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Business Drops

Esta publicação busca aliar a ampla experiência prática em gestão dos autores com as mais recentes tendências acadêmicas, trazendo dicas rápidas, mas consistentes, para pessoas que têm interesse em conhecer, aprofundar ou relembrar conceitos relevantes de gestão de negócios.

Millennials
Mercado De Trabalho
Geração Z
Comportamento
Postura Profissional

Estou no Mercado de Trabalho, e Agora?

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Photo by Filip Bunkens on Unsplash

Lembro-me de assistir a filmes épicos relatando acontecimentos que se passavam com mais de mil anos de diferença em que havia muita semelhança entre as tecnologias envolvidas, e a vantagem competitiva geralmente estava com quem melhor sabia lidar com a espada. Atualmente, pouco mais de dez anos já são suficientes para caracterizar sociologicamente toda uma nova geração com diferenças comportamentais claras, em parte em razão dos acelerados avanços tecnológicos que têm promovido rápidas mudanças de hábito nas pessoas.

Hoje há quatro gerações ativas profissionalmente, com as quais, durante minha carreira iniciada no começo da década de 90 no mundo corporativo, tive a oportunidade de conviver: Baby Boomer, X (da qual faço parte), Y (ou Millennials) e também a recém-chegada ao mercado de trabalho, a Geração Z (nascidos a partir de 1995 e já com acesso a tecnologias modernas). Atrevo-me a arriscar que já estive presente em algumas reuniões de projeto com exemplares de todas essas gerações, todos juntos.

De alguns anos pra cá as organizações, essencialmente através de suas áreas de RH, passaram a investir tempo e dinheiro junto aos profissionais mais experientes sobre o como lidar com as novas gerações que estão chegando. A passagem de determinados conhecimentos, que seguia seu fluxo natural no sentido dos mais experientes para os mais novos, passou a ter novas direções, tanto no aspecto tecnológico quanto no comportamental. Mas não vamos nos deter nesse aspecto; há literatura de qualidade sobre esses temas em abundância. Gestores da Geração X que têm dificuldades em lidar com subordinados Millennials, por exemplo, não deveriam demonstrar surpresa ou se queixar de falta de informações.

Por outro lado, alguns de nossos jovens recém entrados no mercado de trabalho carecem (mesmo sem se dar conta) de orientações / suporte sobre como saber lidar com profissionais das gerações antecessoras.

Além de atuar no mundo corporativo, também trabalho como professor. Em algumas oportunidades, aproveito um pouco dos meus vinte e poucos anos no meio empresarial para passar algumas orientações para os jovens com quem tenho relação próxima sobre postura e atitudes clássicas em ambientes de trabalho que ainda são valorizadas no mercado, seja em uma conversa informal, seja em sala de aula. Nessas oportunidades de interação, o grau de atenção que esses jovens, em torno dos seus vinte e poucos anos (que já não precisam mais “tirar xerox” na faculdade, acompanham as aulas pelo celular e estão naquela fase de busca de um estágio ou primeiro emprego), chega a impressionar, o que demonstra a valorização que eles dão a esse tipo de debate.

A partir daí surgiu a ideia de compartilhar com um público mais abrangente um pouco da experiência adquirida (portanto, sem qualquer compromisso científico) e transmitida em sessões de feedback para equipes de trabalho e que depois se transformaram em conteúdo de discussão em sala de aula.

“Esteja Preparado Emocionalmente para as Frustrações”

Dentro de um ambiente de trabalho quase sempre as coisas não acontecem exatamente da forma que desejamos. A quantidade de variáveis internas e externas torna a previsibilidade do futuro muito complexa. Além disso, pessoas são diferentes em termos de atitudes, expectativas, forma de enxergar as coisas, cultura etc. Também é importante lembrar que hierarquia ainda existe, e a palavra final de quem está formalmente acima deve sempre prevalecer. Projetos cancelados no meio, a promoção que não saiu, o feedback de pontos a melhorar ou até aquele puxão de orelha fazem parte de nossa carreira profissional. Às vezes tendemos a achar que o mundo gira em torno de nós, e enquanto pensarmos dessa forma, mais frustrados iremos ficar.

