NBB — Semana 27: Bauru e Pinheiros, o que fazer para mandar no jogo 4!

A equipe do interior paulista precisa fazer exatamente o que seu adversário fez nas quartas

Coadjuvantes das equipes, Léo Meindl e Renan Lenz estão em ótima fase (Foto: Divulgação/LNB e Divulgaçã/ECP)

A competitividade do NBB na temporada 2016–17 vai ser coroada da melhor maneira possível, com um campeão inédito. Isso já sabemos! Como também sabemos que o Paulistano Basquete já espera seu adversário na final depois de o heroico Vitória, e com boas expectativas sobre a volta de Georginho — que estava internado por conta de uma infecção, mas já recebeu alta depois de 5 dias.

O adversário, naturalmente, será complicado. Ou a equipe vice-campeã por dois anos consecutivos e sedenta pelo título inédita. Ou a que eliminou o atual, e mais vezes, campeão do NBB, com requintes de emoção e mostrando saber reverter adversidades, além de ter na equipe um candidato fácil ao prêmio de MVP.

Holloway é um gênio, e corre pelo prêmio de Jogador Mais Valioso (Divulgação/João Pires/LNB)

Bauru Basket e Esporte Clube Pinheiros estão encaminhando para o jogo 4 da série de semifinal. O time da capital construiu uma vantagem sólida e conta com a fase fenomenal e contínua de Desmond Holloway. A fórmula de operação do ataque dessas equipes já conhecemos: Dois gringos comandando o backcourt em um; no outro defesa gerando ataque com bastante movimentação de bola e chutes de três poderosos saindo das mãos de Jefferson William e Alex Garcia.

Caso não se lembrem, a história dessas duas se confrontando em playoffs é curta e recente. Nunca haviam se enfrentado numa pós-temporada até ano passado, quando o embate aconteceu nas quartas-de-final. A situação naquele momento não era tão diferente de agora, porém os papeis estavam invertidos. Era o Dragão quem havia construído uma vantagem de 2 a 1, vencendo as duas primeiras e perdendo a terceira. O 4º jogo foi justamente na casa do Pinheiros, onde Bauru fechou a série em 3–1.

Na situação atual, como bem sabemos, é o Pinheiros quem leva a vantagem. Para continuar com o sonho do título inédito e o segundo da história da cidade, o time do interior precisa fazer exatamente o que os comandados de César Guidetti fizeram na etapa anterior contra o Flamengo, forçar o jogo 5 e jogar com mais energia do que nunca.

As lembranças recentes em jogos 5 não é amistosa para Bauru (Foto: Divulgação/LNB)

E se o assunto é jogo 5 podemos dizer que a situação não fica tão simples para Alex & cia, afinal o adversário é praticamente um especialista nessa situação adversa. Em toda a história da atual liga nacional — desde a temporada 2008–09 — o Pinheiros jogou oito séries que necessitaram do quinto jogo para concluir, contra “apenas” quatro de Bauru. Dessas os paulistanos venceram seis, porém a única vez que um dos jogos foi na semifinal, houve uma das duas derrotas — para o Brasília em 2011. Já os bauruense venceram três de seus quatros jogos 5. Nessa conta estão uma vitória em semifinais e, no mais recente, a derrota na final do ano passado para o Flamengo.

Pragmaticamente, esses fatos não querem dizer muito, senão como curiosidades. A maneira que vimos um clube se comportar no passado, principalmente no basquete brasileiro e sua alta rotatividade de elencos ao longo das temporadas, pouco quer dizer do que acompanhamos hoje. O jogo 5 não passa de um desejo neutro de quem quer ver mais jogos e ver o circo pegar fogo mesmo, afinal vendo o que Pinheiros fez nos playoffs, as chances de fechar a série em casa são enormes.

Do que precisa cada time?

Fugir do plano-chefe é besteira. Se Bauru quiser continuar na peleja, não é saindo drasticamente do basquete defensivo que lhe deu sequências de vitória na temporada regular que vai dar certo. Os líderes do time estão se postando à frente do elenco, principalmente Alex Garcia chamando a responsabilidade da armação. Os 31 pontos de Jefferson também foram um sinal do quanto não querem sair sem lutar.

Um Léo Meindl energético é tudo que Bauru precisa!

Vejo, porém, outro cara nessa lista de atletas do Dragão que está se impondo e jogando um pouco das críticas para o lado. Léo Meindl tem sido particularmente espetacular. Não, ele não tem colocado os mesmos números que os outros dois, mas vem fazendo ótimos playoffs. A solidez dele no momento é um deleite para a equipe, que precisa MESMO dele como uma terceira opção para conclusão das jogadas. Bastante criticado pela temporada passada e pela atual, sobre não estar rendendo o tanto que se esperava dele como prospecto, seus 17 pontos por jogo, 3.7 rebotes, 4.7 assistências e 18.7 de eficiência, são provas de que ele pode sim se colocar como um dos melhores alas da liga se quiser, relevando, principalmente, que ele tem apenas 23 anos.

O que Bauru precisa mesmo é maneirar nos erros. São 16.7 erros por jogo na série, contra 14 do adversário. Grande parte desses erros sai justamente do trio citado acima, 10 erros por jogo. É algo de certo modo esperado, o banco não é tão profundo quanto o do Pinheiros, forçando-os a ficar muito tempo em quadra e, consequentemente, os erros se acumulam com a exaustão. A falta de opções na reserva também é um perigo em situações de final de jogo, pois supondo que seus principais jogadores sejam eliminados pelo número de faltas — como Shilton, que é bastante físico — não há reposição igualmente eficiente na armação ou rebotes!

No lado paulistano, sabemos que a vantagem está construída, ou seja, manter o padrão de excelência do quinteto titular é o básico para conquistar a vaga em casa. Logicamente, não é tão simples quanto o dito, mas o time num geral tem sido espetacular. Além da dupla gringa, Renan Lenz e Gemerson têm sido feras. O primeiro tem médias de 15.7 pontos por jogo, 4.3 rebotes e 16 de eficiência. Enquanto isso o segundo tem 13.3 pontos por jogo e 8.7 de eficiência. São quatro jogadores com mais de dois dígitos de média de pontuação.

Um dos melhores treinadores em atividade no Brasil

Atletas em sincronia com um excelente técnico, uma base formadora de estrelas do basquete nacional e um ginásio cada vez mais lotado. A possibilidade de definir em casa é uma vantagem imensa desse time. E sempre que posso pontuo o seguinte fato (sim, é um fato e quem discordar tem chulé!): César Guidetti é ENORME! Um baita treinador, com pulso firme para segurar uma equipe capaz de enfrentar quaisquer adversidades!

“Então não tem nada o que melhorar, só seguir o beabá?”. Obviamente, que hão pontos a ser observados caso não queiram forçar um indesejável jogo 5 em Bauru. Um dos fundamentos básicos que garantiu grande porcentagem das vitórias contra o Flamengo foram os rebotes. Foi uma verdadeira surra no garrafão, 41.8 rebotes por jogo contra 36.4 do rubro-negro, que possuia um garrafão de respeito com Olivinha e JP Batista.

Na série atual o Pinheiros tem 30.3 rebotes, 6 a menos por jogo em relação a Bauru. Na única derrota da série, no jogo passado, foram 40 rebotes do Dragão apenas 28 de Holloway & cia. Considerando que estamos falando do time que joga com mais posses em todo o NBB, recuperá-la nos rebotes é parte fundamental de seu jogo.

Particularmente, pelo basquete, quero mesmo é ver jogo 5. E, independentemente de quem for pra final, quero jogo 5 lá também.

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