Precisamos falar sobre café

Café. Taí uma coisa que brasileiro gosta muito. Ou acha que gosta…

Bem, pelo menos, de todas as pessoas que encontrei, a maioria delas gosta muito de me ouvir falar sobre café. Muitas tem algumas dúvidas, algumas têm muitas certezas, mas a abertura para entender mais sobre café está sempre lá. E não raro, me deparo com olhares de espanto, bocas (salivando) entreabertas e caras de interjeição diante de algum relato, palestra, consultoria ou experiência oferecida por mim. Isso acontece porque infelizmente (não sei se você já se deu conta) a maioria dos brasileiros entende pouquíssimo sobre café. E por dois motivos apenas:

  1. no Brasil, o café sempre foi (e continua sendo) de interesse internacional e pivô nacional (=poder & $);
  2. e por isso mesmo, é também uma lenda bastante midiatizada (afinal, quanto mais afastado o povo estiver do conhecimento profundo e real sobre o café, mais fácil engambelar a nação e manter a dupla “poder & $”).

Há mais de 300 anos segue esse ciclo quase interminável de poder, dinheiro, manipulação de informações, falcatruas, crimes, obliteração de dados, marketing, violência, usurpação, suborno, mais manipulação, mais poder, mais dinheiro...

Eu disse quase interminável…

…sim, pois é a partir da abertura das pessoas para ‘aprender sobre café’, que (essa cafeóloga que vos escreve) consegue a quebra de vários paradigmas, promovendo a ruptura de padrões arraigados. Uma experiência disruptiva inevitavelmente conduz pessoas à uma consciência do que é o não-café e ao desejo de não compactuar mais com a avassaladora estrutura dominante. Trazer à tona uma nova percepção e consciência sobre o Café (com C maiúsculo) é urgente e começa ‘de trás pra frente’, do simples ao complexo, do ontem para o hoje, do abstrato ao experiencial.

Registro do evento “Declaração de Amor ao Café!”, out/2017, no Centro do RJ. Fotografias: Vanor Correia

Legal é perceber o “ahhhh, agora eu entendi tudo!”. Bem lá no fundo as pessoas sempre souberam, só não sabiam como expressar o que sabem.

E é por isso que eu me repito sempre (e muito!), mesmo sobre os tópicos mais básicos e aparentemente corriqueiros. Acaba sendo inevitável e extremamente necessário. Quebrar esse ‘ciclo do mal’ será o grande desafio humano nos próximos anos! Mas a gente chega lá!

Quer testar o que você sabe sobre café??

Você sabia…

  • que o café é responsável por mais de 50% da degradação ambiental de todo país?
  • que atualmente tem grandes interesses internacionais (no pior sentido) sobre os nossos cafés (pior até que nos idos de 1800)?
  • que a espécie coffea arábica é a maior biopirataria de toda a história da humanidade?
  • que a planta do café sofre, fica deprimida e que somatiza?
  • que o Brasil foi o pior vexame internacional nos últimos grandes eventos (Copa e Olimpíadas) em relação ao café de baixíssima qualidade servido aos estrangeiros no país? (nem comento sobre os eventos em si…)
  • que é possível trazer justiça ambiental, equidade social e equilíbrio econômico através do consumo consciente do café?
  • que o Brasil, por conta da sua extensão continental, seus diversos biomas e culturas, produz a maior diversidade de cafés do mundo?
  • que a história do café nos possibilita fazer um resgate cultural e de identidade?

Se você também fez cara de interjeição para alguma dessas afirmações, então nós precisamos conversar sobre café…

Moni Abreu 
Cafeóloga, brewer barista, designer de experiências, hacker do café. Multipotencial e mente sináptica e criativa da Café!Café!Café! 
Empreendedora social e coordenadora da Cafeoteca do Brasil 
Fusqueira, coffee hunter e interventora urbana do FusCafé. 
Palestrante, consultora e visagista na área dos cafés especiais. 
Educadora disruptiva, contadora de histórias e coffee coach. 
Linker das questões universais para o microcosmos do café. 
Agrofloresteira, agitadora cultural e quebradora de paradigmas. 
Naturalmente curiosa, apaixonada por pessoas e amante deste planeta.



Texto publicado também no Facebook
A tradução deste texto para língua inglesa foi feita por Aisha Celadon

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