Copa do Nordeste

As impressões de um paulistano sobre o maior torneio regional do país

Por Mauricio da Silva

Taça da Copa do Nordeste

A Copa do Nordeste é, atualmente, o regional de maior sucesso do país. Mas, ainda assim, até esse ano, eu nunca tinha assistido um jogo desse campeonato, por estar, de certa forma, “preso” ao futebol paulista. Em 2016, apaixonado por futebol que sou, decidi mudar isso e acompanhar a tão-falada Lampions League. Achei que seria interessante relatar minha experiência após assistir alguns jogos das primeiras rodadas.

Antes, vamos a um pouco de história:

  • Em 1976, foi disputado o Torneio José Américo de Almeida Filho, ao qual é atribuída a origem da Copa do Nordeste. O torneio teve a participação dos campeões e vice-campeões de seis estaduais nordestinos (Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe), além do Volta Redonda, do Rio de Janeiro, que atuou como time convidado.
  • Apenas em 1994, com o nome Copa do Nordeste, é que voltou a ser realizado um campeonato regional no Nordeste do país.
  • Em 1997, o torneio passou a ser organizado pela CBF, que o manteve no calendário até 2003, deixando de realizá-lo em 2004, sob a justificativa de ausência de datas.
  • Após grande pressão dos clubes, em 2013, a Copa do Nordeste voltou a ser disputada, no início do ano.
  • Em 2014, o campeão passou a garantir uma vaga na Copa Sul-Americana do mesmo ano, demonstrando a importância cada vez maior que o torneio tem no cenário nacional.
  • Finalmente, em 2015, Maranhão e Piauí, os únicos Estados da região que ainda não disputavam o campeonato, foram incluídos no torneio.

Ainda antes das impressões, um pouco do regulamento:

  • A classificação se dá por meio dos campeonatos estaduais: os três primeiros colocados dos campeonatos de Ceará e Pernambuco e os dois primeiros dos demais Estados disputam a Copa.
  • O campeonato nordestino é dividido em 5 grupos de 4 times cada. O primeiro de cada grupo classifica-se para a fase seguinte, além dos 3 melhores segundos colocados.
  • A fase de mata-mata é disputada em jogos de ida e volta.
  • O campeão ganha vaga na Copa Sul-Americana do mesmo ano e no Troféu Asa Branca do ano seguinte.
Santa Cruz x Bahia (Foto: Antônio Melcop — site Santa Cruz)

Bem, vamos lá.

Logo no início, já encontrei dificuldades: onde assistir os jogos? Em que sites ver notícias do campeonato?

Nesse pouco tempo assistindo a Copa do Nordeste, pude perceber que não é tão fácil conseguir notícias do campeonato. Os jornais, mesmo os de âmbito nacional, não falam do torneio, ou comentam muito rapidamente, apenas informando os resultados dos jogos; da mesma forma, as emissoras de televisão não transmitem os jogos. Achei apenas um canal que passa as partidas, fazendo uma boa cobertura.

Mas a procura por sites que comentassem o campeonato, ao me levar a portais regionais ou páginas nas redes sociais, me fez perceber uma coisa: como ele é importante para os torcedores dos times que o disputam. O engajamento nas redes sociais e nos comentários de notícias deixa isso muito claro. O interesse do torcedor nordestino pela Copa do Nordeste é muito maior que o interesse do torcedor Paulista pelo Estadual. Isso é um dos pontos mais positivos desse regional, a temporada já começa com um campeonato importante para o time e para a torcida.

Apesar disso, a presença da torcida no campo foi algo que me surpreendeu negativamente. Pelas notícias que já tinha lido, imaginava que os estádios estariam sempre lotados, o que não aconteceu. Ainda assim, a média de público desse ano é maior que a dos grandes times paulistas e cariocas: vê-se, nesse link, por exemplo, que Santa Cruz x Bahia teve um público maior que o dos jogos de Flamengo ou São Paulo nos seus campeonatos estaduais.

Além disso, fiz uma rápida pesquisa na internet e a edição do ano passado registrou bastante público, então acredito que conforme o campeonato avança, o público deve aumentar consideravelmente, especialmente no mata-mata.

Jogos

Nessas duas primeiras rodadas, tive a impressão de que os jogos são mais corridos do que os do futebol paulista. Também percebi que as partidas têm muitos contra-ataques, daqueles matadores em que o número de atacantes é igual ou maior que o número de defensores. Não sei dizer se é uma falta de organização defensiva dos times que participaram dos jogos que vi ou uma escolha por um jogo mais ofensivo, mas sei que é bem legal ver jogos assim, com muitas chances de gol.

Santa Cruz x Bahia, por exemplo, foi um jogaço. Os dois times foram pro ataque e criaram diversas chances de gol. A partida foi bem intensa, bastante movimentada, mesmo sob o sol forte. Baseado nesse jogo, eu diria que esses dois times, inclusive, podem fazer um bom campeonato brasileiro esse ano: o Bahia tem chances de subir, apesar de a concorrência estar bem forte e o Santa Cruz tem capacidade de se manter na Série A.

Alguns estádios são bem pequenos, mais modestos, contrastando com as Arenas da Copa em que são disputados alguns jogos, mas isso não chega a atrapalhar o espetáculo. Até porque assistir um jogo num estádio pequeno tem suas vantagens.

Concluindo…

A Copa do Nordeste é um campeonato bem interessante, com jogos muito bons de se assistir, sendo um torneio muito valorizado pelo torcedor nordestino. A vaga na Copa Sul-Americana apenas aumenta sua importância para os times, que veem a possibilidade de participação em uma competição internacional.

Com certeza, eu irei assistir os próximos jogos e as fases finais e, quem sabe, depois, fazer um texto mais completo, com mais que primeiras impressões.

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