Chicago Bulls — Guia NBA 2017/18

Ventos tenebrosos sopram em direção a cidade de Chicago…

O Chicago Bulls vem sendo uma zona nos últimos anos. Sabe aquilo que você olha e pensa: “não tem como dar certo”? Então não vem dando nada certo. Tudo parece sendo jogado ao léu e a unica coisa que eles tão sendo bons é em serem ruins.

Mas, existe o ditado: até no concreto mais duro florescem as mais belas flores (nem deve existir, mas faz sentido pro que vem em seguida). Então, nesse caos todo surgiu um dos jogadores mais eficientes de toda a NBA, Jimmy Butler. Jimmy foi um dos fatores mais importantes para que o Bulls brigasse para ir aos playoffs em 2015/16 e conseguisse ir na temporada passada.

Chegou a inter temporada e o Bulls troca Jimmy Butler. “MAS COMO ASSIM? Não é ele que vinha salvando a franquia?”, você deve ter pensado. E você tá certo. Jimmy Butler vem salvando a franquia. E, por isso, era um bom ativo para troca. O Bulls falhou em construir um time em torno dele para conseguir ser campeão (ou ao menos brigar por isso). Então é melhor aproveitar em quanto Jimmy tem um excelente valor de troca e trazer bons valores.

Vieram Zach LaVine, Kris Dunn e Lauri Markkanen. Será que valeu a pena? É isso que a gente vai descobrir nesse texto.

Como foi temporada passada?

Ano passado o time do Chicago Bulls ensaiou um primeiro passo em uma reconstrução. Isso começou com trocas que levaram Derrick Rose e Joakim Noah para o New York Knicks. Os ex-MVP e ex-DPOY mais do que desempenho em quadra simbolizavam uma era que acabava. Eles eram o que restavam da equipe que brigou pela final da conferência e mais de 60 vitórias na temporada regular.

Além dele saíram Pau Gasol para o San Antonio Spurs, Tony Snell para o Milwaukee Bucks e Mike Dunleavy para o Cleveland Cavaliers. Do draft veio Denzel Valentine. O jogador tinha uma grande expectativa em torno dele por conta de seu desempenho. Mas, o que mais preocupava eram as lesões.

Perder algum dos principais jogadores significa rebuild, né? É. Mas só se Dwyane Wade não quiser vir para o seu time. O jogador decidiu sair do time do Miami Heat e voltar para a terra natal. O time acabou indo atrás de Rajon Rondo e Michael Carter Williams para completar a equipe.

O time, com tantos jogadores que estão acostumados a ter a bola na mão, parecia não ter chances de vôos maiores na temporada. Mas o início foi promissor com 3 vitórias consecutivas (inclusive sobre o time que mais evoluiu na temporada, o Boston Celtics). O time mostrava bastante desenvoltura em quadra e inclusive bom desempenho nas bolas de 3.

Pena que isso não se manteve por um bom tempo e o time engatou uma sequencia de três derrotas também. No geral o time foi bem inconstante. Contou também com um elenco rachado em que Rajon Rondo se voltou contra Dwyane Wade e Jimmy Butler.

Os talentos individuais da equipe levaram o time pros playoffs. Wade fez uma temporada boa, não espetacular. Foi 18.3 pontos por jogo (segunda pior marca da carreira), 4.5 rebotes e 3.8 assistências.

Mas, o grande colosso foi Jimmy Butler. Tendo jogado incríveis 37 minutos por jogo, conseguiu 23.9 pontos, 6.2 rebotes e 5.5 assistências. Sua porcentagem de acerto nos arremessos também chama atenção com 45,5%. O que mais chama a atenção é o poder de decisão de Jimmy Butler decidindo vários jogos.

