SAIA RODADA

Paralelepípedos refletiam as luzes da praça. O perfume de terra molhada com um fundo de flor de laranjeira o acompanhava numa atmosfera de melancolia solitária.
Quantos anos se passaram…
Seu olhar percorreu as copas das árvores que estavam mais exuberantes e um reflexo colorido o atraiu. Algo se movimentava na poça d'água.
Uma a uma as cores desfilavam: verde, vermelho, amarelo, azul e a renda aparente da anágua rodopiava como um carrocel.
A dança das cores estava cada vez mais ritmada e de repente o belo espelho d´água tornou-se turbulento num único solpeio.
Antes límpida e plácida agora um mar revolto.
Depois de um profundo suspiro. As lágrimas começaram a seguir seu caminho, uma após a outra.
A saia rodada não estava mais lá.