Guia NBA — Miami Heat: Ver Dwyane Wade sem esse uniforme será doído

Sem a mesma pompa a temporada será de provação

Imagem na cabeça de muitos que fará falta (Alexandra Walt/Flickr)

A base de fãs do Miami Heat é bastante recente, em relação às outras franquias. Isso é explicável pela sua própria criação, vinda de uma expansão da liga em 1988. O que na verdade causa um espanto ao olhar o tremendo sucesso em tão pouco tempo.

Passou por uma era de esperança com os senhores de uniforme aposentado, Alonzo Mourning e Tim Hardawy, na metade dos anos 90 e começo dos 2000. Pela chegada de Dwyane Wade, mais um tal de Shaquille O’Neal, que trouxeram o primeiro título. O famoso Big Trio formado por seu ala-armador, Lebron James e Chris Bosh. E os tempos que vemos agora, de revitalização do elenco, mas não necessariamente buscando uma reconstrução pesada.

Infelizmente, essa temporada será bastante ímpar para o torcedor do Heat. Wade não estará no uniforme #3, voltou para sua cidade-natal, Chicago. Bosh não joga mais pelo time, os médicos o diagnosticaram novamente com coágulos de sangue na perna, mas tem bastante imbróglio nisso por conta do seu salário.

A bucha agora fica nas mãos de Hassan Whiteside e Goran Dragic. Que se quiserem pegar playoffs, deverão aumentar suas contribuições ofensivas se quiserem garantir um lugar confortável nos playoffs.

COMO FOI NA TEMPORADA PASSADA

Depois de um 2014–15 amargo, sem pós-temporada e um sem sal 10ºlugar, o Heat mandou bem. Voltou aos playoffs com certa propriedade.

O time e si não mudou tanto de uma campanha para outra em suas peças fundamentais. Na verdade suas principais referências até diminuíram o passo (ninguém consegue vencer a idade, né?), mas o entorno melhorou. Para a temporada 2015–16, Wade, e Bosh durante certo tempo, foram cercados de talentos mais jovens e com boas perspectivas de melhora. Sabe como é, Pat Riley sabe o que faz.

Suas duas apostas Dragic e Whiteside começaram a dar resultado, e se mostrar em um incrível entrosamento. O primeiro teve médias de 14.1 pontos e 5.8 assistências; já o segundo um duplo-duplo 14.2 pontos e 11.8 rebotes, além da liderança nos tocos por jogo com 3.7 e triplos-duplos com mais de 10 tocos; tudo isso o rendeu um lugar no Time Defensivo da Liga.

Luol Deng manteve a consistência pelo qual é conhecido e preferido por muitos treinadores, 12.3 pontos por jogo. E muito importante, chegou Justise Winslow, a opção de ala jovem, forte e pronta para a NBA que o Heat precisava, afinal o mesmo Deng que citado não tem uma efetvidade defensiva tão louvável.

Obviamente não foi uma temporada de Big Trio, mas foi possível ver bons sinais das peças de composição do time. O ótimo Erik Spoeltra soube, sobretudo, aproveitar o elenco plural que tinha em mãos. Dando espaço à qualidade defensiva que o time tinha com Whiteside, Wade e Winslow; deu chances para os brilhos esporádicos de caras como Josh Richardson e Tyler Johnson. Tudo isso mostrou ainda mais a qualidade do treinador.

O QUE MUDOU?

Ah, meu amigo! É nessas mudanças que entram a problemática. Pra começar do mais óbvio vamos aos jogadores que não passearão mais pelas praias da Flórida.

Depois de 13 anos, 3 aneis e enterradas brutas sem se preocupar se à sua frente era pivôs de 2,15 ou escoteiras vendendo biscoitos, D-Wade foi embora. A franquia o ofereceu 40 milhões de dólares por 2 anos, o ala-armador queria 50. No meio desse caminho e falta de acordo veio o time de sua cidade natal, o Chicago Bulls com algo próximo do interesse do jogador (barulho de caixa registradora).

Além da perda de seu principal ídolo, há o caso da doença de Bosh, citada no início, que pode muito bem transformar o Heat em um vilão, pois há a chance de dispensá-lo no dia 1º de Março, para não precisar os 76 milhões de dólares que o jogador tem de salários garantidos.

Soma-se a isso a saída de Deng, na qual o time perde uma força ofensiva nas bolas de média e longa distância bastante sólida.

A resposta à isso foram contratações para suprir posições, mas que, de longe, não poderão contribuir da maneira que os outros contribuíam. Dentre os principais nomes da nova folha, está o ala e ala-pivô Derrick Williams, um cara bastante inconstante nas atuações, mas que finalmente terá um maior tempo de quadra para provar ser a segunda escolha geral no draft de 2011.

Chegam também Dion Waiters e Wayne Ellington, para tentar suprir o protagonismo na posição 2; James Johnson para brigar por um espaço com Williams na frente; e Luke Babbitt como alternativa ao ala alto e eficiente nos triplos como tínhamos em Deng. Volta ainda da free agency inflada Tyler Johnson ganhando 50 milhões por 4 anos (cerca de 10 milhões nos dois primeiros anos e o restante dividido nos dois últimos).

NOSSA OPINIÃO

Wade foi embora, os acordos não vieram. Diferentemente do sentimento no San Antonio Spurs e no Los Angeles Lakers, não é o caso de ver seu ídolo pendurar as chuteiras (no caso tênis de basquete) e vê-lo apenas de terno nos jogos do seu time.

Essa é a crueldade da relação que a idolatria por um atleta de determinado time pode trazer, quando o peso do financeiro e negociações o afastam da realidade do torcedor. Resta, a princípio, o amargor de vê-lo em outras cores, com outros torcedores se empolgando com suas cestas, mas manter seu uniforme guardado, afinal ele representa seu interesse pelo próprio basquete.

O Miami não vem com um time para deixar boquiaberto,a princípio. Mas a perspectiva de evolução de vários de seus jogadores é inegável, seja já para o início da temporada, seja no decorrer dela.

Dragic e Whiteside serão bastante exigidos, e caso aconteçam lesões de algum dos dois, significará uma grande ameaça às chances de playoff da franquia. Ambos não têm reservas razoáveis diretos, para o armador temos apenas Briante Weber e Beno Udrih, além dos alas-armadores que podem ser modificados. Para o pivô é mais grave, Udonis Haslem seria o mais indicado, e apesar de ser um xodó no time e ter grande significação histórica no Heat, já está bastante velho.

Caras como Derrick Williams podem muito bem ter, finalmente sua temporada de estouro. porém, confiar imediatamente que esse time dará certo é algo arriscado. Os novos rostos de uma era pós-Wade, terão uma temporada bem complicada, na qual deverão mostrar que podem carregar esse jovem, mas pesado manto do Miami Heat.

O time titular tem duas grandes certezas, na armação e no pivô. O resto é um time modificável de acordo com o desempenho,principalmente pelo histórico dos jogadores que o compõem agora. Ainda assim, assim a profundidade está bem longe do deplorável, vemos atletas com diferentes características que podem muito bem servir a diferentes momentos do jogo e ganhar a titularidade. Um belo desafio a Spoelstra.

A aposta pro time titular que começa a temporada fica em: Goran Dragic; Dion Waiters; Justise Winslow; Derrick Williams e Hassan Whiteside. Com uma possibilidade de modificação na posição de Winslow, que segundo rumores, está sendo cogitado para jogar como um ala-pivô em alguns momentos, dada a sua eficiência defensiva, e atleticismo em praticá-la.