Guia NBA — New York Knicks: Supertime ou superaposta?

Nomes de peso como Derrick Rose e Joakim Noah chegaram, mas precisam se provar

A única temporada que passaram juntos, de Melo e Porzingis, é crucial para um bom começo do time na temporada (Keith Allison/Flickr)

Muita coisa aconteceu na off season em Nova Iorque. Mudanças radicais no elenco, bem como no seu valor agregado. Aparentemente acabou a paciência, nada de mudanças drásticas em corpo diretor, Phil Jackson e Steve Mills estão firmes e fortes no projeto “Knicks de volta às glórias”, mas a ordem agora é ir aos playoffs.

Sabemos que dinheiro jamais será problema. A cidade é efervescente na parte econômica, o bastante para colocar a franquia acima de outros times com mais títulos na lista da Forbes das marcas mais valiosas da NBA (valendo 3 bilhões de dólares).

Sinatra já sabia: “Se conseguir fazê-lo aqui/Posso fazê-lo em qualquer lugar/ É com você/ New York, New York!”. Porém, colocando essa música num sentido contemporâneo e aplicando ao desempenho recente da franquia, mesmo em sua gestão, isso quer dizer: “As coisas aqui tão feias, se conseguir arrumar isso, provavelmente resolve até os conflitos mundiais!”.

COMO FOI NA TEMPORADA PASSADA

O elenco da temporada passada não era um time para playoffs, era um elenco de transição e evolução de peças jovens que pudesse servir no futuro nem que fosse o banco. Phil Jackson sabe o que faz, o time da temporada passada foi montado pensando na free agency que acabou de passar.

(T.J. Hawk/Flickr)

Além de Carmelo Anthony não víamos nem mesmo coadjuvantes que pudessem aparecer vez ou outra para dividir responsabilidades. Os playoffs eram improváveis, mas como disse, estava nos planos. O foco era ver quem poderia seguir na montagem de um elenco que iria ser montado visando bater os atuais times “materiais de campeão”. Num geral não vimos muito disso, ficou tudo muito nas costas de Melo, e Derek Fisher como treinador passou longe de ser uma boa ferramenta para treinar os jovens.

Porém, apareceu uma luz. Um pirulitão, ou piruletão (perdão pela piada), loiro escolhido com o 4º pick que a franquia tinha no draft de 2015. Kristaps Porzingis só não foi mais vaiado que o Carlinhos Brown no Rock in Rio. E de certa maneira isso foi bom, tudo bem, a torcida queria um armador, era crucial para a montagem da equipe, mas as poucas expectativas locais no ala-pivô fizeram as ótimas atuações dele brilharem mais, nasceu ali o mito de Porzingod.

14.3 pontos, 7.3 rebotes, 1.9 tocos, 42.1% de acerto nos arremessos de quadra e 33,3% nos triplos. Essas foram suas médias de calouro, que o garantiram no time de rookies e sua popularização até o aproximou de um All-Star. Tudo isso fora o atleticismo, a capacidade ofensiva e o bom arremesso de longa distância que o diferem dos caras de sua altura.

A princípio, Porzingis foi o principal ponto positivo na temporada que passou, nada de mais louvável, afinal o interesse era nesse 2016–17.

O QUE MUDOU

MUITA COISA! Cara, quanta coisa mudou. Pra se ter ideia o time saltou de um salary cap de, mais ou menos, 76 milhões de dólares pra 104 milhões em previsão de salários para esse ano.

Chegaram Derrick Rose, por troca, e Joakim Noah como agente livre, pra completar o time ainda veio Courtney Lee,ex- Charlotte Hornets. Nominalmente está ótimo nessas três principais contratações temos um grande time, juntos trazem 1 MVP, 1 Melhor Defensor da Liga, 5 All-Stars, 2 seleções para o 1º time ideal da liga e 3 seleções para o time defensivo.

Vamos ao mais simples do que se pode falar sobre duas dessas contratações. Rose e Noah tem corpos mais frágeis do que a vassoura que compramos nos R$ 1,99 Brasil à fora. Ambos tiveram seus momentos de destaque no Chicago Bulls, o que gerou um imenso brilho nos olhos de seus torcedores, mas uma tremenda irregularidade nasceu de um histórico de lesões enorme.

A temporada passada foi a primeira que o armador jogou mais de 60 jogos desde 2011-2012. Alguns lampejos do cara que flutuava no ar no meio de Lebron James e Dwyane Wade, mas nada além. As médias em si não foram ruins 16.4 pontos e 4.7 assistências, mas ainda estamos falando de um cara que nomeou uma regra para que atletas com suas conquistas nas primeiras temporadas pudessem conseguir salários máximos. Na verdade, ele vem mudando seu jogo, passou a chutar mais média distância ou de fora, e usar seu atleticismo e seu hesitation matador(drible em que o ball handler muda de velocidade) para abrir espaços pros outros.

Noah é menos delicado no tanto de tempo que fica fora, historicamente. Mas temporada passada entrou em quadra apenas 29 vezes. Das contratações que vão desses citados a reservas como Brandon Jennings, a que parece uma aposta mais consistente é a de Courtney Lee. Ele chega para ser o especialista de longa distância, alguém de quem não se espera contribuições enormes e fará movimentações ofensivas sem a bola mesmo, provavelmente dependendo dos pick and rolls dos pivôs.

E qual a melhor opção com técnico para cuidar de tudo isso? Jeff Hornacek que em Phoenix não conseguiu provar nada. Até então Jeff provou apenas que como treinador ele é um bom jogador.

NOSSA OPINIÃO

Pessoalmente, não vejo esse Knicks indo tão longe quanto se vende. O time está, sem sombra de dúvidas, mais forte, até o banco pode ser visto com melhores olhos. Fica o pé atrás por escolherem um sexto homem e armador reserva em Brandon Jennings, mais inconsistente que o titular, quando antes se tinha uma aposta jovem que poderia jogar tanto na posição 1 como na 2 em Langston Galloway, uma boa arma entrar e matar bolas de três e defender.

O time titular é um tanto quanto óbvio: Rose, Lee, Melo, Porzingod e Noah.

A problemática é: Vai ter bola o bastante pra esses caras jogarem juntos? Rose e Melo são jogadores para ter a bola nas mãos na maior parte do jogo, porém para validar uma esperada evolução de Porzingis ou para gerar uma movimentação de Lee por dentro do garrafão (o backdoor) é necessário que eles soltem mais a bola.

Estamos falando de uma franquia histórica, que existe desde os primórdios da NBA, que jogou temporadas na vovó Basketball Association of America, a BAA. Porém, o título não vem desde 1973 (nem Patrick Ewing conseguiu trazer outros), além disso não vemos uma sequência consistente de temporadas desde Jeff Van Gundy, irmão do treinador do Detroit Pistons Steve Van Gundy, nos anos 90 e começo dos anos 2000.

Entretanto, a estratégia pra essa temporada pode dar certo, se as peças trazidas fizerem o mínimo esperado. O suposto “supertime” pode quebrar a cara de muitos críticos (inclusive eu, e seria bom que o fizesse, pelo basquete).