir uma nova mentalidade. Poucos estarão naturalmente dispostos a trocar recompensas por riscos e estabilidade por mudança sem motivação e benefícios. É necessário reconhecer e recompensar quem trabalha a favor da mudança e anular o reconhecimento e recompensas de quem se prende à estabilidade.
Para prosperar no cenário de hipermudança e mercados instáveis do século 21, as empresas terão de antecipar o futuro. Parece impossível, mas não é. Muito da discussão atual tem girado em torno de questões cotidianas, como se na iminência de um tsunami o maior problema fosse a cor do traje de banho que se deveria usar na praia. As pessoas perdem tempo e energia com junk ideas e as empresas estão mais preocupadas com o fim do mês do que com o fim da década.
No século 21:
- Se não puder vencer, mude as regras; se não puder mudar as regras, ignore-as
- Se não tiver um desafio, crie um
- Ouvir um “não” apenas significa ter de começar novamente um nível acima
- Você tem o que incentiva
- Sem um alvo, você errará todas as vezes
- Uma ideia é sempre louca um dia antes de ser implementada
- Se você acha que algo é impossível, você está certo. É impossível para você
E se algo der errado? Conserte… para o inferno com Murphy!

