Como um lava-rápido virou referência mundial em sustentabilidade e tecnologia

Aos 19 anos, o empresário Lito Rodriguez já tinha sede pelo novo. O que o movia era o sonho de ter seu próprio negócio e assim o fez, com tão pouca idade. Depois de adquirir algum recurso com uma loja de móveis, abriu um pequeno lava rápido na Zona Sul de São Paulo, em 1994, quando tinha 26 anos.

Mas a ambição não era apenas de ser empreendedor e sim fazer algo que fosse reconhecido e não fosse mais do mesmo. O que ele não imaginava, ao longo destes 22 anos, é que a DryWash seria uma rede mundial de franquias de limpeza e conservação automotiva, pioneira na lavagem a seco, referência em polimento de automóveis e uma empresa detecnologia, processamento de dados e gestão compartilhada.

A forma e a prática abriu portas para um novo mercado. De início, Lito queria ter um negócio padronizado, com funcionários motivados e não só uniformizados, mas vestindo a camisa da empresa. “O funcionário é encarado como parte da equipe, sempre registrado e integrado à empresa, coisa que em 1994 não existia dentro deste segmento”, disse ele em entrevista para o blog do Business Design.

Funcionários uniformizados aumentam a sensação de pertencimento à empresa.

Atualmente, além de ser uma rede, é uma indústria química com fábrica e laboratório próprios. Mas o destaque maior vem não só de bons produtos, com certificação ISO, e sim do investimento e capacitação humana, que é o grande triunfo da empresa. Com treinamentos e recursos tecnológicos, a empresa foi se adaptando aos avanços da área e criou até ferramentas exclusivas que permitem que uma unidade fature mais de R$ 2 milhões ao ano.

“Inovação pra mim é algo que esteja disponível a todos, não pelo preço em si, mas também por necessidade. Meu objetivo não é vender produto, mas de que uma pessoa consiga pegá-lo e transformá-lo em renda.”
Lito Rodriguez, diretor presidente da Drywash. Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Fundada com base na sustentabilidade, onde equipe, meio ambiente e lucro estão integradas, a empresa se tornou uma crescente rede de negócios que segue três pilares estratégicos: pessoas, tecnologia e produtos.

“A DryWash só vai existir e vai se reconstruir a partir do momento que ela continuar dando oportunidade das pessoas empreenderem. O que faz ela se desenvolver é uma rede de pessoas que, de fato, empreenda através delas”.

É com base nisso que se criou o manifesto “O poder tem dono?”, que apresenta a razão de ser da DryWash:

A trajetória da inovação

Não há como um negócio se perpetuar sem se reinventar ao longo dos anos. Resumindo essa experiência, em 1994 a DryWash já era um serviço de lavagem com menos água, economizando 316 litros de água por carro, o que equivale a mais de 22 milhões de litros preservados na rede franqueada, segundo dados de 2014.

Mas lavar veículos a seco e, consequentemente, poupar o meio ambiente não era suficiente como inovação. Depois que o produto de fórmula própria começou a ser desenvolvido, em 1995 veio mais uma novidade: lavar carro em estacionamento. “Fiz uma pesquisa com os clientes para saber do resultado da lavagem a seco. E aí veio um produto que pudesse dar um brilho e impermeabilizar a pintura, fazendo com que a lavagem durasse mais tempo e então o custo-benefício fosse maior”, argumentou Lito.

Cravando mais espaços no mercado e se adaptando às mudanças, a empresa está sempre “de cara nova”, mas sem sair de sua essência e princípios. “Ao longo do tempo, o Lito foi redesenhando várias coisas, como por exemplo, levar a lavagem para onde as pessoas se encontravam. A evolução para que isso acontecesse, ele já tinha posse, tinha um produto que foi redesenhado. Ou seja, ele reconcedeu a matéria-prima para lavagem”, apontou o Business Designer Marcelo Torres.

Com isso em mãos, o próximo passo era ir onde o carro estava. “Negociamos com condomínios comerciais e ali começou esse novo business”, relembrou Lito. Na sequência, mais uma luz se acendia na mente empreendedora da rede. No Rio de Janeiro, um cliente que estava prestes a virar franqueado começou a lavar carros de casa em casa. Ao conhecer o administrador do shopping Barra Garden, veio o convite de aplicar o serviço no estacionamento do local.

Com o modelo ganhando visibilidade, Lito conta que a partir de então começaram a bater em portas para inovar novamente. “Em 1999 montamos no shopping Iguatemi e aí veio outro redesenho. Na época, demorava muito tempo para entrar no estacionamento porque a cancela travava e as pessoas perdiam vaga. Então sugeri de montar o lava-rápido, ampliando o número de vagas com o negócio”.

Em 2000 ampliou-se a rede em shoppings, chegando ao Jardim Sul, ao Eldorado e muitos outros. Atualmente são 700 franquias da DryWash espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. “Na prática aprendemos muitas coisas, mas a principal delas foi descobrir o princípio de tudo isso. Vimos também que não funcionava o modelo de empresa onde um empresário pega pessoas para trabalhar. A ideia é que o próprio funcionário vire empreendedor, o dono do negócio e aí se desenvolva como um micro-empresário.”

Além de ser tudo isso e mais um pouco, a DryWash fundou um spin-off a partir do Centro de Serviço Compartilhado. “Uma grande inovação foi criar compartilhamento de recursos, de apoio a pequenas empresas, que se transformou na Via Indicadores, focada em gestão, produtividade e economia colaborativa”, concluiu Lito. Pioneira no desenvolvimento do modelo de Gestão Absoluta Compartilhada, o GAC, a companhia se especializou na terceirização de gestão empresarial, proporcionando melhorias para a rede de franquias, gerenciando os processos da linha de frente (aqueles que têm contato direto com o cliente, como recepção, vendas, assistência técnica) e a retaguarda (demais processos de suporte ao negócio, como RH, TI, financeiro).

Em entrevista para Endeavor, Lito disse que nunca vai parar de empreender “Quero ser um empreendedor serial, continuar inventando coisas. O sonho grande está sempre relacionado a poder continuar empreendendo. Deixar gente rica é a minha cachaça”.

Hoje ele também sabe que tem muito a ver com o impacto social causado pelo empreendedorismo. Ele se encanta quando percebe que funcionários ou franqueados estão progredindo, aumentando as rendas de suas famílias. E vibra ao constatar que a marca que criou de fato se tornou referência em qualidade, em inovação e em consciência ambiental.

Para Marcelo, a grande sacada de sucesso da empresa foi exatamente a adaptação aos novos tempos, feita não através de números, mas de transformação, seja de vidas, de matéria-prima e de modo de fazer negócios. “O Lito idealizou uma coisa e desenhou o business. Ele capturou uma série de coisas e colocou em prática. Todas as execuções eram fruto de uma concepção abstrata que estavam na cabeça, que ele viu valor e colocou em prática. Este é o ciclo do Business Design.

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