Quais são os vencedores entre Kyrie Irving, Isaiah Thomas, Boston Celtics e Cleveland Cavaliers?
Quando todo mundo pensava que tinha acabado, a free-agency traz mais um negócio bomba

Imagina que você é um jogador e grande prodígio do esporte. Vai jogar um dos maiores campeonatos do planeta. Você se destaca, chama a atenção de todos. Aí, o melhor atleta da sua modalidade vira teu companheiro de equipe. Aquelas suas performances individuais que chamavam a atenção viram conquistas coletivas. Você chega a finais. Você levanta troféus. Você vira inclusive um esportista melhor. Mais dominante. Com mais impacto.
Você faz uma partida fenomenal! Pensa em acordar no dia seguinte e ver sua foto na capa dos jornais, seu nome falado por todos locutores de rádio do mundo. “O MELHOR DE TODOS”, “DESTRUIU NA PARTIDA”, coisas assim passam pela sua cabeça.
Mas não. Se lembra do melhor atleta da modalidade que virou o seu companheiro? Então é o nome dele que está lá. Você faz outra grande atuação. E o nome dele que reaparece. Repetidamente. Sempre. Toda santa vez. Você se irrita. Quer ter protagonismo. Sabe que pode ter.

O melhor atleta do planeta estar ao seu lado é maravilhoso. Você aprende muito com ele. De verdade. Mas ele ainda tem uns bons anos de dominância. E isso vai comer seu auge. Seus melhores anos como atleta, o ápice da sua forma física serão gastos sendo coadjuvante de alguém. E você não deseja isso. Nunca! Não quer chegar nos seus 40 anos, carreira esgotada e ficar na sua cabeça: “e se…”. Você não gosta de “e se”. Você quer tentar.
Kyrie Irving e Neymar
A história que narrei acima foi uma fantasiação do que poderia ter acontecido na cabeça de Kyrie Irving nos últimos meses. Eu não gosto de comparar basquete e futebol, mas é muito parecido do que Neymar deve ter pensado. Kyrie quer ser mais que a sombra de alguém. Neymar também.

Neymar tem Champions League, Campeonato Espanhol, Libertadores e Olimpiada. Ele chegou no topo do mundo futebolistico. Mas, se não fizesse nada seria lembrado eternamente como o parceiro de Lionel Messi.
Kyrie virou uma estrela na NBA e conseguiu chegar aonde muitos nunca almejaram. Foi campeão e tem um anel. Em questão de coletividade não falta mais nada. Mas ele não quer ser lembrado na história como o parceiro de Lebron. Ele quer ser lembrado como Kyrie Irving. É meio que o caminho oposto de Kevin Durant, desistir da gloria coletiva para a glória individual. É o que Russell Westbrook foi forçado a seguir.
Por isso, durante toda a offseason soubemos que o (agora) ex-armador do Cleveland Cavaliers queria ser trocado. A gente, com a cabeça completamente diferente do jogador — deus me livre ser terraplanista — não entende. Óbvio, quem gostaria de sair do time que tem a segunda maior possibilidade de ser campeão? Mas não tem como culpar Kyrie. Desde o momento que ele entrou na NBA, todo mundo sabe que ele tem material para ser protagonista. Todo mundo sabe que Irving tem potencial para ser uma estrela.
Mercado fraco para armadores
O Cavaliers entendeu isso. Mas havia um problema: o mercado estava extremamente saturado de armadores. Os melhores times os tinham — como destaques da equipe, normalmente. Os que precisavam, conseguiram através de escolhas do draft. Só na primeira rodada foram 5 PGs escolhidos. Por que raios um time ia deixar de lado um jovem — e barato — prospecto para investir num jogador caro? Não valia a pena. O próprio Cleveland conseguiu uma barganha com Derrick Rose pelo mínimo.

