Battle Royale
(Koushun Takami)

“É tipo imitação de “Jogos Vorazes”?”, geralmente é essa blasfêmia que se ouve após apresentar a sinopse de “Battle Royale” para alguém que desconhece o best seller japonês: vários jovens são levados para uma ilha onde há todo tipo de armas, que vão de machados até metralhadoras, e lá eles devem matar uns aos outros até que sobre apenas um sobrevivente/vencedor.
Lançado (no Japão) quase dez anos antes que “Jogos Vorazes” (2008), “Battle Royale” (1999) realmente guarda certa semelhança na estrutura narrativa do jogo de matança, pois certamente a escritora americana Suzanne Collins se inspirou no livro do escritor japonês Koushun Takami para compor a sua obra/franquia. Contudo, as diferenças entre as duas obras são também gritantes, já que a história de “Battle Royale” não é televisionada e é muito mais hardcore e sanguinária do que sua prima americana. As mortes são tão criativas e num volume tão grande que deixariam o Jigsaw com inveja.
Instados por um governo totalitário a se digladiar simplesmente para que a nação aprenda que não é possível confiar uns nos outros e, por conseguinte, não é possível ser subversivo e organizar revoluções, os 42 estudantes da turma B, nono ano da Escola de Ensino Fundamental Shiroiwa da Província de Kagawa veem diante de si o desafio de ter que matar os colegas com quem até um dia antes estavam rindo juntos em sala de aula.
Uma das grandes sacadas das regras desse jogo insano (um reflexo direto do absurdo em que a própria nação se vê inserida) é que além dos colares de metal que os alunos precisam usar e que explodirão suas cabeças caso tentem tirar ou fugir dos perímetros estabelecido, é o fato de que a ilha inteira é dividida em quadrantes que com o passar das horas vão se tornando proibidos, obrigando os “jogadores” a se movimentar para não morrer. Isso torna a dinâmica muito mais perigosa para eles e divertida para nós.
O livro foi muito bem adaptado para o cinema em 2000, mas meu primeiro contato com a obra foi através da versão em mangá, que foi roteirizada pelo próprio Takami e começou a ser lançado aqui por estas bandas lá por 2006. Agora em 2014, graças a um trabalho muito bacana da Globo Livros (digo isso principalmente porque um livro desse tamanho poderia custar quase o dobro na mão de outra editoria), finalmente temos acesso a uma edição caprichada do tijolão de 664 páginas que, se torcidas, quase vertem sangue. Ah, se o Tarantino resolvesse filmar isso tudo…
A grande diferença da obra original para a suas versões em outras linguagens, é que no livro há um desenvolvimento muito mais elaborado de praticamente todos os estudantes, mesmo dos coadjuvantes. Ficamos sabendo de suas histórias, seus sonhos, seus erros, etc e por isso acabamos nos importando muito mais quando um deles, por ventura, acaba sendo alvejado por uma rajada de metralhadora ou levando uma flechada no rosto. É certo que Koushun Takami dá algumas derrapadas aqui e ali quando tenta incorporar certa poesia juvenil à narrativa e a algumas descrições quase desnecessárias, mas ele também é extremamente certeiro quando o negócio é fazer o sangue jorrar e isso é o que mais importante num livro violento como esse, que tem como um dos principais objetivos fazer a gente se divertir (ou seria se horrorizar?).
Nota: 4/5
Título: Battle Royale
Autor: Koushun Takami
Editora: Globo Livros
Ano: 2014
Número de Páginas: 664
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