NBA — Semana 13: Philadelphia 76ers é o melhor time do Leste no momento

Joel Embiid, mentalidade vitoriosa e a melhor defesa da liga são os trunfos do time atualmente

Acredite sempre no processo! (Ilustração:Heitor Facini/Buzzer Beater)

No dia 5 de agosto de 2016, esse que vos escreve disse em uma postagem da página Buzzer Beater que provavelmente o Philadelphia 76ers teria a pior campanha da NBA mais uma vez. Que o futuro da franquia girava em torno do recém escolhido jogar Ben Simmons na primeira posição do Draft. Hoje acho que é o melhor time da conferência e que o futuro brilha forte em Philly. Por quê? Por causa da maior surpresa até aqui dessa temporada: Joel Embiid.

Todo mundo conhece sua história: Foi escolhido em 2014 como a 3 escolha geral do Draft, mas, sofreu lesão atrás de lesão e não conseguiu nem estrear na liga. Ou seja, ele ainda é um calouro. E, basicamente, surpreendeu a todo mundo que pensou que ele não poderia ter espaço — inclusive eu. Porque principalmente que para pivô, a equipe tinha dois nomes de razoveis para bom, que era Nerlens Noel e Jahlil Okafor. Para a posição de ala-pivô tinha o já citado Ben Simmons e Dario Saric que fez uma boa olimpiada. Aonde ele se encaixaria? A questão é que Simmons, grande esperança, se lesionou e Embiid assumiu a bronca.

Como a gente define Embiid? Junta a mobilidade de Hakeem Olajuwon, o arremesso de Dirk e a defesa de Mutombo. Realmente, é meio absurdo olhar e ver o que o cara faz tendo ficado 2 anos parado. Segundo o próprio, aproveitou o tempo para ficar mais forte e ao mesmo tempo melhorar seu arremesso.

O Efeito Embiid em Quadra

Mas como um jogador pode ter esse tamanho impacto em um time só? A gente precisa pensar em dois aspectos: no jogo em si e no psicológico que se cria em torno do mesmo. Primeiro que Embiid é um excelente defensor e com ele em quadra o time melhora e muito nesse quesito. Por exemplo, quando jogam com o camaronês o time cede 98.5 pontos a cada 100 posses do adversário. Sem ele o time leva 107.8 pontos. Com ele o time faz 101.7 pontos a cada 100 posses. Sem ele esse numero cai para 97.7. Ou seja, com Embiid, o Sixers tem uma vantagem de 3.2 entre os pontos feitos e sofridos, sem ele, uma desvantagem de 10.1.

Outro dado interessante. Em média o Philadelphia cede 104.5 pontos a cada 100 posses, o 11º colocado nesse quesito na liga. Sem Embiid e com os 107.8 pontos o time cai para a 23ª posição. Com Embiid e seus 98.5 pontos a cada 100 posses é o melhor time defensivamente da liga.

Mas aí temos um problema. Embiid não joga tantos minutos, por exemplo, são 758 minutos dentro de quadra e 1374 fora dela. Isso tudo faz um tanto de sentido, pois depois de 2 anos fora por lesão é bom preservar o cara, na primeira temporada. É melhor 758 minutos que 0. Mas, ainda assim, o torcedor do Sixers pensa que Embiid pode ser monstruoso quando tiver seus 36 minutos, aproximadamente o que um starter sem minutos limitados tem quando entra em quadra. Por exemplo, com seus 25.3 minutos em média de quadra ele já tem 19.8 pontos, 7.8 rebotes e 2.5 tocos. Se seus minutos fossem os 36 ele teria absurdos 28.3 pontos, 11.2 rebotes e 3.5 tocos logo no seu primeiro ano de rookie.

Não se preocupe, homenzinho, nós dois ainda temos o mesmo numero de jogos de NBA jogados, #AcrediteNoProcesso #TodosSomosDaAfrica

Mas ok, temos que lidar com a realidade e Embiid não consegue ainda ficar 36 minutos em quadra por jogo. Então como você explica o 2017 do Sixers? Desde a virada do ano, o time é o 3º empatado com Spurs, Jazz, Wizards com mais vitórias e o 3º com menos derrotas, empatado com Hawks, Celtics, Pacers e Spurs. Estão no momento, com uma campanha de 9–4.

Mentalidade Vencedora

É meio difícil necessariamente explicar como a chave virou de um dos piores times da conferência com apenas o Embiid como atração da equipe para uma equipe com mentalidade vencedora. Antes de mais nada, esse ponto precisa ser frisado: nenhum time consegue vencer se não crer que eles possam vencer. Você pode ter os melhores, mas se não pensar que são capazes disso, você não vence, não adianta. O Bola Presa, ao falar do Memphis Grizzlies de David Fizdale, fez um texto bacana sobre isso.

Aqui vai um palpite meu. O espirito de Joel Embiid contaminou todo o elenco. Além do excepcional desempenho dele dentro de quadra, Joel é um monstro de carisma fora dela. Isso fez com que ele virasse o xodó de toda a liga. O vestiário, com ele, deve ter ficado bem mais leve. Deve ter mostrado para o resto da equipe que era possível vencer. TJ McConnell virou uma espécie de John Stockton desse século, Robert Covington virou tão clutch quanto um Paul Pierce no auge e Dario Saric adiquiriu a técnica de um Toni Kukoc.

Mais clutch que eu?

Aparentemente, Joel Embiid e Brett Brown colocaram na cabeça dos jogadores que é possivel ganhar todas as partidas que tentarem. E até sem Embiid o time funciona, como mostram os jogos contra o Clippers (121 a 110) e contra o Milwaukee Bucks (114 a 109) onde o time venceu sem o pivô camaronês. No último jogo eles perderam pro Houston Rockets de James Harden por 123 a 118, mas foi um jogo difícil até o fim e Harden precisou fazer mais de 50 pontos para ganhar a partida. E os números comprovam isso. Em 2017, além de ter uma das melhores campanhas, o time tem a melhor defesa (99.9 pontos cedidos a cada 100 posses), são o 9 com mais assistências com 23.3 por jogo, o terceiro com mais tocos com 5.8 por jogo, é o 7º time que sofre menos assistências dos adversários. Ainda não é perfeito, mas é um ganho grande quanto aos resultados recentes.

E isso sem Ben Simmons e Jerryd Bayless, que podem melhorar e muito o time. É pouco, mas a brincadeira em torno do processo (aliás, que Embiid se auto-intitulou assim genialmente) parece que vem dando certo.. São só 6 vitórias de distância do Chicago, primeiro no playoff. Aliás, nunca duvide do processo, sempre acredite no processo.

Lar, doce processo.
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