Outra coisa que incomodava era que, se o time ia se despedir do segundo melhor jogador, o pacote tinha de ser bom. Há boatos que Lebron James pode sair no ano que vem da equipe. Vamos assumir que ele queira sair de verdade. Então, o time precisava de duas coisas:
- Alguém que não fizesse o nível cair bastante e desse a possibilidade de brigar lá em cima — o que pode fazer James mudar de idéia
- Um jeito de conseguir peças ou escolhas para montar um futuro rebuild.
Boston Celtics salvou a pele do Cleveland
O Boston Celtics apareceu exatamente com o pacote que a equipe precisava. Tinha um substituto a altura de Kyrie (ou até maior), um jogador interessante para o elenco, uma promessa e escolhas de draft. Maravilha! O Cleveland recebeu:
- Isaiah Thomas, que, se não tem o mesmo potencial que Kyrie, foi igual ou até melhor que ele na última temporada;
- Jae Crowder, um dos melhores defensores e um dos jogadores mais versáteis da liga;
- Ante Zizic, um pivô com muito potencial;
- A escolha do Brooklyn Nets para o próximo draft, que, levando em conta as projeções, tem tudo para ser um top 5.
Um pacote melhor que esse por um jogador que quer sair é impossível. Para analisar essa troca, resolvemos responder algumas perguntas capciosas.
A troca para o Celtics faz sentido para o Kyrie?
Kyrie queria ser uma estrela e ter mais protagonismo. Sair do lado do maior jogador da NBA já seria vantagem. Mas, não é só isso, o Boston Celtics tinha um franchise player na temporada passada: Isaiah Thomas. Dessa forma, Irving tem toda e total condição de assumir a posição de joagdor mais importante da equipe.
Alguns podem argumentar: e Gordon Hayward? Hayward, que veio do Utah Jazz na agência livre, tem menos peso, hype e estrela que Lebron James. Isso é um fato que nem o mais fanático torcedor pode negar. E outra, Gordon era o principal jogador do Jazz para a maioria, mas não para todos. Muitos podiam duvidar dessa condição devido a força que Rudy Gobert tinha ano passado.

Por fim, Irving não encontra no Celtics um time pronto como tinha em Cleveland, mas a distância é melhor que o do esperado. Ano passado, o duelo entre Boston e Cavaliers foi na final de conferência — e depois do time verde ter ficado em primeiro na temporada regular. E é um time da conferência Leste, onde a concorrência de astros é menor. Se não está no melhor time da conferência, está no segundo melhor. É o melhor destino para o Kyrie Irving tentar assumir o seu protagonismo.
O que muda para Isaiah Thomas?
Para Isaiah Thomas, talvez a troca tenha sido bem mais dolorida. Isso porque foi no Boston Celtics que ele se firmou como jogador de alto nível e não tinha interesse nenhum em sair de lá. Inclusive, ganhando bem menos que os jogadores de seu patamar, fechou a temporada com 28.9 ppg. Sem lembrar os fatos dele jogar com um dente a menos na boca e depois de ter perdido a irmã. A troca deve ter sido dolorida para ele.

No Cleveland, Isaiah não vai ter tanto a bola nas mãos. O que pode significar que os 28.9 ppg não se repitam. Mas, no geral, vai estar num time vencedor, com um elenco bem mais qualificado do que onde estava. Lebron, como companheiro, tende a fazer com que seus companheiros evoluam e tenham um desempenho melhor. Por mais que pareça fominha, ele não é. É o oposto. Thomas vai deixar de armar o jogo e passará a ser bem mais pontuador. E ele é um eximo pontuador — seja chutando ou infiltrando em velocidade.
Seu contrato é expirante. Estar num time que tem tudo para ir para a quarta final consecutiva pode fazer com que ele consiga um bom salário ano que vem. No fim, Isaiah também pode ter saído ganhando.
Como o Boston Celtics se beneficia?
Isaiah Thomas pode ter tido uma temporada melhor que a de Kyrie Irving, mas, é consenso que a curva de evolução de Kyrie é maior. Basicamente o Boston Celtics tem um jogador de qualidade semelhante, mas, que em dois, três anos pode ser bem melhor. E ele tem 3 anos a menos.

Existia uma preocupação pro ano que vem. O contrato de Isaiah se encerrava e ele — com toda a razão — queria o contrato máximo. O Boston não tinha interesse nenhum em oferecê-lo. Assim, consegue um jogador de nível parecido, mais novo, com uma curva de evolução maior e mais longevidade.
Celtics consegue ainda um jogador extremamente midiático. Vale lembrar que Kyrie Irving era a capa do NBA 2K. Se há dúvidas se Irving será o franchise player na quadra, fora dela será.
O Cleveland ficou mais forte?

Sem dúvida alguma. De Kyrie para Isaiah, a diferença é curtíssima. Para o que o Cleveland quer, Isaiah serve muito bem. Levaram ainda Jae Crowder, um excelente defensor de perímetro (que precisavam), um reserva para Tristan Thompson com Ante Zizic e tem uma escolha — provavelemente — top 5 do ano que vem.
A situação da renovação pode ser um trunfo para o Cavaliers. Se, por acaso, Lebron optar por sair, Isaiah pode renovar e ainda deixar o time competitivo. Ainda, se decidirem por um rebuild completo, tem uma boa peça pra troca — Jae — e um pivô jovem — Ante Zizic.
Num geral, repôs a perda de Kyrie com qualidade e ampliou o banco. Jae Crowder, Ante Zizic e Derrick Rose qualificam demais a segunda unidade do time.
Se fossemos apontar um vencedor, quem seria?
No geral, todo mundo teve algum benefício nessa troca. É uma win-win situation. Mas, pelo que podia ter acontecido e pelo que procurava, com certeza os grandes vencedores foram Cleveland e Kyrie Irving.
