Instantaneidades

Sabe o elevador?

ah, essas coisas que indústria ssóóca na gente…

Quando inventaram o elevador, era porque imaginávamos que seria incrível subir vários andares instantaneamente, sem suar [e sem trabalhar os glúteos]. E o carro? Bem, quando inventaram o carro acharam que seria muito legal chegar rápido a lugares distantes, sem gastar sola de sapato [e sem melhorar a capacidade cárdio vascular]. Quando criaram o espremedor de sucos, acharam supimpa fazer um suco rappidimm sem precisar ficar com cheiro de óleo de laranja e nem ‘gastar’ a mão’ [e sem criar bíceps]. Foi dessa percepção de instantaneidade, que nos foi imposta como normal, que surgiu a necessidade de criar outras tantas coisas as quais chamamos de ‘modernas’. 
[A academia pra malhar inclusive! kkkk]

Nos disseram que a intenção primeira era poupar tempo (ou esforço) e ganhar praticidade: assim surgiu a batedeira, o liquidificador, o microondas, até o próprio forno a gás! As palavras de ordem dessa tal modernidade são: “seja prático”, “poupe tempo”, “ não se canse”, “viva a vida”. Ou melhor, a ‘lei de gerson’ por excelência: “seja esperto, lucre mais perdendo menos”. 
[Depois pague a academia pra suar tudo o que não suou!]

Dessa lógica do “menor esforço em menos tempo = mais praticidade” surgiu o miojo, o doce de marmelo que nem foi pro tacho, as comidas pré-preparadas, o café empacotado já moído, o leite que não estraga, a geleia de mocotó sem mocotó, etc, etc, etc... Tempo, tempo, tempo…
[e depois gasta tempo e $$ indo pra academia queimar os acúmulos das dietas de carboidratos rápidos e vazios!]

O marketing, os filmes, os desenhos e até literatura, nos estimularam a ver essa instantaneidade compulsória de tudo em nossa vida como algo super natural, como parte intrínseca da evolução humana ou da modernidade. Algo que, ou foi incutido como necessário e inevitável, ou foi por outro lado, forçosamente estimulado como desejável, um mundo ideal a que todo mundo teria direito, onde todos seriam felizes(sic). Lembre que já na década de 60, as crianças assistiam a família Jetson, que mostrava o ápice da modernidade futurista ser um apertar botões, e plimmmm, coisas 'apareciam' prontas! 
[menos o exercício na academia, esse você aceita fazer de bouas]

Mas já notou como cada vez a gente tem menos tempo? E afinal, quem disse que a gente precisava de mais tempo? Até onde eu sei o dia sempre teve 24 horas. Apenas. E se a gente anda economizando tanto tempo, o que a gente faz com o tempo que ‘sobra’? Trabalha em dobro pra comprar os modernos ‘economizadores de tempo, energia e trabalho intelecto-muscular’?

E, se a gente mesmo não tem mais aquele “enorme esforço” requerido para obtermos o que desejamos, e no entanto sabemos que aquilo precisa de um esforço, a quem recaiu o esforço que nós não despendemos mais? [será que em alguém que tá na academia com a gente?] Até onde a gente trabalha gastando ‘vida’ pra pagar o que achamos que não nos compete mais fazer nessa vida?

Praticidade não é sinônimo de eficiência. Eficiência é PODER, isso é, ter a capacidade de ser efetivo, conseguir alcançar eficácia, isso é, (veja só!) conseguir o melhor rendimento com o mínimo de dispêndio. E alguns dos antônimos para praticidade podem ser “verdade “, “razão”, “subjetividade”... hum, percebeu o jogo de palavras?

Pois é, a lógica do “seja esperto, lucre mais perdendo menos” fez a gente acabar gastando mais dinheiro para ter menos, pois perdemos muita coisa, de qualidade à sabores, de saúde à sossego (coisas que não tem preço na vida da gente e são insubstituíveis!). Perdemos muitas coisas, inclusive qualidade ambiental e equidade social, e outras tantas muitas coisas que a gente ainda nem sabe que perdeu…

Mas a crença cega na tecnologia+indústria nos tornou praticamente insensíveis a degradação geral que ela mesma gera. O excesso de tecnicismo industrial tirou de nós muitas percepções, mas a pior dos entorpecimentos gerados se deu principalmente na questão dos alimentos. Hoje em dia acreditamos MESMO que os sucedâneos alimentares são a coisa “real’. Nossa vida tá mais pra miojo do que pra macarrão fresco, apreciando mais o pão bromatado do o pão de levain, entendendo mais de mate benzoatado do que chá mate, comendo lazanha congelada e lembrando da lazanha da avó, bebendo mais suco de caixinha sorbatado ao invés de suco fresco…

Ah, essas maravilhosas modernidades… ah, esses monstruosos sucedâneos.

Sabe aquele ‘café’ instantâneo que você bebe correndo de manhã? Não é café. Te contaram o que é o ‘café em pó’? Nãããoo? 
E sabe aquela cápsula de café? Xiiii, se eu te contar…

Melhor deixar esses segredinhos que poucos tem coragem de contar para um outro texto…


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