Já pensou (que louco)?
A gente sendo feliz com tão pouco

Quando me deparei com esta frase de autor desconhecido na internet, constatei a origem do meu desconforto. Estamos todos em uma fase onde o medo que a economia da escassez gera em nossos ânimos não é lá muito motivador à produção. Ademais as baixas materiais dos últimos anos foram consideráveis para qualquer pessoa de nível médio. Relações afetivas ficaram pelo caminho. O dinheiro (aquele mesmo) que não traz felicidade nem na falta nem no seu excesso, humilha o amor. Além do nosso ego, nossas ambições, nossas ilusões de grandeza que vão se perdendo, em meio ao longo do longo caminho percorrido sob o foco único da sobrevivência. Assistimos passivos ao amor sendo trocado por prazeres imediatos. Na crise a tendência acumuladora que o capitalismo da escassez nos impõe é quebrada ao mesmo tempo em que a volatilidade das bolsas de valores mostra os seus dentes. E essa e a parte boa da crise. A vida se torna mais real na escassez, estamos todos presos ao aqui e agora, na sobrevivência, na lida de camuflar nossas frustrações e angústias. A epifania acontece se percebemos que nossa felicidade não está no que nos possui, nem no que nós possuímos, mas em quantas melhorias conseguimos fazer em nossas almas preguiçosas e viciosas, enquanto lidamos com a (cada vez mais) difícil missão de nos mantermos vivos. O perigo é o medo. Se conseguirmos ultrapassar o pânico da constatação de que nascemos sozinhos e pelados (e assim morreremos), sairemos da caverna que ao mesmo tempo nos protegia e nos mantinha presos. E aí já pensou que louco? A gente sendo feliz com tão pouco.