Com a palavra, Boni

Ou uma crítica ao que a Globo vem fazendo no Jornal Nacional e no Fantástico

Eu sei que muitos odeiam o Globo e tal, que ela manipula informações (e quem não?), que ela não é imparcial (e quem realmente é?), mas se tem um cara que acho foda é o Boni.

No tempo dele de Globo (e antes também!), ele criou e implementou coisas que estão conosco até hoje: Jingle da Varig, programação em rede, plim-plim, especial de fim de ano do Roberto Carlos (tá, não sei se isso é bom, mas minha mãe curte!), Fantástico… Eu não vou citar tudo aqui, até porque não lembro, mas quem quiser saber pode ler O Livro do Boni.

Por isso, acho que vale ver o que ele acha sobre o que nos oferecem dois programas-chave da Vênus Platinada: Fantástico e Jornal Nacional.


O Fantástico hoje é uma colcha de retalhos, em vez de ser um mosaico. São coisas parecidas, mas a colha de retalhos não tem conexão entre uma coisa e outra. Na minha época, o Fantástico não tinha apresentador. Quando eu saí (da Globo), já tinha. Tinha que ter a grande matéria, a matéria de capa. Hoje é tudo soltinho, e quando as matérias são grandes, são policiais.

E o Fantástico tinha uma coisa importante pra mim: o tema chama-se esperança, quero mostrar esperança de uma vida melhor, as relações entre pais e filhos, a cura da doença, a tônica do Fantástico era a esperança, eles jogaram isso no lixo.

O ‘Show da Vida’ agora é dizer que a vida não tem solução, eu não gosto disso.


Os jornais locais americanos são bastante informais, mas o jornal de rede americano é um apresentador só, não tem três. Hoje, mais do que nunca, o cara quando vê o Jornal Nacional, já viu aquilo em outro lugar. Então, o que o cara precisa ver ali? Se aquilo é verdade, que seja uma coisa oficial. O cara senta lá e faz sério. Agora, o cara levantar, botar apelido na mulher, chama a mulher de Maju, não tem sentido. O Brasil é um país informal, mas o Jornal Nacional é um boletim de hard news, informação, é preciso impor a percepção de que se deu no Jornal Nacional, aquilo é verdade.

Mais do que nunca, ainda mais com essa linguagem dinâmica da internet, o jornal deveria ser mais dinâmico, com notícias mais curtas, mais informativas.

O Armando sempre dizia que o jornal tem que ser cool. Os outros programas — o Globo Repórter, o Fantático, o jornal da noite vão discutir a notícia, de modo interpretativo. Esse jornal (Nacional), não, é um boletim. O Armando, eu dizia pra ele: ‘você tem 30 minutos’. Hoje tá com 50. E eu dizia: se faltar uma notícia em 30 minutos, eu vou te matar. Discute política em outro horário.

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