
“O machismo está destruindo os casamentos”,
ou sobre “como a independência financeira pode ser uma aliada na luta contra a tirania”
Tenho escutado as mesmas reclamações de diferentes direções. Mulheres de diferentes classes sociais, de diferentes estados, bairros e até países, falando e se queixando das mesmas coisas. Acho que estou diante de um fenômeno, e como observadora da antropologia do dia-a-dia, me vejo na obrigação de deixar aqui registrada e de fomentar mais discussão a respeito, a fim de, quem sabe, firmar um tratado… só que não.
O motivo real do texto é uma conversa, com essas amigas mães ocupadas e esposas comprometidas com suas rotinas e de seus maridos. Como não temos tempo para conversar, estou escrevendo na esperança de que numa das madrugadas, de insônia e exaustão, elas possam ler e discutir comigo, me mostrando os pontos que concordam e que não concordam.
A maior reclamação de todas elas vem em função do casamento. Todas vêm reclamando da mesma coisa: a falta de companheirismo do marido e que se arrependem, não dos filhos, mas dos casamentos. Discuti a respeito disso com meu marido (meu bloco de rascunho humano) e cheguei a uma conclusão, que ele concordou…e quando ele concorda eu me sintoooo.
De todas estas reclamações eu confessei a ele que não tinha do que reclamar dele, que claro, nossa realidade era diferente, porque não temos filhos humanos ainda, mas que me sentia orgulhosa por ter nele um companheiro, que me tratava de igual para igual…mas parei para pensar… Lembrei de uma luta diária que venho travando para isso e reparei, para meu espanto, que eu só tinha conquistado o status de igualdade depois de minha equiparação financeira. Em bom português, só alcançamos a parceria depois que passei a ganhar tanto ou mais do que ele. Sim, estou falando de dinheiro, bufunfa, money.
Depois de me sentir a pior das românticas, confessei isso a ele que concordou (!!). Admitiu que, quando ele exercia um certo poder econômico no relacionamento, ele se via num lugar confortável, onde fazia facilmente valer suas vontades, e lamentou inclusive por, em alguns momentos, exercer um papel tirânico. — Sim, sou uma felizarda por constantemente fazermos auto análise juntos e sermos capazes de admitir coisas do tipo — esta é a parte do texto onde me gabo…ah, me deixa! — dica: meditação! mas isso em outro texto a gente pode explicar melhor
Juntando isso com as reclamações de minhas amigas, vi com um certo susto que elas passavam por um domínio tirânico-econômico.
Isso me causou um cansaço imenso, porque mesmo lutando por direitos iguais e se esclarecendo junto a mídia, sobre o trabalho doméstico e de educação dos filhos, o homem ainda se vê numa posição de dominação, pelo simples fato de ter mais dinheiro do que a esposa, que está em casa, educando o/os filho/os, cuidando da casa, das ajudantes, do jantar e das compras, e das malas e das birras e ataques de fúria dos pequenos e aguentando, junto com isso, o eventos na escola, festas infantis, cólicas e por aí vai. Sem falar que, tudo o que não presta na criaturinha, a culpa é de quem? Da mãe, claro!
Já nos casos onde amigas possuem o controle financeiro da família, o homem por sua vez se mostra, na maioria das vezes, companheiro e compreensivo. A mulher — parte dominante financeira, no caso — enxerga o salário como o salário da família e não de si mesma, buscando não diminuir a outra parte por conta somente do financeiro. Mas isso muitas vezes, funde a cabeça do cara, que insiste em se posicionar de forma autoritária, pq este é o papel do macho alfa, sendo que ele não possui o poder econômico, e aí cai numa depressão bizarra, porque não se encaixa nos modelos impostos pela sociedade….affff…que confusão.
Sério mesmo? 2016 e ainda nos apoiamos na ideia de dinheiro como forma de repressão e segurança? Isso não é velho ou clichê demais para ficarmos discutindo?
Essas minhas conjecturas não têm qualquer valor científico, e deixo aqui perguntas para discutirmos: isso é algo de gênero ou independe? Estamos falando de comportamentos ligados, na maioria das vezes pelo X e pelo Y ou será reflexo da sociedade machista que vivemos?
O machismo machuca muito os homens! (esta é uma afirmação), porque se por um lado existe esta tirania com a parte mais fraca (financeiramente falando), existe uma imposição da sociedade nos homens, no sentido de obrigarem eles a SEMPRE ocuparem o lugar do “provedor” dentro da família.
Claro que escrevo sob minha ótica e exclusivamente sobre minha experiência de vida, mas como gosto de compartilhar assuntos e jogar papo fora, principalmente dos tipos de filosofia de botequim (de salão ou seja lá o que vc preferir), taí o meu texto e te convido a refletir, discordar e concordar tb…porque concordar não é vergonha pra ninguém e não é se forçando a discordar que você vai parecer mais inteligente e interessante. Mas aí é papo para outro texto também =)