Convencimento
Conjecturas sobre a criação, a morte e a justiça

O Espírito Santo nos convence do pecado, da justiça e do juízo. OK. Isso é bíblico. Mas o que de fato isso significa? E como isso reflete na minha vida?
Existe algo poderosíssimo que acontece quando o Espírito de Deus passa a fazer morada dentro do homem. Eu acredito que esse é o principal fator da criação. Deus é triuno, três em um. E cada um teve um papel a desempenhar na criação.
Em primeiro lugar, a criação é um resultado da vontade soberana de Deus. Deus não precisava da criação. Ele é autoexistente e auto-suficiente em si mesmo. Ele não precisava criar o universo, a natureza ou mesmo a humanidade. Logo, se ele o fez mesmo assim, devemos entender isso como um resultado de seu desejo. Ele quis criar o mundo, ele decidiu criar e assim se fez.
Ao encarar assim a criação, podemos entender algo poderoso em Gênesis 1:1–2:
Em primeiro lugar, Deus criou os céus e a terra […] a terra era como uma massa sem forma, um vazio sem fim, uma escuridão quase palpável. O Espírito de Deus pairava sobre o abismo das água. (A Mensagem)
Se me permitir uma conjectura nesse ponto, eu diria que Deus decidiu criar a terra a partir do desejo do Espírito de “se mover”. Então o Pai começou a falar, a proferir palavras através do Filho, palavras como “Luz” ou “Firmamento” ou “Astros, apareçam”. E assim, sem nenhum ponto de referência anterior, Deus começa a criar a maior obra de arte que mente alguma pode compreender. E enquanto o Pai proferia palavras através do Filho, o Espírito começa a se mover, trazendo à existência o que quer que fosse que o Pai chamasse.
Em “As Crônicas de Narnia: O sobrinho do mago” CS Lewis faz um belo retrato da criação a partir da criação de Nárnia, quando o Leão (Aslan, claramente uma personificação do Cristo) anda de um lado para o outro, cantando a canção que convoca toda a vida à existência.
Até aqui, conseguimos conjecturar sobre o papel de cada uma das três pessoas da trindade na criação. O Pai proferiu palavras através do Filho e então o Espírito se moveu trazendo as coisas à existência. Em determinado momento, os três decidem criar o homem, à sua própria imagem e semelhança. Então, o Deus triuno projeta no pó sua própria imagem (Glimmer in the dust) e então cria o homem, também triuno, com alma, corpo e espírito, refletindo diretamente e respectivamente, o Pai, o Filho e o Espírito. Assim, o Espírito que antes de movia sobre o nada passa a fazer morada dentro do homem.
E isso ocorreu de maneira plena até que o homem toma sua decisão. Em determinado ponto, o homem é induzido a uma escolha, e na união de seu ser triuno, escolhe pela possibilidade de ser igual a Deus. Igual e semelhante não significa a mesma coisa. O homem era semelhante a Deus, parecido com ele em suas características fundamentais, e isso o dava o maravilhoso direito a se relacionar com Deus. Porém, ao ser enganado por aquele que também tentara ser igual a Deus, o homem acredita que poderia se tornar um outro Deus, idêntico ao Deus original. Essa semente de morte, uma vez plantada, representou a ruína do homem enquanto criatura. E então, toda a humanidade é amaldiçoada à morte pela escolha do primeiro homem.
Vale novamente mencionar que Deus é auto-suficiente em si mesmo, e logo, poderia ter escolhido destruir o homem por completo, recomeçado a criação, ou mesmo deixar a humanidade caminhar desesperançosa por sua existência vazia e sem propósito. Porém, vale ressaltar que o principal atributo da personalidade de Deus é o amor. Deus é amor. Ele não tem amor. Ele é o próprio amor. E se há algo pelo qual Deus se apaixonara absurdamente é a humanidade, obra prima e única de sua criação, onde Ele colocou seu próprio Espírito para habitar. É movido por esse amor que Deus escolhe se tornar igual ao homem. O homem não pudera se tornar igual ao Deus que o criara, mas Deus como ser supremo, pôde se tornar igual ao homem. A Palavra se fez carne e então trouxe a realidade da criação original, do plano que Deus intencionou para o homem no princípio de tudo.
Na figura de Jesus Deus consertou a situação do homem. O autor de Hebreus fala sobre o primeiro é o segundo Adão, e como a destruição oriunda da ação do primeiro Adão dera lugar a redenção presente na ação do segundo Adão.
E então, quando a obra do plano de redenção se completa, o Espírito é enviado novamente para que habite dentro do homem, como no princípio. E então o Espírito orquestra três obras principais, que são o pilar da fé e crença em toda essa história.
O Espírito nos convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). Nos convence do pecado a nos levar a reconhecer que no pecado de Adão todos fomos condenados à morte. E então nos leva a plena certeza de que através da obra de Cristo fomos justificados. Ele nos convence que acreditar na obra de Cristo como suficiente para destruir o poder da morte sobre nós. E então nos convence de que seremos julgados pelo Pai, inicialmente não julgados pelo nosso pecado, mas sim, pelo fato de acreditar ou não na obra redentora de Cristo. Neste julgamento, já não há condenação para os que estão firmados na crença da obra de Cristo (Romanos 8.1). Porém, aquele que não crê em Cristo, já se encontra condenado no primeiro estágio, a condenação como consequência fatal do pecado de Adão (João 3.18).
O julgamento de Deus não será baseado em nossos pecados, mas sim na nossa crença ou descrença na obra justificadora de Cristo.
A história é insanamente maior e mais poderosa do que essas conjecturas puderam descrever, e definitivamente, é imensamente mais mirabolante. E não cabe nem a mim nem às minhas conjecturas te convencer da veracidade desses fatos. Mas uma pergunta não se calará: você consegue ou não acreditar nisso tudo?

