Um ano sem televisão

Hoje faz um ano que eu estou sem televisão. Em meio a crise, abrir mão das 1080 linhas em hd e dos mais de duzentos canais que juntos não dão um (do youtube), não foi missão difícil. Gosto de me relacionar comigo. Passei a criar conteúdo para esse alguém que tem o meu gosto. Comecei com vídeo, algum tempo atrás, mas esse eu que eu gosto prefere ler. A televisão te dá estabilidade mental, o conforto do padronizado, do horário que alguém regrou para a sua rotina através do conteúdo. No começo não foi fácil, confesso. No início eu me sentia triste, como o garoto que um dia eu fui deslumbrado diante da vitrine da Mesbla. Neste um ano cresci os meus quarenta e poucos anos. Percebi que é muito mais engraçado produzir do que digerir (sem questionar) algo produzido por outrem. Não, é bom também. Só é outra coisa. Neste meio tempo descobri a Netflix. Descobri o poder do conteúdo por demanda. Não existe conteúdo suficiente para tanta demanda. Precisamos produzir mais. O mundo precisamos produzir todos os dias. Conteúdo, conteúdo e mais conteúdo. Precisamos preencher o tempo criando e apreendendo conteúdos. Sonhei que eu estava em um vagão do metrô de Tóquio. Aquele povo todo com um dos melhores sinais de internet do mundo, consumindo conteúdo ao mesmo tempo. Sonhei que esse sonho não era o futuro, eu estava presente. É o mundo implorando por conteúdo. Estou um ano sem televisão. Há um ano eu sou meu próprio canal. Estou até ilustrando minhas próprias publicações. Cada um produz o canal que gostaria de ver. Com direito a play list no spotify.