MONSTRAS DO FLAG — Tatiana Sabino

Na entrevista de hoje falamos com a Tatiana Sabino, quarterback do Big Riders e fundadora do primeiro time de FA feminino do Brasil

Tatiana jogando no 1º Torneio Brasileiro de Beach Flag — Rio 2017. Foto: Kurt Alves.

Mini bio

Meu nome é Tatiana Ferreira da Silva Sabino, tenho 28 anos, sou do Rio de Janeiro.

Prático futebol americano desde 2003, fundei a primeira equipe feminina do Brasil, em 2004, o Saquarema Big Riders.

Sou advogada e professora, faço faculdade de Letras por amor, gosto de escrever crônicas e ler, nos tempos vagos, que são bem poucos.

Hoje, ainda sou jogadora do Big Riders, atuo como quaterback na equipe full pads e na equipe de flag.

Já conquistei alguns MVPs, mas todos na modalidade beach Football. A maior parte dos títulos da equipe são dessa modalidade também. No flag, fomos campeãs brasileiras do primeiro campeonato de beach flag, realizado em abril de 2017, no Rio de Janeiro.

Entrevista

Desde quando você joga flag?

Nos anos de 2006… 2007… Rolavam vários torneios de flag nas praias do Rio. Mas o flag football mesmo eu joguei pela primeira vez com a equipe do Palmeiras, a convite do coach Munuera. Isso foi em 2008. Jogávamos 8x8. No ano de 2012, joguei flag 5x5 pela primeira vez. Foi atuando na estreia da equipe Brasília Alligators, também a convite do Munuera, a equipe tinha apenas 3 meses e tivemos bons resultados no primeiro campeonato a nível nacional de flag, realizado em Salto, que seria o piloto do Circuito Nacional de hoje.

A partir de 2013, a minha equipe, Vasco Big Riders, aderiu à modalidade e aí participei do Circuito Nacional, desde então, em todas as edições.

Qual time de flag você integra atualmente?

Atualmente, eu integro o Big Riders.

Qual posição você joga?

Quarterback.

Já integrou outros times? Quais?

Palmeiras, Alligators e Rainbow.

Como você conheceu o flag football?

Difícil responder. O flag foi algo que sempre me “assombrou”. Eu jogava FA num time masculino. Cheguei a jogar um torneio. E aí quando não pude jogar o campeonato carioca pela minha equipe decidi montar um time feminino. E todo mundo queria que eu montasse um time de flag, só por que seria um time feminino. Diziam que a gente não ia conseguir time adversário, por que as meninas não iam querer jogar Football e isso me trouxe muita resistência ao flag. Em 2004, fundei o time, sempre jogamos com tackle. Em 2007, decidimos jogar um torneio de flag na praia do Rio e fomos campeãs, mas como no Rio o flag feminino não era muito fomentado, a empolgação passou. Eu acho que conheci o flag de verdade através do Munuera, que sempre me convidou para fazer parte das equipes que ele coordena. E em 2012 quando o flag começou a ser movimentado nacionalmente, decidimos montar uma equipe de flag.

Nos conte uma história que te marcou no esporte!

Existem quatro momentos que me marcaram muito no flag:

  1. Segunda etapa da FEFASP em 2016, Rainbow X Storm, onde a arbitragem nos informou o placar errado e depois de um jogaço, disputado ponto a ponto, controlamos o placar, tendo 1 min 04 seg de relógio e quando o jogo acabou, descobrimos que não estávamos a frente no placar e perdemos por 1 ponto de diferença.
  2. Playoffs de 2016, onde mais uma vez o Vasco chegou totalmente desacreditado e jogamos como nunca havíamos jogado. Vencemos, perdemos, empatamos, mas conquistamos a nossa classificação pra superfinal jogando como nunca.
  3. Superfinal de 2016, o jogo contra o Alligators, foi um dos jogos mais nervosos que já joguei. Foi a nossa estreia em superfinal, era TD lá, TD cá, turnover lá, turnover cá, foi um jogão!
  4. Final do Beach flag de 2017, o melhor jogo que já joguei no flag. Alto nível, muito disputado, muita rivalidade em jogo e perdi as contas de quantas prorrogações foram. Minha memória é muito falha desse dia, de tanto que a adrenalina tava lá no alto. Mas eu lembro que no nosso último drive do overtime, erramos a primeira descida, erramos a segunda descida, erramos a terceira descida e aí na quarta descida fizemos um TD de passe, campo inteiro e depois convertemos o XP, foi o primeiro XP que convertemos no overtime. E aí foi esperar a defesa fazer o dela e ela fez. Que jogo.
O que esse esporte significa para você?

O flag pra mim é o lugar onde eu coloco em prática o meu espírito de equipe, o meu altruísmo e o meu amor às minhas companheiras. Eu não jogo flag pq eu amo flag. Eu jogo flag pq minhas amigas amam flag. Eu jogo flag, pq o time que eu amo tem uma equipe de flag. Eu jogo flag pq eu sei que juntas somos muito fortes. Olhamos umas pras outras e nos tornamos mais fortes. É deixar de lado meus sábados, acordar às 5h da manhã, viajar 100km, vir pro treino, vir A TODOS OS TREINOS e mesmo não sendo algo que você ama fazer, acaba tendo muito amor nisso, na entrega. É uma experiência totalmente diferente da experiência no Football.

Que conselho você daria para as atletas novatas ou de times pequenos, com pouco apoio ou visibilidade?

Não desista. Nosso esporte foi construído por pessoas que lutaram por ele. Se hoje vc conhece o flag, se hoje vc ama o flag, se diverte com o flag, pode ter certeza que tem muita luta e persistência por trás disso. Ninguém nasce grande, todo mundo já foi pequeno um dia e o processo de crescimento tem um sabor maravilhoso. Faz com que toda vitória alcançada seja mais gostosa. Não perca nunca o amor pelo processo.

Tatiana em um belo registro de lançamento, por Jayson Braga.
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