Conexão sem Escobar

Por Mariane Rossi

Uma narrativa envolvendo o chefe do tráfico Pablo Escobar logo atrai os olhares de fãs de livros, séries e documentários sobre uma das figuras colombianas mais conhecidas no mundo. Porém, o longa Conexão Escobar trata o traficante quase como um coadjuvante quando, na verdade, o público espera que ele seja a estrela do filme.

O experiente ator Bryan Cranston interpreta Robert Mazur, um pai de família e agente da alfândega prestes a se aposentar, mas que tem como última tarefa acabar com o cartel de drogas comandado por Pablo Escobar.

Para cumprir a missão, ele finge ser Robert Musella, um empresário que tem condições de levar o dinheiro do tráfico de drogas para os Estados Unidos. Ele se infiltra no cartel, fica amigo do braço direito do traficante e descobre detalhes do sistema.

Com a ajuda do amigo Emir Abreu (John Leguizamo) e da agente secreta Kathy Etz (Diane Kruger), que se passa por namorada de Musella, ele tem a possibilidade de concluir o grande plano de prender a quadrilha chefiada por Escobar.

O filme foi baseado no livro de memórias ‘O Infiltrado’, do agente federal Robert Mazur. As gravações feitas na Flórida, Londres e Paris, com o ar que beira ao bucólico, despertam a atenção e o imaginário. O cenário e o figurino remetem aos anos 1980, época em que se passa a trama, e são bem ricos e explorados na longa.

O início do filme tem uma narrativa frágil, que demora a ganhar ritmo de ação, dificultando a compreensão de cada personagem e a intenção do enredo. Para citar penas um dos momentos em que a direção de Brad Furman deixa muito a desejar.

O que fortalece um pouco a trama é a interpretação de Cranston. O restante do elenco também se esforça na dura tarefa de deixar o longa mais empolgante, mas sem tanta eficiência.

Conexão Escobar é um bom retrato da atuação pouco conhecida do agente federal que conseguiu atingiu o cartel do narcotraficante. Porém, a história merecia mais cuidado e é perceptível a ausência da ‘cereja do bolo’. Quem espera ver Pablo Escobar na telona, personagem citado durante o filme inteiro e dá o nome ao longa, se decepciona ao ver que ele não aparece nenhuma vez em cena.

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