Destinos

de um caderno filosófico, do ímã de uma cidade maravilhosa e de um elefante atento.

Nós duas em Budapeste.

Já piscam as luzes de Natal na minha casa carioca. Na baiana, como sempre. me esperam para ajudar a arrumar as coisas. Nunca passo o Natal no Rio, mas me acostumei a ter sempre as luzes, o Papai Noel de roupa dourada e gesso e a mini e artificial árvore toda enfeitada.

Acho que assim tudo fica com cara de lar. Mas, calma, vou apagar as luzes que piscam — estão me distraindo do texto.

Agora está tudo parado. Fixo, como o olhar do elefante no quadrinho que comprei dois anos atrás em uma feira de rua em Berlim. Ele segue no meu quarto, de frente para a cama — um talismã, amuleto e aviso para as visitas estranhas — ele sempre sabe o que está acontecendo.

Também nesse périplo europeu trouxe um ímã de Budapeste — a segunda cidade mais encantadora que tive a sorte de conhecer — depois de Salvador. São completamente diferentes entre si, mas sendo o amor de Salvador por nascimento, de Budapeste foi arrebatação.

Ou arrebentação, que foi como me senti na despedida. Não sei como ou exatamente por quê, foi dessas paixões que nos atravessam. Sorrimos sem sentir, maravilhados e bobos, tudo brilha e parece sincero. Budapeste é honesta, franca e continua em mim. E olha que não é uma cidade de mar.

Na semana final em Berlim e encerrando o roteiro mágico: Berlim, Budapeste, Viena, Bratislava, Praga, Dresden, Leipzig, Berlim, comprei um par como presente. Dois cadernos quase iguais, capas de couro — carmim e marrom e gravado ali uma filosofia: alles hat seine Zeit.

Tudo tem seu tempo. Ali, tudo ainda tinha. O marrom foi para ele, que do Rio, ironicamente se mudaria para a Alemanha. O carmim ficou comigo, anoto as melhores palavras dos livros que deixam marcas. Dois anos e oitenta e sete livros depois, chegamos à metade.

Não sei por onde anda o caderno marrom. Sigo protegida pelo meu elefante guardião e por uma geladeira colorida de ímãs e geografias. Do ano passado, ficou o balão de Teotihuácan e uma polaroid da família porteño-baiana que nos recebeu entre terremotos e furacões no México. Esta foi, por enquanto, a última viagem de duas grandes e geniais amigas. Novas aventuras nos aguardam e seguem em desenvolvimento já neste ano, neste momento, agora. Com o mesmo amor e talvez maior, se for possível. Serei tia, seremos três, seremos mais, neste 2019.

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Tatiana Reuter Ferreira

Written by

Baiana. Redatora, crítica de cinema, roteirista. Produtora. Scriptwriter, content writer, film critic. Producer. extraforte.net Bookworm | Traveller | Cinephile

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