Dica: Temos que saber lidar com as frustrações e, mais ainda, enxergar nelas formas de crescimento de maturidade profissional. A resignação é uma virtude — não significa que devemos aceitar tudo, mas externarmos nossa indignação o tempo todo com nossas frustrações profissionais é uma forma clara de demonstrarmos o quanto imaturos ainda somos.

Dica 2: Ao sair desapontado de uma longa reunião de feedback com seu supervisor, você já parou para refletir o quão importante você é para que ele invista todo esse tempo de vocês em um encontro como esse? Deixe para ficar frustrado se o encontro for apenas uma formalidade, com conteúdo raso e que não agregue valor para você. Do contrário, aproveite a oportunidade para evoluir.

“Faça Certo da Primeira Vez”

Uma característica comum dos mais jovens hoje em dia é o uso frequente do método empírico da “tentativa e erro” para solucionar as questões do dia a dia. Uma vez li um artigo que relaciona esse comportamento com o hábito de se jogar videogame, onde o recomeço é sempre permitido em caso de erro. Afinal, é muito mais fácil explorar todas as alternativas e descobrir tentando do que avaliar desde o início qual delas é a melhor. Ao transportar essa característica para as organizações, profissionais acabam produzindo artefatos de baixa qualidade, uma vez que há a expectativa de que alguém irá revisar, fornecer feedback e oferecerá novas oportunidades de correção. Na prática, isso resulta em várias revisões por parte dos gestores, consumindo mais tempo próprio e de outras pessoas envolvidas. Claro que atender às expectativas de forma plena desde o início não é simples, mas é importante tentar.

Dica: Busque o melhor desde sua primeira versão. Não tenha tanta pressa em entregar: ao terminar o trabalho, aguarde até o dia seguinte para revisar tudo (você vai acabar encontrando erros não vistos anteriormente). Surpreenda positivamente seu supervisor ou cliente com um trabalho de boa qualidade desde o início.

“Termine o que Começou”

Realizações profissionais são importantes na construção de uma carreira sólida. Projetos concluídos, resultados entregues e relevantes comprovam sua capacidade de fazer acontecer. Por mais relevantes que possam ser as organizações por onde passamos, o que importa no final das contas é a nossa consistência na contribuição para as mesmas. Não há problema algum em ficar pouco tempo em uma empresa — questões relacionadas a adaptação, expectativas, ambiente etc. — acontecem. Mas quando isso passa a ser uma situação comum no nosso CV, temos que reavaliar se estamos seguindo o caminho certo, pois isso pode ser interpretado como falta de foco e/ou dificuldade de adaptação.

Dica: Ao aceitar um desafio / projeto / atribuição, busque terminá-lo. Por mais que atividades mais longas não se encaixem em profissionais com perfil mais imediatista, tente se esforçar para terminar. Uma boa ideia é tentar dividir o trabalho em partes menores. Além de ajudar com a ansiedade natural presente atualmente nos nossos jovens, permitirá melhor auto-gestão e aumentará suas chances de sucesso. Além disso, antes de mudar de emprego, pense várias vezes a respeito e analise com cuidado os riscos da mudança. Pondere antes de tomar as decisões. O mundo nunca esteve tão dinâmico, mas um pouco de visão de longo prazo sempre ajuda.

Fala-se muito sobre as qualidades das pessoas que têm iniciativa, mas também é muito importante ter “acabativa”, ou seja, capacidade de entregar.

“Tenha Senso de Compromisso”

Negociações de prazos para entregar atividades sempre existiram nas organizações, assim como a pressão do dia a dia por entregas com velocidade e qualidade. Saber combinar prazos é quase uma arte, pois envolve não só conhecimento do tema, mas também capacidade de priorização, experiência e um pouco de psicologia.

Não frustrar expectativas é a chave do sucesso. Profissionais responsáveis e comprometidos são muito valorizados por gestores e clientes, independente de seu grau de conhecimento técnico. E o inverso também vale: me lembro de dezenas de situações onde profissionais descumpriram seus compromissos e, pior, sequer deram qualquer justificativa, sendo necessário ao gestor questionar (após vencido o prazo combinado) e receber como resposta um sorridente “não fiz ainda”.

