Encontro de ícones

Por Felipe Mennucci Wasserstein

“Batman Vs Superman: A Origem da Justiça” (2016) chega carregado de expectativas. A maior é a construção de um universo cinematográfico compartilhado pelos principais personagens da DC Comics. É também uma óbvia resposta ao universo cinematográfico da Marvel Comics.

E não há estratégia de marketing melhor para atrair o público do que destacar a aparição e o confronto dos dois maiores ícones da editora norte-americana: Batman e Superman, interpretados respectivamente pelos galãs e canastrões Ben Affleck e Henry Cavill.

A direção é de Zack Snyder, que ficou conhecido por ter levado as telas de cinema obras dos quadrinhos como “300” e “Watchmen”, e também dirigiu “O Homem de Aço” (2013), que serviu como um reboot do Superman nos cinemas. Um dos roteiristas é o veterano David S. Goyer, que trabalhou na trilogia “O Cavaleiro das Trevas” e também em “O Homem de Aço”.

O filme começa dezoito meses após o confronto entre o Superman e o General Zod, conforme visto em “O Homem de Aço”. Superman torna-se uma figura polêmica quando é responsabilizado pela morte de diversas pessoas logo no início da película. Isso gera dois grandes problemas: a imagem do herói torna-se controversa, com alguns vendo-o como um símbolo de esperança e outros como um falso deus que representa um sério risco para a humanidade. A outra questão é que a maioria das pessoas mortas eram também funcionários das Empresas Wayne, e, subordinadas do playboy bilionário Bruce Wayne, o Batman nas horas vagas.

Não demora muito para que o Cavaleiro das Trevas veja o Superman como uma ameaça. E ele não é o único bilionário que pensa assim: o arquinimigo do herói, Lex Luthor (Jesse Eisenberg), também pretende expor os perigos que o homem de aço representa. Mas ele tem uma tática diferente: manipular os dois heróis do título para que se confrontem, e afastar o olhar do público para os seus crimes.

Embora a luta inevitável entre os dois ícones seja o grande atrativo do filme, ela demora a acontecer. E o pior: é ridícula.

Parte disso é culpa de Zack Snyder. O diretor não consegue organizar a trama de forma coerente ou arrancar boas interpretações de seu elenco, que incluí nomes de peso como Amy Adams (Lois Lane), Jeremy Irons (Alfred) e Diane Lane (Martha Kent). O enredo é confuso, há um excesso de personagens na tela e múltiplas tramas acontecendo ao mesmo tempo. O resultado é que esquecemos ou não nos importamos com esses acontecimentos.

Mesmo quando Snyder tenta reproduzir no filme cenas e diálogos da clássica história “O Cavaleiro das Trevas” (1986) a impressão que fica é a de algo forçado e sem impacto. Ele repete algumas frases de quando Batman está lutando com Superman na HQ, e os transfere para a tela grande.

E parece que Snyder não compreende a natureza desse confronto. Afinal, tratam-se de dois personagens que representam lados opostos da mesma moeda. É um embate entre luz e sombras, entre medo e esperança. Mas o que presenciamos é uma briga de dois homens crescidos, que mais lembra um quebra-quebra no fim do dia entre dois valentões do colégio.

E certamente não ajuda nada as atuações robóticas dos dois protagonistas. O Batman de Ben Affleck ainda é tragável, mas o personagem soa descaracterizado. Mata inimigos ou marca bandidos na cadeia como se fossem bois em uma fazenda. Henry Cavill está completamente inexpressivo como Superman. O que acaba sendo um problema, pois se trata de um herói que acredita no bem que a humanidade pode fazer. Para ele todas as pessoas merecem uma segunda chance. Ele é um personagem humano e carismático.

Outro problema é o grande vilão do filme: Lex LutHor. Jesse Eisenberg parece tentar reproduzir o trabalho feito por Heath Ledger como o Coringa em “O Cavaleiro das Trevas”, mas fracassa monumentalmente. Seu Luthor não é nem ameaçador, nem genial e muito menos engraçado.

A Mulher Maravilha aparece de maneira bem econômica na película. Interpretada por Gal Gadot, sua presença é a única que realmente funciona. Talvez pela pequena quantidade de falas e de tempo de exposição.

Avaliação: ruim

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.