Sonia Braga e a sensibilidade complexa em ‘Aquarius’

Por Leonardo Heitor de Oliveira

A complexidade de um personagem vai além do roteiro. É um caso de interpretações: do texto corrido, das falas e do ator. E depende do enredo, da fotografia, do tato do diretor, elenco e equipe. No caso de “Aquarius”, a maestria executada por Sonia Braga e Kleber Mendonça Filho é um dos motivos que torna o filme tocante. A história traz uma sensibilidade que é longa e amadurece com o público.

Em uma sinopse quase nua, “Aquarius” conta a história de Clara, uma senhora que luta contra as investidas de uma construtora para derrubar o prédio onde mora e construir um novo empreendimento majestoso, como tantos outros que povoam a orla recifense. Mas o filme é mais do que isso.

O que o trailer do filme não deixa claro é a narrativa de Clara, a personagem que sustenta toda a história. É ela que, na verdade, costura um sentido de causa e consequência das relações vividas entre as pessoas e os conflitos, dando um nó a cada ponto.

No início do filme, vemos Clara, ainda jovem e cabelos curtos, comemorando o aniversário de uma tia com a família. Somos apresentados aos seus filhos, ao marido e ao apartamento em que eles moram. Logo já estamos na atualidade, e encontramos a senhora de cabelos longos, com filhos e netos, e o mesmo apartamento.