Gonzaguinha

Era a reinauguração de um antigo teatro no centro da cidade. A atriz, dona do teatro, era uma das minhas preferidas. Uma referência, de personalidade forte, intenções graves, e ‘physique du rôle’ que lembrava a minha mãe, minha Leny Andrade particular. A noite era do samba. Um garoto novo da Serrinha é a grande novidade. Dizem que ele toca todos os instrumentos de percussão e aos dez já era o mestre de bateria do Império Serrano. Open bar. A noite não poderia ficar melhor. Poderia? Sim, poderia e ficaria. Ao ser apresentado à bela dama do teatro brasileiro ela me pareceu emocionada, ao olhar para mim. Quem estivesse de fora acharia que era ela quem estava diante do seu grande ídolo. Passado o susto, noite a dentro ela me confidenciou:

— tomei um grande susto quando eu te vi… você tem a cara e os gestual do falecido Gonzaguinha, quando jovem. Fiquei nervosa. Você é parecido demais com ele. Obrigado por você ter me trazido essa emoção de volta.

É, tem dia que vale a pena estar vivo.

Em pensar que eu quase desisti de sair de casa por causa de uma frente fria.

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