O Fab Four do Golden State Warriors e a sede pelo título

Mais incisivos e centrados do que ano passado, fazer história é apenas uma consequência para o time de Steve Kerr

Não é mais uma questão de quem vai ser o protagonista, ambos, Stephen Curry e Kevin Durant, querem sangue (Ilustração: Felipe Haguehara/Buzzer Beater)

Se você conseguiu passar pela imagem de capa desse texto e não sentiu uma pequena náusea ao olhar para esse Stephen Curry mal desenhado, parabéns, você é o verdadeiro MVP!

Falar sobre as possibilidades de título de um time que já está vencendo por 3 a 0 na final e vem apenas acumulando recordes de pós-temporada é um tanto fácil, não — para não dizer “canalha”. Pois bem, a ideia é avaliar os fatos que consumaram nessa máquina de vitórias no momento atual, o que se consolidou e o que surpreendeu.

Antes disso, uma olhadela rápida nos escritos da história que esse time grafou. Se LeBron James é uma máquina de obliterar recordes individuais, o Golden State Warriors é um Exódia, com suas peças funcionais que juntas aniquilam recordes coletivos. Até agora o que vimos, foi justamente isso! O recorde do Warriors depois da vitória de ontem é de 15–0, o maior número de vitórias consecutivas numa pós-temporada nos QUATRO GRANDES ESPORTES dos Estados Unidos (NBA, NFL, MLB e NHL), o recorde antes pertencia ao Pittsburgh Penguins com 14.

Não contentes ainda há a possibilidade de bater a melhor porcentagem de vitórias num playoff, estabelecida pelo Los Angeles Lakers de Shaquille O’Neal e Kobe Bryant, em 2001, quando fizeram 15–1.

“Quem vai ser o protagonista?”

Uma das grandes questões sobre a chegada de Kevin Durant para compôr esse Megazord capitaneado pelo rapaz que morde o protetor bucal era simples. “Quem vai chamar a responsabilidade nos jogos?” ou “Quem vai diminuir o protagonismo que está acostumado, Steph ou KD?”. No final das contas, aconteceu um pouco de cada, poucos apostavam em campanhas de MVP de algum dos dois, mas sabíamos que em algum momento a fórmula ia funcionar.

Juntando esses caras a um Klay Thompson mais defensivo e sempre certeiro, o cara nunca teve uma temporada na NBA com menos de 40% de aproveitamento nos triplos; e a um Draymond Green mais barulhento e fenomenal ainda — campanhas por Gobert como Melhor Jogador Defensivo podem brotar, mas já coloco um posicionamento pessoal, Green merece 200% esse prêmio.

Um pouquinho da defesa do mestre contra o Portland Trail Blazzers

Se na temporada regular não houve algo próximo aos 73–9 do ano passado é porque temos um foco bastante diferente. São atletas sedentos por vingança aliados a um novo colega de time ainda não tem um anel apesar de sua qualidade de jogo. O Golden State cresceu nos lugares que precisava crescer. O lógico a pensar seria: “Ah os chutes de três melhoraram, né?”. Na verdade, eles até melhoraram um pouquinho, de 38.3% na temporada regular, para 39.6% nos playoffs, mas ainda abaixou do desempenho de perímetro do Cavaliers por exemplo.

A evolução de primeira fase para playoffs aconteceu em planos gerais. O ritmo, como eu disse, cresceu, o número de posses aumentou, de 99.8 em 48 minutos, para 100.6. O que significa, mais oportunidades de chute, vindas de rebotes e paradas defensivas — aqui, o quão importante é a tenacidade defensiva de Green! Para se ter ideia, nas finais, Stephen Curry está com uma diferença exorbitante no número de rebotes em relação ao pivô adversário, Tristan Thompson, 9.7 por jogo para o primeiro contra míseros 3.7 por jogo para o grandão do Cavs.

Mais oportunidades e crescimento e manutenção de eficiência culminaram em melhoras nas estatísticas, seja na defesa, seja no ataque. Tanto o número de pontos a cada 100 posses subiu nos playoffs 118.1 contra 115.6 da temporada regular; quanto o número de pontos sofridos a cada 100 posses do adversário diminuiu, de 104 para 102.1.

KD e Curry, precisa pedir mais?

Sim, o elenco desse time vai bem mais além do que estrelas. É uma sinfonia bem ensaiada e entusiasmada para reter o que um dia foi seu. Entre JaVale McGee em reviravoltas na carreira e Patrick McCaw mandando muito bem para uma pick de 2º round temos os maestros desse show.

O coletivo é excelente, mas não há como não destacar a atuação de Kevin Durant e Stephen Curry. Ambos tiveram ótimas temporadas regulares, nada que lhes renderá um prêmio de melhor jogador, mas ainda sim o que se espera de jogadores de seus calibres. Steph encerrou a fase inicial com 25.3 pontos por partida, 6.6 assistências, 4.5 rebotes e 1.8 roubos de bola. Durantula, por sua vez , fez 25.1 pontos, 8.3 rebotes, 4.8 assitências, 1.1 bolas roubadas e 1.6 tocos.

Porém, quando a pós-temporada bateu na janela, eles disseram: “Quem disse que LeBron é o único a ter um Playoff Mode?”. Curry, até agora, tem 28.6 pontos, 6.3 assistências e 6.3 rebotes, enquanto Durant tem 27.2 pontos, 8.3 rebotes e 4.2 assistências. Quem participa das conclusões e formações do ataque são eles, seja num possível um contra um, seja na movimentação intensa e cheia de screens para deixá-los livres para chutar.

Mas na final não dariam tanto espaço para esses dois ficarem à vontade, certo? Bem, é o que Tyronn Lue desejaria. Eles estão mais máquinas do que nunca. Curry está beijando o triplo-duplo de média com seus 28.7 pontos, 9.7 rebotes e 9 assistências. Já o ex-ala do Oklahoma City Thunder abriu a lata de Bavaria para matar sua sede por título, 34 pontos, 10 rebotes e 6 assistências, de média!

LeBron pode ser o cara com uma média de triplo-duplo nessas finais, mas em frente aos dois gigantes que citamos, e como o próprio Russell Westbrook provou nessa temporada, nem sempre esses números são o suficiente!

Quer um recorde como acompanhamento?

A história não está à cavalo, está a 750 cavalos de potência numa Lamborghini Aventador. Steve Kerr, em certo momento, antes do jogo 3, foi perguntado sobre a possibilidade de fazer o primeiro playoff invicto da história; a resposta foi simples e segura “estou com a cabeça no 15–0”, implicando que eles estava relevando um jogo de cada vez. Invicto ou não, melhor porcentagem de vitórias ou não, tanto faz, o que importa é que quem precisa dum sucesso coletivo urgente é o Cavaliers. No ano passado surpreenderam ao reverter um 3–1, mas e agora que a batata é superar um 3–0, algo nunca feito antes?

JR Smith acredita…

Ele apagou a postagem, e alegou não ter sido ele a fazê-la
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