Boa notícia também para o Brasil, com Cristiano Felício continuando no seu caminho de evolução. Ele aumentou os minutos de 10.4 para 15.8, aumentou os pontos de 3.4 a 4.8, os rebotes de 3.3 a 4.7 e o número de jogos de 31 a 66. O mais impressionante é olhar a porcentagem de acerto no arremesso com 57,9%. Ele acaba não arriscando mais do que sabe. Seus números acertados para 36 minutos são de 10.9 pontos e 10.8 rebotes, suficientes talvez para ser cogitado num all-defense second team.

O time na temporada regular acabou ficando na 8 posição do leste. Conseguiu, por incrível que pareça, um recorde pior que na temporada anterior, caindo de 42 vitórias para 41.

Nos playoffs o time até acenou com uma recuperação vencendo os dois primeiros jogos contra o Boston Celtics. Mas, acabou sendo eliminado por 4 a 2. O time terminou com Rajon Rondo, Dwyane Wade, Jimmy Butler, Nikola Mirotic e Robyn Lopez.

O que mudou?

Muita coisa. O time acabou entrando friamente no processo de rebuild. Saíram Rajon Rondo, rumo ao New Orleans Pelicans; Dwyane Wade, rumo ao Cleveland Cavaliers; Michael Carter Willians sem time; Isaiah Canaan foi para o Oklahoma City Thunder.

Mas, o movimento mais importante foi o da ida de Jimmy Butler para o Minnesota Timberwolves. O que foi falado eu repito aqui: Jimmy era o melhor jogador da equipe, mas não conseguiriam fazer um time bom ao seu redor. Precisava ser trocado.

O time recebeu Zach LaVine, Kris Dunn e a 7ª escolha do draft que virou Lauri Markkanen. A real? É pouco. Muito pouco para um cara no nível que o Butler está. Posso dar com os burros n’água e os três virarem all-stars num futuro próximo, mas, era possível conseguir um pacote melhor.

Para mostrar que o tank não é brincadeira, o time ainda renovou com Nikola Mirotic por US$ 26 milhões por 2 anos. Parece que os dirigentes do Bulls olham a reunião e se perguntam: “Como a gente vai conseguir deixar esse time o pior possível para ir bem no draft?”.

O time titular, quando todo mundo estiver saudável, provavelmente será Kris Dunn, Zach LaVine, Paul Zipser, Lauri Markkanen e Robyn Lopez.

Jogador destaque

Zach LaVine está lesionado, mas é sem sombra de dúvidas o jogador mais pronto desse time. Nos últimos anos acabou evoluindo muito bem nos dois cantos da quadra e deixou de ser apenas o enterrador que vinha sendo nos últimos anos.

Chegou a incríveis 18.9 na última temporada, em um time que tinha Andrew Wiggins e Karl Anthony Towns como principais pontuadores. Tem possibilidade de ter mais de 20 pontos por jogo e dominar as ações ofensivas da equipe. Num futuro próximo pode ser all-star.

Potencial revelação

Lauri Markkanen inspira dois sentimentos. A esperança, já que em 2015 chegou um europeu alto e habilidoso chamado Kristaps Porzingis que virou uma coqueluche na NBA. Medo por que em 2016 chegou um jogador com as mesmas características chamado Dragan Bender que ainda é uma incógnita — e um pouco de decepção.

Bom, não se sabe se ele ainda é cru para a NBA, mas se seguir a toada que mostrou no último Euro Basket, pode virar um excelente negócio para o Bulls. Ele conseguiu incríveis 19.5 pontos e 5.7 rebotes de média no torneio. Podemos ver um novo Dirkzinho surgindo.

Expectativa na temporada

A real: se o Bulls não for o pior time da NBA vai ser por causa da conferência fraca que se encontra. Mas, tranquilamente vai ser o pior time do Leste. É muito difícil que alguém consiga ser pior assim. Como base de comparação, o melhor jogador da equipe vem de lesão e era o terceiro pior do Wolves, um time que não conseguiu playoffs.

Mas, isso pode se provar um bom negócio. No ano seguinte, Luka Doncic entra na liga (o melhor prospecto desde Lebron James da vez) e conseguir ele pode ser uma boa prum time em reconstrução.