NBB — Semana 24: Os jovens talentos brasileiros

Gabriel Jaú do Bauru e Yago do Paulistano mostram que o futuro pode ser sim maravilhoso

Do armador ao ala, os jovens — entre os jovens — são maravilhosos no basquete brasileiro (Divulgação/LNB)

Nessa semana, saiu no portal Jumper Brasil que 4 são os brasileiros com candidaturas feitas para o Draft da NBA. Mogi e Georginho do Paulistano; Lucas Cauê e Aquiles do Pinheiros. Nunca se sabe se eles vão manter a candidatura. Provável que alguns tirem como Wesley Sena fez ano passado. Mas, há uma expectativa. Segundo o mesmo Jumper, 10 franquias já mandaram olheiros para conhecer George de Paula.

Georginho é um dos futuros do Brasil no basquete (João Neto/LNB)

Além do armador, outro jogador que está sobre o radar da liga é o seu companheiro Lucas Dias. Ele chegou a se candidatar em 2015, mas, acabou também retirando sua candidatura. Esse ano ele é elegido automaticamente ao draft por completar 22 anos, mas não se imagina inicialmente ele sendo escolhido. De acordo com Lucas Pastore, do Lance, ele pode tentar uma chance na Summer League, junto com Lucas Mariano.

Se não for esse ano, no draft de 2018 é quase certeza que teremos ao menos um jogador brasileiro entrando. Felipe dos Anjos do Real Madrid, com 2,21m, é escolha certa no draft (provavelmente de primeira rodada inclusive). Ele é bem magro, mas é muito alto e sabe arremessar.

Em 2018 ouviremos o nome de Felipe ser chamado (Nike/Divulgação)

Mas, hoje vamos analisar o desempenho desses jogadores com chance de NBA? Não. Vamos analisar um pouco outros dois nomes, mais jovens, mas que tem tudo para brilhar em pouco tempo. Aliás, nesses playoffs eles vem mostrando não só características atrativas para o basquete moderno, mas já tendo atuações muito boas. São eles: Gabriel Jau do Bauru e Yago do Paulistano.

18 anos, 18 minutos, 17 pontos de Jau

Gabriel Jau tem apenas 18 anos e está ganhando espaço na rotação da equipe do interior paulista agora. São 2,02m de altura, jogando na posição tanto de ala, quanto ala-pivô. Se, num futuro próximo, adentrar na NBA, seria com certeza ala em tempo integral, por conta da altura.

Como ala o que ele pode fazer? Jaú é bom no jogo de perímetro e pode ficar muito bom. Isso se deve a dois fatores. Já com 18 anos ele tenta bastante, 1.08 por jogo tendo apenas 7 minutos em média de quadra. É pouco para analisar, mas ele vem bem com 38%. A ideia é que com o ganho de massa, de experiência, ele pode melhorar isso. Vem muito por conta de ter ao seu lado um bom tutor nessa área, Jefferson William.

Jefferson é um dos melhores grandalhões na cesta de três em todo o NBB. 2.58 cestas convertidas em 6.12 tentadas, com 42,1% de acerto. Normalmente, quando entra de ala-pivô, entra no lugar de Jefferson, algo que faz com que ele tente mais o chute de longa distância.

Jaú parou o forte time do Brasília (Caio Casagrande/Bauru Basket)

Mas, apesar dessas características importantes do perímetro, o principal jogo de sua carreira, aquele em que fez seu melhor desempenho, Jau deu um show nos arremessos de 2 pontos. Isso foi no segundo jogo das quartas contra o Brasília fazendo 17 pontos em 21 tentados em 18 minutos. O mais interessante é analisar principalmente seu terceiro quarto.

O time do Bauru estava em quadra com Gegê, Alex Garcia, Leo Meindl, Jaú e Jefferson. Percebe-se aqui uma formação mais de small ball, leve, ligeira que a habitual com Shilton brigando no garrafão. Jaú aproveitou que do outro lado quem sobrou para marcá-lo foi Giovannoni, que não é tão bem conhecido pela sua defesa (em oposto ao seu ataque) — o time de Brasília em quadra era Fulvio, Deryk, Pilar (Alex), Giovannoni e Lucas Mariano. O que acontece? Jefferson, por ter por característica a bola do perímetro chama a marcação para fora do garrafão. Lucas Mariano e Giovanonni se confundem em quem marca ele e sobra para Jaú, desconhecido no geral — com caracteristica mais chamativa para a cesta de 3 entrar e fazer a festa no garrafão. Tanto que dos 11 pontos, 8 deles foram marcados de cestas de 2 pontos (4 das 7 cestas convertidas em todo o jogo).

O que esse jogo mostra? Versatilidade na pontuação. Ele consegue ir bem tanto dentro quanto fora do garrafão e tem tudo para evoluir mais quanto a isso. Ele consegue jogar bem defendendo, mesmo não sendo ainda excelente nisso. Giovanonni nesse jogo foi reduzido a apenas 5 pontos de 19 tentados.

Por essas caracteristicas, Jaú é uma joia a ser lapidada, um talento a ser observado de perto que pode tanto dar frutos para Bauru quanto para a seleção brasileira nas próximas décadas.

O general da quadra Yago

Yago, assim como Jau, é novo. Tem apenas 17 anos. Antes era jogador do Palmeiras, ou seja, apenas disputava a base. Mas assinou com o Paulistano, e, mesmo sendo o terceiro armador do time do Paulistano (algo que não é algo tão ruim quanto soa, já que Georginho é um combo guard, joga muitas vezes de ala-armador) vem mostrando coisas extremamente interessantes nesse playoff.

Quando está em quadra ele vem dominando para si o jogo. Ele tem usage de 25%, primeiro lugar em geral entre os jogadores da equipe. É verdade que são apenas 7,5 minutos por partida, mas isso indica que nesses 7,5 minutos ele tende a dominar a quadra. É verdade também que a porcentagem de acerto de arremesso não ajuda muito, é aproximadamente 33%, mas por outro lado são 1,5 assistências e apenas 0,5 erros.

O jogo contra o Basquete Cearense mostrou a força de Yago ( João Pires/LNB)

Yago pode ter dificultada a sua vida em ligas mais competitivas por conta de sua altura — apenas 1,78. Mas, sabemos que um jovem de 17 anos ainda pode crescer — mesmo que não seja provável -, e que entra o fator velocidade, e força de vontade. Desculpe o perdão do trocadilho, mas Yago joga como gente grande quando está em quadra. Isaiah Thomas pode ser um clichê, mas um imapacto grande de um jogador numa caracteristica mal vista no basque abre portas para outros.

Yago ainda pode demorar para conseguir cavar seu lugar no time titular do Paulistano. Afinal, não é fácil tirar nem Georginho nem Arthur Pecos do time titular. Mas seu valor vai sendo provado quando entra.

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