
Eu bebo para esquecer
São cinco horas da manhã e o garçom desligou o som, ainda me disse que não serviria nem mais uma dose, propus pagar o dobro e mesmo assim não aceitou. Tentei juntar todos os argumentos que considerava válidos e escolhi aqueles que conseguiria falar o suficiente, pois àquela altura do campeonato palavras me faltavam.
Sei bem que já é o quinto final de semana que bebo por conta de uma garota, e as doses estão ficando maiores. Não quero descontar nas pessoas as minhas desordens — ah se todos soubessem como fui um homem de sorte.
A propósito eu não lembro mais do teu nome, de todos os sonhos que sonhamos juntos e das risadas que fizeram a minha barriga doer, inclusive já me esqueci da covinha do teu lindo sorriso.
Nenhuma dessas lembranças gostosas voltam à minha memória, justo quando estou prestes a dormir, quando acordo ou até mesmo no trabalho, ainda que eu esteja muito atarefado. Também já esqueci que aprendi a cozinhar contigo e que quando nos juntamos para fazer algo até o vizinho mais distante falava.
Eu já tentei me enganar sobre tudo o que passamos, inclusive minha última desculpa para mim mesmo foi de que tudo aquilo era um sonho, que mesmo sendo tão real, agora eu já estava acordado e de volta a minha própria realidade.
Claro que agora o futuro já está encaminhado, o passado ficou para trás, o esqueci a meia hora atrás, não que daqui há alguns minutos ele não volte acompanhado de um sorriso bobo, bata à minha porta e meio sem jeito peça licença para entrar, mas deixa pra lá.
Já superei tudo isso e não posso ficar contando que ainda sinto a cama fria, os dias passarem devagar e a falta da companhia, que de uma hora para outra nem avisou que iria embora. Como um senhor me falou neste mesmo buteco: “Todos veem as pingas que eu tomo, só não os tombos que levo.”
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