Guia NBA — Cleveland Cavaliers: A sede por grandeza de LeBron James continua

Com o título em casa, a franquia vai para a nova temporada no inédito papel de atual campeão

Ame ou odeie, o cara é um dos maiores da história (Erik Drost/Flickr)

Interessante como a temporada passada se resume à poucas cenas. Nas finais entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors vimos uma das séries mais espetaculares já vistas, uma virada histórica, muito trash talk e competitividade. Mas se perguntarmos a alguém quais são suas lembrança desses 7 jogos, no hall de imagens que se desembaralha na memória surgem quase que invariavelmente duas cenas. A bola decisiva e de sangue-frio de Kyrie Irving e o belíssimo toco do tanque de guerra com o número 23 no uniforme.

A vida vitoriosa da franquia de Ohio é bastante recente. das 20 temporadas (de um total de 47) que o time foi aos playoffs, 7 vieram no período pós-entrada de LeBron James. O homem não é chamado de rei à toa, mas havia sido condenado por alta traição. Foi ganhar anéis em um supertime, o que levantou dúvidas, quanto suas às capacidades.

Agora o troféu está em Cleveland, quebrando a famosa superstição que assolava os esportes coletivos da cidade, a “Maldição de Cleveland”. James ainda está em seu caminho de grandeza, segundo o próprio, busca por reconhecimento como o melhor de todos os tempos, maior que Michael Jordan.

COMO FOI TEMPORADA PASSADA

Durante a pré-temporada de 2015–16 foram feitas muitas apostas quanto à classificações das equipes na temporada regular. Apenas uma não poderíamos chamar de aposta, o desempenho do Cavs na conferência Leste.

Ninguém aparecia como um candidato absoluto para desafiar King James. A falta de competitividade nas primeiras posições e muitos times se preocupando num ressurgimento para 2016–17, culminou numa disputa única, entre a franquia de Ohio e o Toronto Raptors. Uma vitória de diferença separaram os dois, com o primeiro ficando no topo.

Mas a dominância do jogo e o conhecido resguardo, nas últimas temporadas, de LeBron para virar uma máquina nos playoffs foram suficientes para manter uma vantagem tranquila durante toda a temporada.

A confirmação, na verdade, é que um dos membros do “Big Trio” da franquia estava deslocado, e o verdadeiro ocupante do posto foi se fazendo mais e mais nítido com o passar dos jogos.

Kevin Love fez uma temporada bastante abaixo do que se exigia dele. As médias em si não tiveram alterações significativas. Foi de 16.4 pontos e 9.7 rebotes, da temporada anterior, para 16.0 pontos e 9.9 rebotes. O preocupante foi o seu sumiço em momentos decisivos e a falta de consistência quando se precisava das suas bolas de três.

Isso acabou sendo ocupado por J.R. Smith. A movimentação, a habilidade em jogar sem a bola e o casamento com o jogo de James fizeram do ala-armador uma importantíssima peça do time, principalmente, nos playoffs em que seu jogo até melhorou. A precisão nos triplos foi de 40% para 43%.

James e Irving, foram sedentos para a pós-temporada. Com time saudável, sem lesões e o alto nível demonstrado na temporada regular, o desempenho nos playoffs decolou. O armador pulou de 19.6 pontos para 25.2 pontos, além da cesta do título.

Já King James, bem… um cara que liderou as finais em todas as estatísticas,com quase um triplo-duplo de média, não tem muito mais o que dizer. MONSTRO!

O QUE MUDOU?

Naturalmente que os donos, diretores e executivos não deixariam a base de um time campeão desmantelar-se.

LeBron renovou por três anos, o maior salário da liga. Irving, Love e Tristan Thompson estão garantidos por um bom tempo, além de reservas pontuais como Richard Jefferson e Iman Shumpert também não são problemas.

Até mesmo J.R., depois de uma tremenda novela, renovou por cerca de 15 milhões por ano, durante 4 temporadas.

Da maneira que gosta, James terá quase todos os seus amiguinhos de volta. Quase, pois as reposições imediatas que existiam em Matthew Dellavedova e Timofey Mozgov fizeram seus próprios caminhos. Um foi participar da da evolução do Milwaukee Bucks e o outro foi ser titular no Los Angeles Lakers.

Porém, para isso também foram trazidos reforços pontuais. Para a vaga do pirulitão russo foi trazido… sim… ele mesmo… BIRDMAN, Chris Andersen, tendo no elenco, assim, um pivô mais enérgico e com melhor qualidade de passe.

Na armação chega o rookie baixinho Kay Felder. Além do nome bacana o cara é dono de um pulo vertical absurdo, 44 polegadas (ou cerca de 1,15m). Isso e sua consistência no ataque lhe garantiram uma vaga na NBA apesar dos 1,75m de altura. Tyronn Lue já decretou, ele é o reserva de Irving!

Houve ainda a aquisição do ala-pivô, que também faz a posição 3 James Jones. Podendo ele ganhar bastante espaço na rotação dependendo das atuações de Love.

NOSSA OPINIÃO

É impossível olhar para o Cleveland Cavaliers e não ver uma equipe pronta para disputar mais um título.

Os nomes mais importantes da campanha passada foram mantidos e valorizados com salários novos. A renovação de J.R. Smith foi um ponto chave, dificilmente achariam um jogador que se encachasse tão bem e rápido no time titular da equipe, além de conferir o mesmo jogo off-the-ball do ala-armador e seu entrosamento com a estrela do time, LeBron James.

Por falar em James, ele está bem abaixo nas apostas para MVP dada a perspectiva de evolução de algumas estrelas e um possível acalmamento, já que o objetivo de trazer o troféu para Ohio foi cumprido. Vejo muito pelo contrário, ele não parece interessado em diminuir a marcha e um segundo título seguido e, no mínimo, números de Jogador Mais Valioso podem ser esperados do ala.

Jogadores como Irving e Thompson costumam ser muito regulares em suas funções e dificilmente decepcionarão. A confiança pode, até conferir um aumento no desempenho do Uncle Drew. Enquanto o ala-pivô, que virou oficialmente um pivô na temporada passada, já há um bom tempo é o jogador mais consistente na posição, pela franquia.

Shumpert e Love podem estar com a corda um pouco no pescoço. O forward não tem más médias, mas desaparece em momentos decisivos, inclusive vendo a minutagem de Jefferson ser maior que a sua durante as finais. E o guard não é o mesmo desde a lesão que tirou sua titularidade e viu J.R. se consolidar nos 5 iniciais.

Ambos são moedas de troca valiosas e já sondadas por outros times. O desempenho na primeira metade da temporada e as vontades do quase-presidente LeBron podem chegar a um ponto de levar às suas trocas por peças mais consistentes, ou no mínimo promissoras. Até para posições diferentes, pensando numa evolução do jovem Jordan McRae

As saídas de Delly e Mozgov parecem mais duras do que realmente são. O jogo de defesa e passe a partir do garrafão de Chris Andersen será muito útil para a movimentação dos pontuadores. Enquanto na armação Kay Felder parece poder suprir o australiano, além de Mike Dunleavy, que faz bem a função de ball-handler.

Para somar a necessidade de substituir a energia de Dellavedova, DeAndre Liggins, defensor de muita qualidade, como mostrou na D-League, na filial do Miami Heat.

O time titular dessa máquina é óbvio. Irving, J.R., LeBron, Love e Thompson. Alterações na organização desse time parecem ser possíveis apenas por conta de lesões ou trocas que possam acontecer. Mas, a princípio, essa é a pedreira que todos tentarão superar do Leste!

Dados: Basketball Reference, RealGM, ESPN