O mar de lodo em que afunda a CBB

A má gestão premiada com punição ao basquete nacional

Resta apenas aguardar os recursos e olhar com receio para a resposta da entidade brasileira (Fernando Frazão/Agência Brasil)

[ALERTA DE OPINIÃO E REVOLTA]

À essa altura todo mundo já sabe, a seleção brasileira de basquete e o Brasil como um todo está suspenso de disputar quaisquer campeonatos organizados pela FIBA.

O informe da suspensão veio ontem, através de nota no próprio site da federação. E já era uma tragédia anunciada!

Para quem acompanha os trâmites e operações da Confederação Brasileira de Basketball , a CBB, já conhece as muitas falhas possíveis de apontar. A entidade que representa institucionalmente o nosso basquete está em crise.

Crise de gestão, crise financeira e agora crise de relações aos órgãos superiores.

Normalmente os textos aqui são mais bem humorados e trabalhamos bastante com as curiosidades relativas ao basquete. Mas calar-se e fazer piada à sobre da lapidação do nosso esporte da bola laranja é falta de respeito.

Durante anos foi possível acompanhar uma dívida que chegou a 17 milhões de reais, no último balanço financeiro. Não é de hoje, não é de ontem, é de muito tempo atrás e não há culpado individual por esse momento enfrentado. Algo que passa desde a falta de rotatividade na presidência (em cerca de 20 anos a CBB teve apenas Grego e Carlos Nunes como presidentes).

Carlos Nunes, de camiseta vermelha, está na presidência da CBB desde 2009

É triste ver um bem maior, um bem cultural nosso ferido por medidas institucionais, e por falhas nesse meio.

Categorias de Base sofreram, deixaram de participar de campeonatos (foi necessário, em determinado momento, pedir para o Esporte Clube Pinheiros levar seus garotos para representar o país), a falha em organizar o torneio 3x3 World Tour, atrasos de pagamentos. Esses foram os motivos apontados pela federação internacional.

Foi preciso ler uma nota da FIBA para se tocar e perceber a situação pífia. Uma nota de lamentação de uma entidade que não é lá essas coisas também: “O Comitê executivo expressa sua lamentação pela situação do basquete no Brasil apenas alguns meses após os Jogos Olímpicos…”. Há alguns meses atrás, foi enviada até uma força tarefa, liderada por Jose Luiz Saez, ex-presidente da federação espanhola de basquete, a FEB. Tudo em vão!

Em resposta a CBB soltou uma nota de esclarecimento:

“A Confederação Brasileira de Basketball (CBB), por meio de seu Presidente e de sua Diretoria, vem por meio desta mostrar sua surpresa com a punição imposta pela Federação Internacional de Basketball (FIBA). No início do mês de novembro, a FIBA enviou ao Brasil o dirigente José Luis Saez que, durante reunião na CBB e demais encontros, em momento algum abordou a possibilidade de suspensão da entidade brasileira. Dessa forma, a CBB vai buscar os meios formais e legais para preservar o basquetebol brasileiro. Na próxima quarta-feira (dia 16), a CBB comentará todos os itens elencados pela FIBA e irá pontuar o que de fato acontece no basquete nacional para que a sociedade avalie e forme sua opinião sobre esse episódio.”

Vale lembrar, porém, que o basquete brasileiro vive, independentemente disso. O NBB e a própria LNB seguem como um modelo de gestão, até para o próprio futebol. Não veremos nossa seleção em ação a princípio, mas isso pode ser um sinal de renovação nas necessidades e no como o basquete brasileiro deve ser tratado.

Estamos falando de um país com 4 medalhas de bronze e 1 de prata. 2 vezes campeão mundial. País de Oscar Schmidt, Hortência, Wlamir Marques, Magic Paula, Rosa Branca, Ruy de Freitas, Kanela, Janeth Arcain

Jamais esqueçamos que isso é uma mancha, mas, também, que nosso esporte é maior do que toda essa lambança!

Dados: CBB, FIBA, Bala na Cesta

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