Filósofos?

Doentes e Doidos

“Os poetas místicos são filósofos doentes, / E os filósofos são homens doidos.” (CAEIRO, 1914)

Doentes. Homens doentes. Homens. Portanto doidos. Doidos e doentes. Ora vejamos.

Os filósofos são homens: disso não deve restar dúvidas. Homens, sim, porque a filosofia de feminino só tem o gênero gramatical: a sua história é a do enamoramento do homem pelo seu próprio pensamento. E atente-se que ao referir-me ao homem, refiro-me objetivamente ao homem do sexo masculino.

Enquanto homens, fazendo filosofia (oh, ironia, dizerem-te mulher para depois fazerem de ti louvor a si mesmos e às suas faculdades), se crentes que a filosofia que fazem é verdadeira, estão claramente doentes. Sim, doentes (!), porque são homens louvando homens masturbando-se intelectualmente na tautologia do seu próprio gênero: racional, pensante!

E se homens, e filósofos, portanto doentes, ao crerem que essa história de Narcisos frente ao espelho é a história do que realmente importa, estão doidos — rigorosamente doidos. Andam às voltas e às voltas andam, tudo dizendo e nada acrescentando exceto pondo mais peso na biblioteca imensa da sua vã vaidade e orgulho de serem homens.

Assim posto, creio que é justo louvar Caeiro (perdoa-me Alberto se fujo com as tuas palavras). Sejam eles poetas místicos transvestidos de filósofos, sejam eles filósofos a serem maus poetas e ainda piores místicos, sem dúvida, oh, sem qualquer dúvida: todos doentes, todos estúpidos, todos doidos! Haja paciência…


Dedicado às minhas colegas e à voz que lhes busco ouvir.