Dica: Independente de como ocorra a combinação, cumpra com o acordado, tanto em termos de prazo quanto conteúdo / qualidade. É preferível se comprometer a entregar um produto em cinco dias e entregar na data combinada do que prometer pra daqui a dois e entregar em três. Se você não está seguro, peça um “prazo pra dar o prazo”. E, ao dar o prazo, simplesmente cumpra. Caso não seja possível por alguma razão (surgimento de outra prioridade, imprevistos etc), informe com antecedência. Não espere o prazo vencer. Além de demonstrar sua preocupação, pode ser que haja alguma alternativa ainda viável.

Dica 2: O fato de o seu cliente não estar cobrando seus resultados não significa que ele se esqueceu do seu compromisso. Pelo contrário, ele está esperando para ver qual será sua atitude.

“Seja Pontual”

Esta tem relação direta e complementa a anterior. Antes da popularização da Internet no meio corporativo, por questões culturais e limitações tecnológicas, as atividades tinham que ser praticamente 100% realizadas dentro do ambiente de trabalho. Laptops, internet, acesso a email e outras tecnologias eram raras, e a cultura de “levar trabalho pra casa” se limitava a levar algo impresso para ser lido. Por isso, o chegar cedo passava uma impressão positiva de produtividade (mesmo que falsa). Profissionais daquela época normalmente conservam esse hábito e essa percepção.

Hoje em dia, por estarem muito conectados, os profissionais da atualidade (incluindo os da antiga) já se acostumaram a integrar trabalho com atividades pessoais. A problemática ocorre nos momentos onde interações com hora marcada se fazem necessárias (teleconferências, reuniões, apresentações etc). Hoje em dia são mais frequentes os casos onde o gestor, após iniciada uma reunião, precisa dar aquele telefonema de “e aí, você já está chegando?”.

Dica: imprevistos acontecem, ainda mais em grandes centros onde mobilidade é uma caixinha de surpresas. Mas lembre-se que as demais pessoas (aquelas que não se atrasaram) também estão sujeitas a isso. Avise seu supervisor do seu atraso com antecedência. Ao chegar, peça desculpas, não se justifique (o motivo não importa), evite interferir durante os primeiros momentos. E tome as devidas precauções para evitar que novas situações semelhantes voltem a ocorrer.

“Tire Proveito das Oportunidades que Aparecem”

Todos começamos nossa vida profissional com o currículo zerado. Há alguns anos (início da década de 90), as oportunidades para se conseguir um primeiro emprego ou estágio eram bem mais escassas do que hoje. Atividades (remuneradas ou não) que surgiam e que tinham possibilidade de geração de currículo eram raras. Conheço algumas pessoas que iniciaram suas carreiras profissionais sem receber pelo trabalho somente pela oportunidade de ganho de experiência. Quando surgia algo mais interessante, essas pessoas tinham mais chances de entrar em razão da maior maturidade e experiência adquiridas.

Hoje em dia, vejo alguns universitários / jovens profissionais sem qualquer experiência corporativa reclamando da escassez de oportunidades de emprego / estágio e ao mesmo tempo não comparecendo a encontros de empresas, eventos promovidos pela universidade, abrindo mão de oportunidades de networking, faltando a entrevistas. Em mais de uma situação presenciei agendamento de entrevistas com jovens candidatos a oportunidades de trabalho que simplesmente não apareceram e que depois (mediante contatos realizados pelo RH) informaram que perderam o interesse ou se esqueceram do compromisso, sem ao menos entrar em contato para desmarcar.

Dica: Direcione seu foco, primariamente, na construção de um currículo valorizado, para só então começar a escolher a dedo onde quer trabalhar. Lembre-se que a escolha acontece dos dois lados. Não basta você escolher onde quer trabalhar, as organizações também precisam escolher você. Mesmo oportunidades pequenas, daquelas surgidas na faculdade, ou o negócio da família de um amigo, ou aquele freelance básico etc. são bem-vindas para quem precisa ter um currículo inicial. E ao escrever o seu currículo, assegure que o português esteja impecável (ele é a sua vitrine). Ter aquela conta no Linkedin também é importante.

Dica 2: Suas primeiras oportunidades de trabalho (e talvez as próximas) muito possivelmente não serão as dos seus sonhos.

Obviamente, esses tópicos não são exaustivos / definitivos nem representam uma receita de bolo ou alguma orientação direta para profissionais de gerações A ou B. Mas sem dúvida são itens que teriam me ajudado muito se eu tivesse lido, entendido e aplicado há 25 anos.

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