NBA — Semana 28: Um ode a Emmanuel Ginobili

Se Maradona é o pai do esporte argentino, Messi o filho, Manu é o Espirito Santo

Museu do Louvre devia expor esse lance (Foto: Divulgação/NBA)

A cidade de Bahia Blanca, localizada a 650km da capital Buenos Aires é fortemente conhecida pela sua força na área química. Aliás, lá temos duas empresas estrangeiras de alto porte: a brasileira Petrobrás e a DOW Química. Além disso, a economia também se fortalece por seu complexo portuário, é considerada o maior porto de grãos em todo o país.

Lugar, aliàs que viu surgir Rodrigo Palacio com seus gols pelo Boca Juniors, o bioquímico César Milstein e depois cair de orgulho com seu nobel de Fisiologia/Medicina, o técnico Alfio Basile e sua Libertadores e duas Copas Américas, mas que viu com as mãos surgir o maior orgulho do local — e um dos maiores do país.

Parece oportuno e injusto homenagear Manu Ginobili apenas pelos seus feitos no jogo 5 contra o Houston Rockets. É pequeno. Mas não é possivel deixar a oportunidade de se surpreender com o jogador com 39 anos nas costas, mas que, com inteligência, joga melhor que muitos de 22.

É indiscutível o peso que Ginobili tem para a história do basquete. Afinal, ninguém joga durante tanto tempo na NBA sendo irrelevante. E não apenas joga, joga sendo peça chave. E não apenas joga sendo peça chave, é campeão. Não apenas é campeão, é campeão 4 vezes. É campeão 4 vezes sendo um dos membros de um big trio no time mais vencedor da NBA.

Mas, ainda mais importante que isso, Manu tem 2004 razões para ser exaltado. Em Athenas, berço olímpico, terra onde o esporte tem seu apogéu, Ginobili alcançou as alturas como um Deus mitológico. Davi venceu Golias numa das melhores histórias desse século. Argentina saiu com o ouro e o Dream Team (estrelado como tal) foi derrotado.

Por isso, admitam. Com a bola laranja, nenhum não norte-americano foi tão grande como Manu. Pode não ter os números absurdos de Dirk Nowitzki, de Oscar Schimidt, de Drazen Petrovic. Mas ninguém nunca quis tanto vencer como Manu.

Olhe e veja. 12 pontos, 7 rebotes, 5 assistências e 1 toco chamam muita atenção? Olhando estritamente em quantidades é uma atuação ok. Mas, se você chegou até aqui e acompanha o basquete e ainda acham que números explicam tudo você não entendeu esse esporte.

Ginobili não tem a mobilidade de sempre. Mas enterrou como um menino. Não tem ainda o vigor físico para defender. Mas consegue encurtar os espaços como ninguém. Ginobili é como um vinho, melhorando com o tempo. É como a maturação de uma Quilmes.

Reverenciem e aproveitem não apenas a história na NBA. Mas a história no basquete e no esporte mundial.

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