Sobre a Síndrome do Pânico

Minhas mãos suavam, meu corpo tremia e as lágrimas já haviam molhado todo meu rosto. A ânsia de vômito me dominava e o medo mais intenso que eu já tive na vida me mantinha preso a uma realidade lastimável. Foi dessa maneira que fui apresentado ao pior inimigo que enfrentei na vida.
Eu tinha apenas 10 anos de idade quando me sentei em prantos do outro lado da mesa de um psiquiatra e o ouvi dizer que o que eu tinha, na verdade, não era a “frescura” que muitos diziam ser. O médico disse — com a frieza de quem conhece o âmago da doença — que o que eu tinha se chamava Síndrome do Pânico.
Saí da consulta mais confuso que entrei. Como diabos um médico que ostenta dezenas de diplomas redigidos em diversos idiomas numa sala fria e cinza me indica a um amigo de profissão mais capacitado para me tratar?
Por muito tempo, pensei que entender o problema o faria doer menos. Descobri o quão fantasiosa era essa concepção ao entrar no carro depois da consulta e ir para casa numa forte crise de pânico. A única diferença notável era que eu passava a saber como chamar minha dor.
No mesmo ano da descoberta da doença — 2006, para ser mais preciso — fui reprovado na escola. Era impossível minha permanência não só numa sala de aula, mas também às portas da escola em minha situação. Foi o que disse a diretora a mim e à minha mãe na ocasião em que nos avisou que eu havia sido retido. Mais uma vez, todas minhas lágrimas foram derramadas no banco traseiro do carro dos meus pais, onde me deitei inconformado com minha incapacidade de simplesmente viver normalmente.
Longos dez anos me separam do menino em desespero por descobrir seu inimigo dentro de si. Lutei como nunca na vida, e encontrei os melhores parceiros para tal batalha. Amigos, instrumentos musicais, neurologistas, psiquiatras e psicólogos foram à guerra comigo e hoje podem nem saber da vitória que me ajudaram a construir. Sobretudo, a psicóloga Maira Buonadio que me deu as armas e me ensinou as manipular diante dos monstros que me apareceram.
Eu venci a Síndrome do Pânico, e a medalha chegou: após dez anos da descoberta da doença que me afastou da escola e me fez reprovar um ano letivo, passei no vestibular e pude começar a estudar na universidade dos meus sonhos e da minha cidade. A mesma universidade na qual se formou a psicóloga a quem devo muito: a UFSCar.
