Mercado aquecido — hora de planejar sua Exit Strategy?

Olhando pelo lado financeiro, vender uma parcela ou a totalidade de uma startup e capturar o valor adicionado ao longo dos anos de trabalho é um dos principais atrativos de se desenvolver ou investir em um negócio com tais características e riscos. Eis o famoso “Exit”, ou saída do negócio.

Embora a liquidez e o valor de uma startup dependam de uma série de fatores, venda está fundamentalmente condicionada aos princípios básicos da oferta e demanda. Do ponto de vista do fundador, quanto maior a demanda por startups — seja pela tecnologia, time, mercado, etc — melhor. Agora a pergunta que fica é: quão aquecido está este mercado?

Segundo o Startup Barometer da Bloomberg, o número de Exits nos EUA saltou de 0.58 startups por dia no início de Abril de 2007 — o qual se manteve neste nível até meados de 2013 — subindo para 3.67 Startups no início de Abril deste ano, como demonstra o Gráfico ao lado. Embora ligeiramente abaixo do pico observado em 2015, de 6.33, fica claro que desde 2013 o número de transações está se intensificado .

Minha leitura é que a entrada de empresas neste ecossistema, como descrevi neste post sobre Corporate Ventures, está impulsionando e ainda irá impulsionar ainda mais este segmento. Além disso, grandes startups estão consolidando mercados e adquirindo players em todo mundo. Em 2015, as grades startups adquiriram 736 empresas, quase o dobro do observado em 2013. Dentre os maiores compradores, estão:

Em termos de Valuation, grande parte das empresas vendidas em 2016 possuíam um valuation menor que U$ 50 milhões, mais precisamente 54% delas. Se a venda de uma startup por si só já é um evento difícil, vender por um valuation maior que U$ 50 é ainda mais raro, especialmente convertendo para moeda local.

No Brasil

Observando este cenário no Brasil, embora existam pouquíssimos dados disponíveis, me surpreendeu positivamente o fato de estarmos na posição 15 do ranking em termos de número de Exists em 2016, a frente de ecossistemas igualmente promissores como Irlanda e Japão.

https://www.cbinsights.com/blog/tech-ma-ipo-exits-2016/

Outro indício de atividade no mercado brasileiro é o fato de que, em 2016, 17% das transações de M&A no brasil terem sido no segmento de TI. Embora seja um perfil de aquisição um tanto quanto distante das startups, este número reforça o apetite por empresas de tecnologia. Vale ressaltar que, em anos de crise, muitas aquisições/vendas são estratégicas/necessárias, e nem sempre apontam para um aquecimento real do mercado em si.

http://www.pwc.com.br/pt/publicacoes/servicos/assets/fusoes-aquisicoes/2016/pwc-fusoes-aquisicoes-dezembro-2016.pdf

Voltando para o mundo das startups brasileiras, é preciso levar em conta que algumas verticais ainda carecem de grandes players capazes de adquirir e consolidar o mercado. Alguns setores mais maduros e capitalizados são mais dinâmicos, como por exemplo o de pagamentos. A aquisição do Moip por R$ 165MM no início de 2016 exemplifica este argumento. Entretanto, aquisições com tickets menores, motivadas pelo fator tecnológico, time ou mercado ainda são poucas (fato: grande parte dessas transações ainda ocorrem em caráter privado, logo são mais difíceis de analisar).

Novas tendências?

Este é assunto para um próximo post, mas meu palpite é que este cenário esteja mudando, mesmo que lentamente. Cada vez mais grandes players estão conhecendo os estágios de desenvolvimento das startups e buscando oportunidades de aquisição. São exemplos a compra da Chaordic e Neemu pela Linx; do AppProva pela Somos Educação; da One Cloud pela TIVIT e da Axado pelo Mercado Livre, todas elas entre fim de 2015 e começo de 2017.

Concomitantemente, acredito que haverão mais consolidações estratégicas. Em março deste ano a Direct Talk e a brasileira Seeker anunciaram sua fusão. Em 2016, tivemos a criação do grupo B2Beauty, formada pela Agenda Beleza e da AZ sistemas. Com a proliferação das startups nos mais diversos segmentos, a possibilidade de alianças estratégicas ficam cada vez mais evidentes e podem resultar em startups mais robustas e preparadas para uma futura saída. Este é um caminho menos trivial mas que deve ser cuidadosamente considerando pelas startups um pouco mais maduras. Por fim, existem fortes indícios de que as grandes empresas estarão cada vez mais presentes neste cenário, buscando bons deals cada vez mais cedo na cadeia de desenvolvimento das startups e aquecendo o mercado no Brasil.