Compreender: um ato, uma solução


Durante toda a história da humanidade há registro de guerras que, com maiores ou menores efeitos, sempre foram marcadas por dor ou sofrimento.

As causas dos conflitos entre os seres humanos pouco interessam descrever aqui, pois são de uma falta de sentido indiscutível. Perante as notícias de fome, de injustiça no que diz respeito ao direito de todo ser à vida e a condições dignas, nos sentimos impotentes, sem reação. O mundo parece muito grande para que possamos abraçá-lo todo.

Porém, uma única ação pode plantar a semente e, se espalhada e cultivada, quem sabe um dia atingir as camadas mais altas de poder: a compreensão. Não podemos instantaneamente ajudar o planeta todo apenas compreendendo. Mas podemos começar. Começar aqui, no lugar onde vivemos e frequentamos, com as pessoas com quem nos relacionamos.

A todo o momento queremos nos impor sem ouvir o outro, achando que nossas experiências e conhecimentos são superiores. Num progresso evolutivo, considerando que somos todos seres humanos, propensos a errar a qualquer momento e sem uma quota de perfeição que possa ser atingida, não há determinação de melhor ou pior. E a chave para sumir com essas diferenças que criamos está na compreensão.

Anualmente é comemorado no dia 17 de setembro o Dia da Compreensão Mundial. A data foi criada com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre capacidade humana de compreender, capacidade essa que quando desenvolvida permite o respeito quanto às diferenças de comportamento social, de modo a se conseguir a convivência harmoniosa. O intuito é exatamente o de atingir líderes de governo e sociedade em geral a fim de que reconsiderem seus pensamentos e julgamentos de forma equilibrada.

O ato de compreender não significa a anulação da nossa pessoa, de nossos pensamentos ou afirmações. Significa a possibilidade de que outras experiências se abarquem e, até mesmo, nos complementem permitindo que diversas visões possam ser conhecidas e discutidas, sem que se sobreponham umas às outras. Compreender não significa aceitar e sim perceber novos pontos de vista. O entendimento sugere até mesmo caminhos que permitam colaborar com a solução de “problemas” que surgem. Compreender pode parecer uma atitude extremamente difícil uma vez que estamos convencionados a identificar de modo superficial, além de comparar, sempre nos colocando como os donos da verdade. Porém, não é preciso muito esforço. É necessário deixarmos de lado o orgulho. Apenas.

Núbia Lima — Estudante de Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, preza pela compreensão social e a felicidade universal.